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Os Ensaios do Observador juntam artigos de análise sobre as áreas mais importantes da sociedade portuguesa. O objetivo é debater — com factos e com números e sem complexos — qual a melhor forma de resolver alguns dos problemas que ameaçam o nosso desenvolvimento.

O setor dos transportes aéreos de passageiros é atualmente um dos mais afetados pela crise pandémica. E, devido às regras de confinamento e posteriormente aos receios de viajar, bem como a uma possível longa recuperação do turismo internacional, a sua recuperação deverá levar entre 4 e 5 anos: uma das mais longas previstas a nível setorial. Os governos dos diferentes países já avançaram com ajudas de Estado, nomeadamente com empréstimos ou garantias públicas de crédito no maior montante a nível setorial, estimando-se que ultrapasse os €100 mil milhões. Porém, segundo estimativas da International Air Transport Association (IATA), esta ajuda de liquidez não chega para cobrir nem metade das perdas estimadas para este ano, a nível mundial.

As ajudas de Estado vieram, contudo, levantar novos problemas, ao alterar significativamente as condições concorrenciais entre empresas, sobretudo no mercado europeu. De facto, enquanto as regras de distribuição desta ajuda foram transparentes nos EUA, na UE levantam muitas dúvidas sobre a distorção possível nos mercados. Outra consequência importante da crise é o que se irá passar com as companhias aéreas de bandeira de média dimensão (como a Alitalia e LOT, entre outras), que já antes da crise pandémica tinham problemas sérios de sustentabilidade. Neste grupo inclui-se a TAP que, embora tenha um potencial bastante melhor do que muitas destas empresas, também estava num processo inicial de reestruturação — o que exigirá um esforço negocial importante junto da Comissão Europeia para obter autorização para as ajudas de Estado.

Uma crise sem precedentes e as disparidades nas ajudas públicas

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