Antes de matar duas crianças e ferir 17 pessoas num ataque à Annunciation Catholic School, em Minneapolis, Robin Westman, de 23 anos, escreveu um manifesto e fez vários vídeos no YouTube transmitindo mensagens racistas, antissemitas, de ódio e com referências a massacres anteriores — conteúdo que as autoridades norte-americanas consideram central para compreender as motivações da atiradora.

O chefe da polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, confirmou que a jovem deixou um vídeo, também em jeito de manifesto, agendado para ser publicado no Youtube na quarta-feira, o dia do ataque. “Parecia mostrá-la no local do crime e incluía algumas mensagens perturbadoras”, revelou, acrescentando que “o conteúdo foi removido com a ajuda do FBI e agora permanece sob análise”.

John Miller, analista da CNN, teve acesso ao manifesto e aos vídeos e revelou que Westman “estava com uma depressão e planeava o ataque há bastante tempo”, acrescentando que tinha consciência de que os amigos iriam odiá-la pelo ataque e que já tinha intenção de se suicidar de seguida.

Nos vídeos, cuja autenticidade está a ser avaliada pela polícia, é possível ver um caderno, munições e várias armas com mensagens ofensivas e referências a outros ataques. Nas armas pode ler-se “psycho killer” e “suck on this!”. Uma das mensagens dizia “seis milhões não foram suficientes”, em referência ao Holocausto. Noutra lia-se “kill Trump now”.

Robin Westman ataque

▲ As armas de Robin Westman tinham várias mensagens

Reprodução X / @LeftismForU

No manifesto, Westman escreveu que “era melhor morrer de pé do que ajoelhada perante todas as injustiças” que teria sofrido ao longo da vida. Noutras mensagens, mostrava “uma profunda admiração” por outros atiradores, incluindo Adam Lanza, responsável por tirar a vida a 20 crianças em Sandy Hook, e Robert Bowers, condenado pelo ataque a uma sinagoga em Pittsburgh. Um dos carregadores de armas estava, aliás, decorado com o nome de seis autores de massacres.

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O caderno revelado nos vídeos alternava entre inglês e palavras em russo ou escritas em alfabeto cirílico, numa narrativa que misturava ideais racistas, antissemitas, de ódio e apelos à morte. “Estou tão arrependida“, escreveu em letras maiúsculas numa das páginas, pedindo desculpa à família pelo ataque que iria realizar. Em voz baixa, a própria dizia: “Amo a minha família. Não sei mais o que dizer”. O caderno incluía, ainda, um desenho do interior de uma igreja que parece coincidir com a Annunciation Catholic School, onde ocorreu o ataque.

imagem igreja ataque minneapolis

▲ Esboço do interior de uma igreja. Não é claro se o desenho mostrava o edifício onde se deu este ataque

Reprodução X / @JamesMcDaniel

Apesar das mensagens de ódio presentes nas armas e no manifesto, a atiradora escreveu que não tinha uma motivação ideológica clara para o ataque. “Em relação à minha motivação, não consigo identificar um propósito específico. Definitivamente não será por racismo ou supremacia branca. Não o faço para espalhar uma mensagem. Faço-o por mim. Faço-o porque estou doente”, pode ler-se no texto.

Os vídeos também incluíam referências a Brandon Herrera, um youtuber pró-armas que concorreu — sem sucesso — ao Congresso pelo Texas. Após o ataque, Herrera condenou, na rede social X, a violência do ataque “claramente motivado pelo ódio contra crianças inocentes”.

Segundo testemunhas citadas pela CNN, Westman vivia na casa dos pais, a cerca de 20 minutos a pé da escola onde aconteceu o ataque. Os vizinhos descrevem os pais como “um casal simpático e respeitado na comunidade” — um dos residentes afirmou mesmo que esta família “é uma parte importante do bairro”.

Os registos mostram que, em 2019, a mãe apresentou um pedido em tribunal para mudar legalmente o nome do filho de Robert Paul Westman para Robin M. Westman, justificando que a jovem se identificava como mulher e referindo que queria que isso fosse refletido na sua identidade oficial.

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Sem antecedentes criminais conhecidos (fora algumas multas de trânsito em 2021), Robin Westman estudou na escola católica onde cometeu o ataque e chegou a frequentar outra instituição de ensino em 2017, embora não seja claro se terminou o ensino secundário.

O massacre está a ser investigado como um ataque isolado, sem ligação confirmada a redes extremistas organizadas, mas com um claro enraizamento em subculturas digitais associadas ao culto de massacres anteriores. Cody Zoschak, especialista em extremismo online, disse à CNN que o manifesto e os vídeos “lembram as mensagens de outros jovens atiradores associadas a subculturas violentas e niilistas, que misturam confusão, ódio e tentativas de manipulação”.

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