Depois de meses de antecipação — que foram prolongados devido a um susto de saúde que ditou o adiamento de vários concertos –, Madonna arrancou, finalmente, com Celebration Tour, uma digressão internacional de retrospetiva dos mais de 40 anos de êxitos musicais da “rainha da Pop”.

A tour, que vai passar por Portugal para dois concertos, a 6 e 7 de novembro na Altice Arena, teve início este fim-de-semana, com dois espectáculos na O2 Arena, em Londres, onde entre dezenas de canções e mudanças de guarda-roupa alusivas aos vários períodos da sua carreira, Madonna apresentou uma espécie de retrospetiva, numa celebração emocional que não deixou de lado os problemas de saúde recentes.

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“Esqueci-me de cinco dias da minha vida, ou da minha morte… Não sei onde estive, mas os anjos protegeram-me”, disse a certa altura. Originalmente anunciada em janeiro, a Celebration Tour deveria ter começado em julho, no Canadá. No entanto, poucas semanas antes do primeiro concerto, a artista teve de ser submetida a uma intervenção cirúrgica de urgência após ter contraído uma “infeção bacteriana grave”. Ao adiamento dos concertos seguiram-se semanas de repouso e recuperação; recentemente, a antecipação em torno do início da digressão voltou a aumentar, à medida que Madonna ia publicando nas redes sociais várias imagens dos ensaios e dos últimos preparativos para a estreia.

A produção cuidada acabou por não evitar alguns problemas técnicos. Ainda durante a primeira parte do concerto inicial, no sábado, um imprevisto com o sistema de som obrigou à interrupção do espetáculo. Durante os minutos em que o sistema foi sendo reiniciado, a cantora foi regalando os cerca de 20 mil fãs presentes com histórias do início da carreira, sem dinheiro e longe dos holofotes, no Lower East Side em Manhattan.

“Cheguei a namorar com homens só porque tinham um chuveiro”, contou a certa altura. Estes momentos acabaram por acentuar um espetáculo que foi apresentando a história da carreira de Madonna durante as décadas, por vezes até com uma componente teatral (um momento em torno do tema Holiday, por exemplo, reconstituiu um episódio segundo a qual a cantora, então desconhecida, teria sido impedida de entrar na famosa Paradise Garage, discoteca gay de Nova Iorque nas décadas de 1970 e 1980).

Ao longo das mais de duas horas de concerto, praticamente todos os principais momentos e êxitos musicais da cantora foram recordados, de Like a Prayer Hung Up, La Isla Bonita, Erotica, Vogue ou Material GirlAs canções foram acompanhadas de mudanças frequentes de guarda-roupa, recriações dos visuais mais icónicos da artista em videoclips e concertos (ao todo, serão cerca de 17 os looks recriados para esta digressão).

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Na setlist houve ainda espaço para recordar alguns contemporâneos de Madonna, entretanto desaparecidos, bem como vincar a sua influência na nova geração de músicos. O solo de guitarra de Prince para Like a Prayer, que acabou de fora da versão final, é recuperado pela artista num tributo ao músico, que morreu em 2016; no espectro oposto, a certa altura puderam ouvir-se referências aos “herdeiros” da sonoridade de Madonna, como um medley que juntou as suas Like a Prayer e Act of Contrition com um breve trecho de Unholy, de Sam Smith e Kim Petras, ou o remix do êxito dance-pop Break My Soul, de Beyoncé, que interpolou Vogue, e que a própria Beyoncé já tinha tocado nos seus concertos ao vivo.

Para lá da música, a relação de Madonna com a comunidade LGBTQIA+ também foi presença constante no espetáculo, que teve como mestre de cerimónias Bob the Drag Queen, concorrente do popular concurso televisivo Ru Paul’s Drag Race. O concerto englobou ainda referências ao lado mais pessoal da artista que, a dada altura, fez subir ao palco as filhas Lourdes, Estere e Mercy, tendo esta última tocado piano numa versão de Bad Girl, single do álbum Erotica, de 1992

Pelo meio, houve ainda tempo para recordar algumas das causas políticas que Madonna foi abraçando ao longo dos anos. A propósito do tema Live to Tell, os vários ecrãs gigantes à volta do palco iluminaram-se com fotografias de figuras famosas que morreram vítimas da epidemia do vírus da Sida, como Freddie Mercury, Arthur Ashe e Robert Mapplethorpe. Mais tarde, a cantora abordou o recente conflito entre Israel e o Hamas, criticando as mortes de civis: “Parte-me o coração ver crianças, adolescentes, idosos a morrer. Toda a situação é de partir o coração”, disse Madonna que, recorde-se, é proponente do Kabbalah, um tipo de misticismo espiritual da religião judaica.

O tom geral, contudo, foi de celebração, ritmado ao som da música da artista e da coreografia dos cerca de 20 bailarinos que com ela populavam o palco. A digressão que agora começa irá passar ao longo dos próximos meses por vários países da Europa e da América do Norte. Nos próximos dias, a Celebration Tour será apresentada na Bélgica, Dinamarca, Suécia e Espanha antes de, no início de novembro, chegar a Portugal para dois concertos na Altice Arena — o primeiro dos quais já esgotado.

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