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Dias depois de ter decidido aplicar algumas das medidas mais restritivas desde o início da pandemia, o Governo regional da Madeira veio este domingo apelar à vacinação em massa, deixando avisos sérios à população: “Não queremos ter a pandemia dos não vacinados”.

Foi na tarde deste domingo que o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, deu uma conferência de imprensa para frisar a importância de que quem ainda não está vacinado o faça rapidamente.

Frisando que as novas medidas são “temporárias” e visam “proteger a população”, o responsável apelou à “cidadania” e “consciência moral” dos madeirenses: “Todos devem usar as mesmas armas à sua disposição. Todos são necessários para conter e controlar esta pandemia”, defendeu.

“Não queremos ter a pandemia dos não vacinados, como a América e alguns países europeus”, acrescentou depois, ainda como justificação das últimas medidas. “Os mais vulneráveis não podem ser atingidos”.

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Segundo o responsável do Governo regional, os anúncios do Governo e a entrada em estado de contingência já começaram a surtir efeito: nos últimos dias, adiantou, houve “mais vacinados” — em quatro dias, foram administradas 2.560 primeiras doses — e “mais testes” — 20.400 no mesmo período. “Estamos muito satisfeitos com a adesão da população”, assegurou.

E aproveitou para puxar pelo alargamento da vacina: Ramos considerou ainda que as crianças devem mesmo ser vacinadas, tal como Henrique de Barros argumentava na sexta-feira, na última reunião do Infarmed. As autoridades europeias vão pronunciar-se sobre o assunto esta semana e o representante do Governo regional adianta desde já que, caso a medida tenha luz verde, a Madeira começará a vacinar as crianças entre os cinco e os 11 anos.

Não-vacinados não podem ir a cabeleireiros, restaurantes ou eventos culturais na Madeira. Tudo o que muda

A conferência de imprensa acontece um dia depois de terem entrado em vigor as novas medidas na Madeira, que incluem obrigatoriedade de máscara tanto em espaços abertos como fechados e recomendação de vacinação a todas as pessoas com mais de 12 anos. Mas as medidas mais restritivas são mesmo as que dizem respeito às diferenças para vacinados e não vacinados: para exercer atividades ou ir a eventos como atividades desportivas, restaurantes, hotéis, cabeleireiros, ginásios, bares e discotecas ou cinemas, entre outros, as pessoas precisarão de apresentar tanto certificado de vacinação como teste rápido de antigénio.

Além disso, nos supermercados e grandes superfícies, tal como nos transportes públicos, quem quiser entrar terá de estar vacinado ou testado.

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As novas regras já suscitaram críticas, nomeadamente do Iniciativa Liberal, que este domingo enviou um comunicado às redações classificando as medidas como “inconstitucionais” e defendendo que configuram “abuso de poder”. Constitucionalistas como Jorge Miranda também já vieram questionar a legalidade das medidas, nomeadamente por se aplicarem apenas a uma parte específica do território português.