Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre a morte do Papa Francisco
Entre os peregrinos que vão na quarta-feira despedir-se do Papa na Basílica de São Pedro, Roma, está Gonçalo, quase da idade do pontificado de Francisco, que o vê como um exemplo a seguir.
“É o único Papa que eu conheci, porque ele começou a mandar em 2013 e eu nasci em 2013. Era um Papa muito importante, envolvia as pessoas mais necessitadas, pensava coisas que eu também penso e isso é importante“, disse à Lusa Gonçalo Teixeira, que veio da Suíça até Roma, numa peregrinação de emigrantes portugueses.
Roma prepara-se para funeral e eleição do sucessor de Francisco
Os 28 elementos do grupo usam todos t-shirts brancas onde se lê “Peregrinação dos Acólitos Roma 2025. Comunidade dos Lusófonas do Norte de Vaud, de Payerne a Yverdon-Les-Bains” e já alteraram o programa para integrar as celebrações fúnebres de Francisco, que morreu na segunda-feira.
“Desde o ano passado que programamos esta viagem, esta peregrinação dos acólitos para conhecerem a sede da nossa Igreja, mas amanhã [quarta-feira] vamos tentar vir cá para assistir a todos os ofícios relacionados com as exéquias do Santo Padre”, explicou o padre Alexandre Meimona, 60 anos.
O sacerdote salienta que “a comunidade portuguesa é muito grande em Vaud e a prática religiosa é notável“, utilizando a fé como uma forma de preservar a cultura do país de origem.
Para Alexandre Meimona, “a morte de Francisco foi uma surpresa infeliz, mas a Igreja irá saber escolher o melhor caminho”.
“O Papa Francisco deixou um legado muito importante para toda a humanidade, porque foi um homem que lutou muito para a comunhão dos cristãos e fez muito pelos emigrantes, procurou banir a guerra que assola a nossa humanidade”, resumiu o sacerdote.
A seu lado, a poucos metros de outra emigrante que segurava uma bandeira portuguesa grande para garantir que ninguém se perdia, estava Ana dos Santos, 53 anos, que destacou a importância da fé rezada em português para quem vive na Suíça.
“É uma forma de sermos mais portugueses, quando rezamos em português“, disse, salientando a vitalidade da sua paróquia, Yverdon, com “260 crianças na catequese, dois grupos corais e um grupo de jovens”.
“Temos uma comunidade bastante grande, unida pela fé”, com casos de crianças na catequese que “já são a terceira geração” de emigrantes portugueses no país.
[Já saiu o sexto e último episódio de “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro, aqui o quarto e aqui o quinto episódio]
Sobre Francisco, Ana dos Santos destaca a sua importância nos tempos conturbados de hoje, evocando a “grande humanidade” de um homem que “lutou muito pela paz e também pela igualdade”.
A sua frase “todos, todos, todos foi qualquer coisa que marcou mesmo” o mundo, recordou Ana dos Santos, esperando que o sucessor escolhido pelo Colégio Cardinalício “continue num caminho de tentar realmente que a paz no mundo seja alcançada”
Vaticano divulga as primeiras imagens do velório do Papa Francisco
Se Ana já esteve em Roma, para Gonçalo, a capital italiana é novidade.
“Roma é muito, muito grande, é muito fixe. E tem muitas pessoas aqui para as peregrinações. Vou tentar aproveitar” até quinta-feira, data em que o grupo regressa a Vaud, acrescentou o jovem de 11 anos, vestido com a ‘t-shirt’ do grupo, que inclui a imagem de Francisco e o lema do jubileu católico: “peregrinos na esperança”.
O Papa Francisco morreu na segunda-feira aos 88 anos, vitima de AVC, após 12 anos de pontificado.
Nascido em Buenos Aires, a 17 de dezembro de 1936, Francisco foi o primeiro jesuíta e primeiro latino-americano a chegar à liderança da Igreja Católica.
A sua última aparição pública foi no domingo de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer. O papa Francisco esteve internado durante 38 dias devido a uma pneumonia bilateral, tendo tido alta em 23 de março.