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Na semana em que a Ucrânia assinala o marco de um ano na invasão russa, o líder dos serviços de informação militares ucraniano falou sobre o decorrer do conflito, as expectativas para uma contraofensiva na primavera e sobre os conflitos internos no seio das liderança russa. Em entrevista ao Ukrainska Pravda, publicada esta quinta-feira, Kyrylo Budanov admitiu que há no seio da Federação Russa quem trabalhe para os serviços de Informação ucranianos, reagiu à saída russa do tratado de armas nucleares com os Estados Unidos e mostrou-se confiante de que a Ucrânia será capaz de vencer a guerra e regressar às fronteiras ucranianas instituídas em 1991.

1) “Deterioração” na Rússia leva agentes no círculo de Putin a cooperar com a Ucrânia

A alegação não é novidade. Por várias vezes as autoridades ucranianas sugeriram que pessoas próximas do círculo do Presidente russo, Vladimir Putin, estão a cooperar com Kiev. Na semana passada Andrii Cherniak, representante do Ministério da Defesa da Ucrânia, confirmou essa cooperação e esta quinta-feira Kyrylo Budanov corroborou a mesma à Ukrainska Pravda.

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Não avançou nomes ou números, por motivos de segurança. Mas deixou a garantia: há no seio da Federação Russa quem trabalhe para os serviços de Informação ucranianos. “Não vou avançar quantos são. Mas estão lá”.

O responsável acrescentou que a atual situação que se vive na Rússia tem contribuído para isso e permitido à Ucrânia conseguir mais colaboradores. “Com a deterioração da situação na Federação Russa de dia para dia, está a tornar-se cada vez mais fácil encontrar pessoas dispostas a cooperar“.

2) Ucrânia prepara-se para a primavera enquanto Rússia mira Donetsk e Lugansk

Os rumores sobre uma contraofensiva ucraniana preparada para a primavera têm tomado forma nas últimas semanas. Segundo o líder dos serviços de informação, a preparação corre mais ou menos de acordo com os planos. “Haverá muitos eventos na primavera que serão, possivelmente, importantes nesta guerra”, antecipou.

Quanto aos planos da Rússia, Budanov aponta que pretendem regressar à “tarefa número um”: chegar às fronteiras das regiões administrativas de Donetsk e Lugansk (Donbass), dois dos territórios anexados pelo Kremlin em setembro do ano passado.

Neste momento, os combates continuam com elevada intensidade na cidade de Bakhmut (Donetsk), com confrontos entre as tropas de Kiev e de Moscovo, bem como o grupo Wagner. Questionado sobre a importância de manter o controlo sobre a cidade, disputada há vários meses, Budanov sublinhou que “cada milímetro de território é estrategicamente importante”.

3) Grupo Wagner age decisivamente e avança “metro por metro”

Na cidade de Bakhmut, o grupo de mercenários Wagner — fundado pelo empresário Yevgeny Prigozhin em 2014 — tem assumido uma grande importância. Segundo Budanov, a companhia militar privada têm assumido um papel relevante nas operações russas na Ucrânia, com mais de 10.000 combatentes a participar no conflito.

“Apesar das baixas, estão a avançar metro por metro. São, de facto, os únicos que o conseguem fazer”, admitiu, acrescentando que as unidades “agem de forma decisiva e suficientemente poderosa”.

O líder dos serviços de informação ucranianos também refletiu sobre a tensão que há várias meses se adensa entre o líder do grupo Wagner e o Ministério da Defesa, que considera ser “vantajoso” para a Ucrânia. “Quantas mais guerras e conflitos dentro do sistema, mais rápido vai chegar a nossa vitória”, sublinhou.

4) Rússia está a chantagear o mundo com suspensão do acordo START

Durante a entrevista ao Ukrainska Pravda, Budanov também reagiu à suspensão da participação russa no tratado START III, o último acordo nuclear em vigor entre Moscovo e Washington. Em duas palavras resumiu o objetivo russo com esta medida: manipular e chantagear.

É uma nova tentativa para manipular e, infelizmente, chantagear o mundo com armas nucleares. Volto a enfatizar: não só a Ucrânia, mas um esforço para chantagear o mundo”, afirmou durante a entrevista.

O representante ucraniano não se mostrou preocupado com a decisão, afirmando que o complexo militar-industrial da Rússia é atualmente “incapaz” de produzir mísseis sofisticados em  quantidades suficientes.”Se estas declarações tivessem sido feitas antes de 24 de fevereiro de 2022, então sim, poderíamos pensar seriamente nisso. No entanto, a invasão em larga escala destruiu as crenças da comunidade internacional sobre o poder do complexo militar-industrial da Federação Russa”, apontou.

Apontando que Moscovo não tem hipóteses de competir com o Ocidente, Budanov acrescentou que a Rússia não consegue dar resposta às necessidades das suas Forças Armadas de armas convencionais e, muito menos, com armas de alta tecnologia.