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As medidas para conter a pandemia vão voltar a apertar, como já era esperado, tendo em conta a evolução crescente da pandemia nas últimas semanas em Portugal. Coube ao primeiro-ministro anunciar o que vai mudar, de novo, na vida dos portugueses, e, para fazê-lo, António Costa apoiou-se em quatro gráficos que mostram como o cenário está a agravar-se.

Primeira semana de janeiro sem aulas, sem discotecas e com teletrabalho. Todas as medidas impostas pelo Governo

António Costa falava no briefing após o Conselho de Ministro desta quinta-feira que analisou a evolução epidemiológica em Portugal, quase uma semana depois de o primeiro-ministro ter ouvido os especialistas no Infarmed sobre a tendência crescente das infeções.

Portugal no vermelho

“Assistimos a um crescimento muito significativo da pandemia no resto dos países da UE e Portugal não é uma ilha”, começou por dizer o primeiro-ministro ao mostrar a evolução das infeções de Covid-19 no nosso canto da Península Ibérica.

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Desde 29 de setembro, frisou Costa, altura em que a generalidade das medidas para conter a propagação do vírus foram eliminadas, Portugal foi sempre assistindo a um aumento do número de infeções. Passou mesmo de um lugar confortável no verde da matriz de risco para estar agora a entrar numa das zonas mais escuras dentro do encarnado da matriz. E, como frisou o primeiro-ministro, há três dias consecutivos que o país passou uma das linhas vermelhas: a de 240 casos por 100 mil habitantes a 14 dias.

Matriz de risco está a agravar-se

Em 15 dias, internamentos sobem de 383 para 691 

O segundo gráfico que Costa projetou para ilustrar que a situação está pior no país — sempre frisando que a situação em nada se compara com a de há um ano — mostra que em 15 dias os internamentos aumentaram de 383 para 691.

O agravar da situação, disse o chefe do Governo, “tem-se traduzido também numa evolução negativa nos internamentos, também em unidades de cuidado intensivo e também temos a lamentar um maior número de óbitos”.

Internamentos de doentes Covid-19 estão a subir

Em UCI, sobe-se de 64 doentes internados para 103

O terceiro e o quarto gráfico vêm ilustrar a mesma frase do primeiro-ministro. Todos os indicadores estão a piorar. E embora António Costa tenha frisado várias vezes as vantagens da vacinação, também lembrou que se aproxima o tempo frio “propício ao aumento de doenças respiratórias”.

Nos cuidados intensivos, no espaço de duas semanas, o número de camas ocupadas por doentes em estado muito grave ou crítico subiu de 64 para 103.

Também em cuidados intensivos os números aumentam

Há seis dias que o número de mortes está acima de 10 óbitos diários

Por último, e antes de anunciar medidas como a semana de contenção em janeiro, altura em que o teletrabalho voltará a ser obrigatório e em que será adiado o regresso às aulas do 2.º período, António Costa mostru como têm estado a evoluir as mortes no país.

A 11 de novembro eram 11, a 25 de novembro 15, sendo de frisar que há seis dias consecutivos o país assiste a mais de 10 óbitos diários.

“Estamos melhor do que a generalidades dos países europeus, mas não estamos tão bem quanto gostaríamos de estar”, frisou o primeiro-ministro, apelando mais uma vez à vacinação e reforçando a sua importância para o país poder regressar à normalidade.

Durante alguns tempo estiveram estáveis, mas também os óbitos crescem

Os dados mais recentes, do boletim epidemiológico desta quinta-feira, dão conta de mais 15 mortes e 3.150 novos casos de Covid-19 em Portugal. É o segundo dia consecutivo com mais de 3.000 novos casos e o sexto dia consecutivo com 10 ou mais mortes de doentes Covid-19.