Será excesso poético dizer que Aldina Duarte é sinónimo de liberdade, mas não o é dizer que a fadista, que tem hoje 52 anos, quer ser livre. Sempre. Há poucas coisas que a movam tanto na vida, há poucas coisas de que lhe custe tanto abdicar, e isso não é só verbo de encher, percebe-se nas opções de uma carreira que começou há já 25 anos.

Um exemplo? Antes de uma entrevista ao Observador, a propósito do seu próximo disco, Roubados — que será editado esta sexta-feira, 1 de novembro —, Aldina Duarte confidenciava-nos que tinha acabado de tomar uma decisão: não cantaria mais ao vivo sem condições para isso, mesmo que o desafio lhe fosse feito durante uma entrevista. E se não quer, não canta. A fadista é mesmo assim. As decisões são dela, a agenda é ela que a decide. Não gosta de fazer digressões? Não faz. Ainda tentou, após editar o seu primeiro disco de estúdio, Apenas o Amor, de 2004. “Fui aos continentes quase todos, acho que só não fui à Austrália”, garantiria. Não é uma questão de estatuto nem capricho, é a alergia a prisões.

Os palcos dos concertos não lhe são obviamente estranhos e até será difícil contar os espetáculos ao vivo em que já participou. “Eu gosto de concertos, não gosto é de tournées”, explicará. O seu palco de eleição, contudo, é outro: as casas de fados, onde só entrou — ao contrário do que é habitual nos fadistas — já adulta, e que nunca mais deixou.

Foi precisamente para homenagear a cultura fadista, que se aprende por excelência quando se canta de luz apagada, a olhar nos olhos os ouvintes que estão a poucos metros de distância, que Aldina Duarte quis comemorar os seus 25 anos com um disco de “versões” (assim as chama ela). Roubados é “uma espécie de cartilha para quem chega à casa de fados e ainda não tem repertório próprio”, são clássicos, uns mais conhecidos e outros mais obscuros, feitos para alguns dos grandes fadistas e cantores portugueses, de Maria da Fé (“Porta Maldita”) a Tony de Matos (“Vendaval”). Feitos, também, por alguns grandes nomes da composição e escrita fadista, como Fontes Rocha (compositor, com Jorge Rosa, de “Porta Maldita”, cantado por Maria da Fé), David Mourão-Ferreira (autor da letra de “Praia de Outono”), Frederico Brito e “Armandinho” (criadores de “Padre Nosso”) e Alberto Janes (“Oiça Lá Ó Senhor Vinho”).

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