A Alemanha pretende usar os lucros extraordinários das empresas de energia para reduzir a fatura energética dos consumidores. E para o conseguir deverá criar uma taxa às grandes empresas energéticas, usando os recursos que captar para financiar um pacote de 65 mil milhões de euros que pretende atenuar o aumento do custo de vida e da energia, devido à guerra na Ucrânia.

O novo pacote de medidas surge após 18 horas de negociação entre o governo alemão e os parceiros de coligação, já depois de a Alemanha ter sido um dos países do mundo que mais gastou para amenizar o impacto da invasão russa à Ucrânia, com medidas no valor de 95 mil milhões de euros desde fevereiro.

O Governo alemão anunciou que continuará (e aumentará) o apoio em várias áreas, desde logo transportes e habitação.

Para manter a medida dos passes locais/regionais a nove euros — como aconteceu nos meses de verão —, a Alemanha vai investir 1,5 mil milhões de euros. Mas, mais do que isso, está a ser estudado um bilhete que permita uma deslocação a nível nacional por um valor entre os 49 e os 69 euros.

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Já depois de ter sido noticiada a possibilidade de um bónus mensal de 300 euros para todos os trabalhadores da Alemanha, após das negociações, o Governo esclareceu que será atribuída uma prestação única de 300 euros aos pensionistas para ajudar com o aumento dos custos da energia e uma de 200 euros para os estudantes. Segundo o Financial Times, está ainda previsto o aumento de subsídios para famílias com filhos, sendo atualmente está nos 219 euros e aumentará em 18 euros para o primeiro e segundo filhos, a partir de 01 de janeiro de 2023, e por um período de dois anos.

O Executivo irá ainda continuar a apostar nos apoios à habitação, possibilitando um aumento das pessoas elegíveis (de 700 mil para cerca de 2 milhões de pessoas) para os subsídios disponíveis para este setor e fornecendo pagamentos especiais para ajudar nos custos do aquecimento durante o inverno.

“A Alemanha está unida”, diz chanceler

“A Alemanha está unida neste momento difícil”, disse o chanceler alemão, Olaf Scholz, durante a conferência de imprensa, admitindo estar “muito consciente” da luta das famílias e empresas para fazer face à subida dos custos com a energia e assegurando que os alemães não ficarão “nunca sozinhos” perante esta crise energética.

O líder do governo alemão (que é o presidente dos social-democratas do SPD) justificou ainda a medida sobre a provável taxa aos lucros excessivos ao dizer que “os produtores estão a tirar partido dos preços muito elevados do gás que determinam o preço da eletricidade”, mas o ministro das Finanças (líder do partido liberal FDP) admitiu que “há dúvidas constitucionais”.

Conselho de Ministros aprova 2.ª feira medidas de apoio às famílias face à inflação, diz Costa

Em Portugal, o Conselho de Ministros extraordinário para aprovar o pacote de medidas de apoio ao rendimento das famílias face à inflação realiza-se esta segunda-feira.

No debate do estado da nação, António Costa tinha anunciado que em setembro o Governo iria adotar um novo pacote de medidas para apoiar o rendimento das famílias e a atividade das empresas face aos efeitos da inflação.

“É hoje claro que, com o prolongar da guerra, o efeito da inflação será mais duradouro do que o inicialmente previsto. Por isso, no final deste trimestre, em setembro, iremos adotar um novo pacote de medidas para apoiar o rendimento das famílias e a atividade das empresas”, declarou então o líder do executivo.