O Governo espanhol vai mesmo avançar para a criação de impostos extraordinários sobre as instituições financeiras e as grandes companhias energéticas. O anúncio foi feito esta terça-feira por Pedro Sánchez. O presidente do Governo espanhol, que abriu o debate do Estado na Nação, adiantou que os novos impostos vão permitir ao Estado arrecadar cerca de sete mil milhões de euros em dois anos.

“Não toleraremos que se aproveitem da situação”, afirmou Pedro Sánchez no discurso que durou uma hora e 20 minutos, referindo-se à inflação e às consequências da guerra na Ucrânia nos preços da energia. No discurso, o líder garantiu que sabe “o que estão a passar os espanhóis”, e que compreende a “angústia e a frustração” dos cidadãos face ao aumento dos preços, defendendo que a inflação de dois dígitos é hoje o maior problema do país.

Nesse sentido, Pedro Sánchez anunciou a criação de um imposto extraordinário sobre os lucros das grandes energéticas, que estará em vigor em 2023 e 2024, e permitirá ao Estado arrecadar dois mil milhões de euros por ano.

Em paralelo, será ainda aprovado um imposto extraordinário sobre as instituições financeiras, que também vigorará em 2023 e 2024, e que dará ao Estado uma receita adicional de 1500 milhões de euros por ano.

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No mês passado, a ministra espanhola do Ambiente já tinha admitido que o governo estava estudar a criação de impostos adicionais sobre os ganhos extraordinários das empresas de energia.

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Com esta receita extraordinária, o Governo espanhol espera financiar outras medidas que contribuam para atenuar o impacto da subida dos preços. “Não toleraremos que se aproveitem da situação”, afirmou, referindo-se às empresas visadas pelos novos impostos. O líder do Governo antecipa que, com as várias medidas que colocará em marcha, Espanha vai chegar ao fim do ano com uma inflação na ordem dos 6,5%.

Ainda assim, o líder do Governo deixou alguns alertas à população, nomeadamente quanto à necessidade de poupar energia. “Para salvaguardar os nossos valores e o nosso modo de vida”. Nesse sentido, Sánchez afirmou que empresas e pessoas terão de adotar medidas de poupança de energia e que será necessário optar mais pelo teletrabalho e pelos transportes públicos, assim como baixar o aquecimento em alguns graus e aumentar, no mesmo sentido, a temperatura do ar condicionado.

Neste sentido, o Governo vai financiar em 100% os passes dos comboios para viagens de curta e média distância operados pela Renfe. A medida estará em vigor entre 01 de setembro e o final do ano. Além destas medidas, Pedro Sánchez anunciou ainda um reforço das bolsas para universitários, a descida das propinas e um apoio extra de 100 euros para estudantes com mais de 16 anos que já recebam bolsas de estudo.

Será ainda posta em marcha uma operação que prevê a construção de 12.500 novos apartamentos em Madrid, dos quais 60% serão públicos.