A diretora-geral da Saúde considera que é prematuro adotar uma estratégia de imunização natural da população, como sugeriram alguns especialistas esta semana, perante a menor gravidade da doença provocada pela variante Ómicron. “Não rejeito que se trate como uma doença sazonal, mas rejeito que se tirem conclusões tão prematuramente”, avisou.

Em entrevista à RTP3 na noite desta quarta-feira, Graça Freitas lembrou que há ainda muito desconhecimento relativamente ao comportamento futuro deste vírus e, por isso, pediu “cautela”. “Já vamos na 5ª vaga e cada vaga teve associada uma variante diferente”, disse a diretora da Direção-Geral da Saúde (DGS), lembrando que “não sabemos as características da próxima variante”.

“Isto é como se fossem dinastias, a Ómicron destronou a Delta, ninguém garante que não vem outra variante que destrone a Ómicron”, acrescentou Graça Freitas.

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Apesar disso, a DGS vai anunciar uma série de medidas novas relativamente às regras de isolamento, perante as novas características da Ómicron. A mais relevante será a redução do número de dias de isolamento para os infetados, que deverá ser anunciada esta quinta-feira. Graça Freitas não quis adiantar se está a ser estudada a redução para 5 ou 7 dias face aos 10 dias atuais, mas garantiu que a redução não terá variação consoante se os doentes são ou não vacinados e que deverá também aplicar-se uma redução aos assintomáticos, já que “a probabilidade que têm de transmitir o vírus é muito mais baixa”.

Portugal está a fazer o mesmo que a grande maioria dos países da Europa e do mundo, que é equacionar a redução do período de isolamento com segurança”, explicou a diretora-geral da Saúde. “É com base na informação que nos vai chegando que se consegue prever qual será o período ideal”.

A diretora-geral da Saúde anunciou ainda que serão tomadas novas medidas relativamente aos doentes assintomáticos para não sobrecarregar o sistema de medicina geral e familiar. A proposta será a de que “as pessoas que não têm sintomas, estando positivas, possam ficar elas próprias em auto-vigilância e só se aparecerem sintomas ligarem para a Saúde24”. Isto permitirá libertar os médicos de família que, até agora, têm feito o acompanhamento de todos os doentes, mesmo os que não apresentam sintomas.

Graça Freitas garantiu que a questão laboral estará assegurada e que “as pessoas não vão perder os seus privilégios”, porque o sistema de algoritmo da Saúde24 acautelará a declaração de isolamento clínico.

Ainda sobre quando será o pico desta nova vaga, Graça Freitas disse ser impossível saber a data: “Só conhecemos o pico quando estamos a descer”, lembrou. Contudo, perante a previsão de mais de 30 mil casos na primeira semana de janeiro, revelada pela ministra da Saúde, a diretora-geral da Saúde diz que na semana seguinte o número poderá ser ainda maior, “na ordem dos 50 mil” casos diários. “Mas imaginemos que atingimos o pico no dia 6 ou 7, aí começa a descer”, ilustrou Graça Freitas.

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