O Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF) reconheceu esta sexta-feira num balanço que nos últimos dez anos não conseguiu parceiros para fazer chegar formação financeira aos jovens que saem do ensino obrigatório nem a grupos mais vulneráveis.

“Apesar do progressivo alargamento da sua ação, a atuação do Plano [Nacional de Formação Financeira, PNFF] não conseguiu chegar a todos os públicos. Ainda não foram encontrados os parceiros junto de alguns públicos alvo, em particular, dos jovens que terminam o ensino obrigatório e de grupos vulneráveis”, pode ler-se no documento com as orientações do PNFF, divulgado nesta sexta-feira.

De acordo com o CNSF, órgão que tem como membros permanentes o governador do Banco de Portugal (que preside), o membro do Conselho de Administração do Banco de Portugal (BdP) com o pelouro da supervisão, o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), “nem sempre foi possível atingir escala pretendida nas iniciativas promovidas“.

“A cobertura das ações no terreno tem ficado, por vezes, aquém do desejado, apesar da aposta na realização de iniciativas de sensibilização em torno de datas e eventos relevantes, com o apoio dos parceiros do Plano, de canais digitais e do convite à comunicação social”, reconhecem os supervisores financeiros num balanço feito esta sexta-feira, num documento sobre as orientações futuras do PNFF.

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Ainda assim, “o Plano conseguiu estabelecer parcerias importantes e alcançar um conjunto alargado de públicos finais“, segundo o CNSF.

O PNFF foi criado em 2011 com o objetivo de “atingir a generalidade da população na sua atuação”, e foi-se “estruturando em torno de públicos progressivamente mais diversificados, com a agregação de esforços de um conjunto cada vez mais vasto de parceiros”.

Para o quinquénio 2021-2025, o PNFF elegeu oito linhas de ação que “envolvem a criação de novas parcerias ou o reforço do trabalho realizado no âmbito de parcerias já existentes e, paralelamente, uma aposta na utilização dos canais digitais para aumentar a escala e capilaridade das iniciativas de formação financeira”.

Essas linhas são a educação financeira nas escolas, a formação financeira no local de trabalho, a formação financeira através das autarquias locais, a formação financeira dos desempregados, a formação financeira para micro, pequenas e médias empresas, parcerias com instituições de apoio aos cidadãos, campanhas de sensibilização dirigidas aos jovens e campanhas nos meios de comunicação tradicionais.

O documento, que está aberto a sugestões até ao dia 31 de dezembro, foi apresentado na manhã desta sexta-feira no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

Na ocasião, o presidente do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF) e governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, advertiu para a necessidade de se “estar atento aos riscos da digitalização”, e em particular do cibercrime.

O governador do BdP considerou “fundamental que os cidadãos adquiram as competências digitais necessárias para aceder e contratar os produtos financeiros em segurança”.

É essencial promover a formação financeira digital, contribuindo para a utilização segura e confiante dos produtos e serviços financeiros digitais e para a adoção de comportamentos de prevenção da fraude ‘online'”, acrescentou Centeno.

O governador do BdP disse ainda que “também é muito importante evitar o risco da exclusão financeira por via da exclusão digital”, considerando que a formação também tem “um papel importante a desempenhar no reforço da resiliência financeira das famílias e das micro e pequenas empresas”.