Os professores estão contra a possibilidade de os diretores das escolas poderem contratar docentes, segundo um inquérito do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) esta terça-feira divulgado.

O ministro da Educação anunciou a intenção de transferir para as escolas o poder de contratar 1/3 dos seus professores tendo em conta o perfil dos docentes e os projetos educativos das escolas.

Mas “94,6% dos professores manifestaram uma rejeição absoluta a que o recrutamento de professores passe para as escolas”, afirmou o secretário-geral da Fenprof, revelando os resultados do inquérito do SPN ao qual responderam 4.716 docentes.

Depois desta consulta à proposta de revisão do regime de concursos, a Fenprof decidiu “lançar um abaixo-assinado em todo o país” que rejeita o modelo de recrutamento idealizado pelo ministério.

O ministro João Costa tem defendido que este novo modelo permitirá adaptar o corpo docente aos projetos educativos das escolas e garantir que os projetos têm continuidade.

Já os sindicatos defendem que os concursos têm de obedecer a critérios de graduação profissional e consideram que “a contratação local não aumenta o número de professores, nem acelera o ritmo da sua colocação”, refere o abaixo-assinado, que será entregue ao ministro na próxima reunião de trabalho com a Fenprof.

Durante a conferência de balanço do arranque do ano letivo, Mário Nogueira anunciou que deverá haver neste momento mais de cem mil alunos sem todas as aulas, reconhecendo que a situação “poderia ser ainda pior” se o ministério não tivesse avançado com “medidas avulsas”.

Entre as críticas às novas medidas está as alterações ao regime de mobilidade por doença que, para a Fenprof, poderá ter provocado também um aumento de alunos sem professor atribuído.

Na segunda-feira João Costa disse que todas as semanas as escolas perdem cerca de mil professores, que entram de baixa médica.

“Não sei porque é que o senhor ministro se surpreende. Dois mil docentes equivalem a 1,6% do corpo docente em Portugal, sendo que 20% são sexagenários”, disse Mário Nogueira, defendendo que tendo em conta o envelhecimento dos profissionais seria até “natural que a taxa de baixas médicas fosse bem mais elevada”.

A falta de professores deverá aumentar ainda mais tendo em conta o aumento de aposentações, já que continuam a ser atribuídas turmas aos docentes que se vão reformar ainda este ano.

Este ano já se aposentaram cerca de 1.600 docentes e, segundo Mário Nogueira, serão mais 280 professores em outubro e outros 400 até ao final do ano, sendo que são professores com turmas atribuídas que quando se reformarem vão deixar os alunos sem aulas.

“São pessoas que estão com atividade letiva atribuída” e há o risco de quando chegar o momento de fazer a substituição já não haver gente na reserva de recrutamento.

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