Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Mais de 1.700 quilómetros separam Madrid, a capital espanhola, e Verona, no norte de Itália. Ou seja, mais de 1.700 quilómetros separam Diego Simeone, treinador do Atl. Madrid, de Giovanni Simeone, o filho mais velho do técnico argentino que atua no Hellas Verona. Este domingo, pai e filho entravam em ação com cerca de seis horas de diferença. O que ninguém antecipava, porém, era que Giovanni se tornasse o Simeone com a melhor história do dia.

Na receção à Lazio — onde, curiosamente, o pai chegou a jogar –, o avançado de 26 anos que já passou por River Plate, Génova e Fiorentina fez os quatro golos da vitória do Hellas Verona, carimbou um póquer e desenhou quase sozinho um jogo extraordinário para a equipa onde também atua o português Miguel Veloso. Seis horas depois, a mais de 1.700 quilómetros de distância, era a vez de Diego Simeone tentar responder à exibição do filho mais velho ao receber a Real Sociedad no Wanda Metropolitano.

Depois da derrota em casa contra o Liverpool para a Liga dos Campeões, o Atl. Madrid defrontava uma equipa que tem estado consistentemente na liderança da liga espanhola e que precisava de responder às vitórias do Real Madrid e do Sevilha. Simeone mantinha a aposta em João Félix, que tem mostrado estar num bom momento de forma nas últimas partidas e era novamente titular, e lançava os habituais Suárez e Griezmann no ataque. De fora ficavam Marcos Llorente e Savic, ambos lesionados, com De Paul e Mario Hermoso a surgirem no onze. Do outro lado, a Real Sociedad parecia alterar o sistema tático e o treinador Imanol Alguacil colocava dois elementos na frente, Isak e Sørloth, ao invés de lançar o sueco enquanto única referência ofensiva.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“É verdade que temos começado muitos jogos a perder. Por um lado, isso demonstra que a equipa tem respostas, porque muitas vezes conseguimos dar a volta, mas também é verdade que me preocupa começar fortes e tentar mandar no marcador. O futebol é um equilíbrio. Aquilo que procuro é sempre gerar uma segurança defensiva para poder atacar bem. É nesse caminho que nos movemos. Tentamos sempre jogar da mesma maneira, seja qual for o jogo. Neste arranque de temporada tem sido um pouco contraditório, porque temos tido melhores resultados fora do que em casa, mas não tenho nenhuma dúvida de que com o correr da época e com o apoio dos adeptos vamos encontrar essa regularidade que a equipa tem tido sempre”, explicou Simeone na antevisão à partida, um das mais desafiantes a nível interno.

Na primeira parte, a Real Sociedad entrou praticamente a ganhar e só deu tempo para que o Atl. Madrid tivesse uma espécie de lance de perigo, com Griezmann a rematar para defesa de Remiro (3′). Num contra-ataque perfeito, na primeira vez em que a equipa se predispôs a chegar ao meio-campo adversário, Merino apareceu na zona intermédia, abriu em Isak na direita e o sueco assistiu Sørloth no corredor central, com o avançado a antecipar-se a Oblak para abrir o marcador (7′). 

Depois do golo, de forma natural, a Real Sociedad resguardou-se mais no próprio meio-campo e ofereceu a iniciativa ao Atl. Madrid. Os colchoneros tinham mais bola e estavam sempre mais perto da baliza adversária, com Lemar a rematar por cima (22′), mas a equipa de Alguacil realizava transições praticamente exímias e até criava mais perigo quando chegava à grande área. Isak atirou por cima (24′), Silva ficou muito perto de aumentar a vantagem ao combinar com Sørloth para depois rematar para defesa de Oblak (25′) e a Real Sociedad ia gerindo a partida com alguma naturalidade, aliando a enorme organização defensiva à coragem ofensiva. Ao intervalo, o Atl. Madrid estava a perder e teria de encontrar uma forma de desmontar o xadrez adversário no último terço para conseguir chegar ao golo. Pelo meio, João Félix ia sendo dos elementos mais inconformados da equipa de Simeone e continuava a confirmar o bom momento.

No arranque da segunda parte, Simeone tirou Lemar e lançou Yannick Carrasco. Ainda assim, a Real Sociedad procurou desde logo ficar com o jogo mais controlado para gerir a segunda parte e teve de ser Oblak a impedir um desvio de Silva que seria letal (46′). O golo, porém, não demorou a aparecer: na cobrança de um livre direto descaído na esquerda, Isak atirou à baliza e aumentou a vantagem num lance em que o guarda-redes do Atl. Madrid não parece ficar muito bem na fotografia (48′).

O Atl. Madrid respondeu com um remate ao lado de Carrasco (57′) e Simeone voltou a mexer ainda antes de estar cumprida uma hora de jogo, trocando Renan Lodi e De Paul por Kondogbia e Correa. Pouco depois, os colchoneros relançaram a partida da única forma que sempre pareceu possível: João Félix desequilibrou na esquerda, tirou um cruzamento tenso e Suárez, entre os centrais, cabeceou para reduzir a desvantagem (61′). Depois do golo, a Real Sociedad fez uma tripla alteração, com Jon Pacheco, Portu e Turrientes a entrarem em campo, e a equipa de Diego Simeone ia tentando capitalizar o golo de Suárez através da subida das linhas e do aumento da intensidade da pressão alta.

A menos de um quarto de hora para o fim, Suárez foi carregado em falta por Merino no interior da grande área da Real Sociedad: o árbitro começou por deixar seguir mas, após consultar o VAR, acabou por assinalar grande penalidade. Na conversão, o mesmo Suárez bisou e empatou a partida (77′), lançando o Atl. Madrid para uma reta final a lutar pela vitória e para a segunda vez na mesma semana em que recuperou depois de uma desvantagem de dois golos, após o jogo com o Liverpool.

A vitória, porém, acabou por não chegar. O Atl. Madrid terminou a partida instalada no meio-campo da Real Sociedad mas não conseguiu carimbar a reviravolta, obtendo o menor dos males depois de ter estado a perder e não permitindo que a equipa do País Basco fuja na classificação. Na antevisão, Simeone mostrou-se preocupado com o facto de a equipa começar muitas vezes a perder — e a preocupação voltou a aparecer, com João Félix e Suárez a serem os únicos que acalmam as inquietações do treinador.