Quando teve uma paragem de mais de um mês nas competições no final de 2023 e início de 2024, Ronaldo, que pelo meio ia recebendo uns prémios incluindo uma noite no Dubai em que foi buscar três galardões aos Globe Soccer Awards, tinha como principal foco a preparação física para o primeiro semestre do novo ano. Até podia viajar, tirar fotografias em sítios paradisíacos e passear com a família, mas nos bastidores de todas essas andanças estava um plano para que pudesse fazer uma segunda metade de época sempre em crescendo que culminasse com o topo da forma na fase final do Campeonato da Europa. Tudo continua intacto nesse particular, naquela que deverá ser a última grande competição internacional pela Seleção, mas a parte desportiva foi ficando para trás a ponto de nesta altura sobrar apenas a luta pela vitória na Taça do Rei.

A estrela de Riade foi a Jeddah recuperar o brilho antes de voltar a Portugal: Ronaldo marca e conquista vitória 801 da carreira

Depois de uma série de nove vitórias consecutivas, o primeiro golpe surgiu na receção ao último classificado da Liga, o Al-Hazm, que conseguiu um empate em Riade a quatro no nono minuto de descontos que atrasou ainda mais a equipa. Logo na ronda seguinte, o desaire final: com a derrota caseira frente ao Al Raed, o Al Nassr ficou a 12 pontos do Al Hilal de Jorge Jesus e, apesar de faltarem 12 jornadas por disputar, poucos ou nenhuns acreditam que a diferença terá margem para ser anulada. No entanto, o pior estava para chegar: nos quartos da Liga dos Campeões asiática, e numa segunda mão com prolongamento, sete golos e a decisão nas grandes penalidades, os sauditas perderam com o Al Ain e ficaram de fora de mais um objetivo.

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Essa eliminação fez mexer o clube, com o próprio Luís Castro a recordar em conferência de imprensa que não tinha medo de ser despedido do Al Nassr, algo que nunca tinha acontecido na carreira. Ainda assim, existia uma pressão extra em torno do técnico e da equipa, que apesar de todas as contratações milionários que se foram juntar a Ronaldo e Talisca continuava longe da vitória no Campeonato ou na principal competição continental. E era nesse contexto que o avançado português voltava aos compromissos pela equipa de Riade na receção ao Al-Tai depois de um encontro pouco conseguido pela Seleção na Eslovénia que terminou com aquela que foi a primeira derrota de Portugal desde que Roberto Martínez assumiu o comando técnico.

Ronaldo tinha sido decisivo na última vitória do Al Nassr no terreno do Al Ahli, marcando o único golo da partida e reforçando a condição de melhor marcador da Liga com 23 golos (mais três do que Mitrovic, do Al Hilal), e mantinha uma trajetória próxima da média de um golo por jogo com 36 golos em 39 partidas oficiais entre Campeonato, Taça do Rei, Taça dos Campeões Árabes e Liga dos Campeões asiática. Agora, teve mais um “empurrão” forte nesses números: num encontro onde contrariou a estatística de jogador com mais oportunidades flagrantes falhadas na Liga saudita, o português fez um hat-trick sete meses depois em quatro ocasiões para marcar e empurrou o Al Nassr para uma goleada por 5-1, reforçando também o estatuto de melhor marcador do Campeonato apesar do bis de Mitrovic e ficando a 18 golos da fasquia dos 900. Ao todo, são já 64 os encontros em que o número 7 conseguiu marcar três golos, outro recorde de carreira.

Com bancadas bem mais “despidas” do que é normal, naquilo que é também um sinal perante os últimos resultados da equipa, o Al Nassr colocou-se em vantagem por Otávio num lance em que o internacional fez o cruzamento em arco com a bola a entrar sem que ninguém desviasse (20′) mas a reação do Al Tai foi quase imediata, com Virgil Misidjan a fazer o empate com um grande golo que deixou tudo de novo igual (22′). O avançado neerlandês estaria em destaque pouco depois pelas piores razões, vendo o segundo amarelo num lance em que chocou com o guarda-redes Ospina e e deixando a equipa reduzida a dez unidades aos 36′, estendo a passadeira para o triunfo da equipa da casa que começou a consolidar-se ainda antes do intervalo por Ghareeb (45+7′) e que teve depois um hat-trick de Ronaldo a fechar as contas (64′, 67′ e 87′).