As estratégias das escolas para estarem no topo dos rankings /premium

15 Fevereiro 2019925

Ensino individualizado, poucos alunos, qualidade do corpo docente e aposta numa educação humanista. Para ter bons alunos é preciso tudo isto e, acima de tudo, diretores que não pensam só em rankings.

O que é que têm em comum seis diretores de estabelecimentos de ensino bem posicionados nos rankings das escolas? Não pensam demasiado em rankings e defendem que uma boa escola é muito mais do que as notas que os seus estudantes conseguem nos exames nacionais do 12.º ano. Todos assumem ficar satisfeitos com uma boa posição quer nos rankings clássicos quer nos rankings de sucesso (alunos que têm nota positiva nas provas ou exames nacionais depois de terem feito os dois anos anteriores sem chumbarem), mas são unânimes em dizer que conseguir esse lugar não está no topo das suas preocupações.

Então como é que conseguem que os alunos tenham bons resultados académicos, seja nos exames, seja através de um percurso sem retenções? Os ingredientes variam um pouco de escola para escola, mas a base da receita é a mesma: qualidade e estabilidade do corpo docente, escolas com poucos alunos, um ensino quase individualizado e pensado para que o estudante consiga alcançar o melhor de si e acrescentar ao currículo académico competências humanistas. Estas podem chegar através de uma visão religiosa, nos colégios católicos, através da cultura, nas escolas de ensino integrado de música, ou simplesmente no tipo de atividades e projetos desenvolvidos dentro do estabelecimento de ensino. Conseguir que os alunos sejam felizes dentro da escola é outro dos fatores apontados. Tudo isto mantendo sempre um projeto educativo claro e consistente.

“Temos ficado várias vezes em primeiro lugar nos rankings. Uma pergunta recorrente é: o que é fazem para atingir aquela finalidade? A primeira coisa a dizer é que ficar no topo não é uma finalidade e duvido que qualquer escola que faça um trabalho sério possa ter esse como um objetivo em si mesmo. O sucesso dos alunos acontece como uma consequência. E, para os nossos alunos alcançarem êxito, há coisas que fazemos de forma muito clara, há outras que o tempo nos foi revelando que são boas e a que passámos a dar uma atenção especial”, explica ao Observador Rui Paiva, diretor da Academia de Música de Santa Cecília.

Os alunos da escola privada de ensino integrado de música, em Lisboa, foram os que conseguiram melhores médias nas provas finais de 9.º ano, português e matemática, colocando a escola no primeiro lugar do ranking clássico do 3.º ciclo, um dos rankings construídos este ano pelo Observador, com a Nova School of Business and Economics (Nova SBE).

“Para mim, entre os fatores que são muito óbvios, é a escola ter um ideário e um modelo educativo muito claro. Tem de saber muito bem aquilo que quer. Por outro lado, é absolutamente fundamental ter um corpo docente competente e estável”, defende Rui Paiva, que há 28 anos está na direção do estabelecimento de ensino.

No concelho de Felgueiras, a nota do diretor vai também para os professores do agrupamento que dirige, onde 75% dos docentes estão nos quadros. “O que mais desejo realçar como grande contributo para o sucesso dos alunos é o calor humano, a proximidade, o espírito de família por parte dos nossos docentes, que ajudam os alunos a encontrar a sua felicidade: o seu sucesso escolar. E isso só é possível, porque, aliado à competência dos todos os docentes e à permanência que se tem conseguido no secundário, a sua motivação, a sua disponibilidade e a sua dedicação são as grandes estruturas que suportam estes resultados”, defende António José Bragança.

“A nossa escola tem tido muito bons resultados ao longo dos anos, mesmo quando não estamos no topo dos rankings. Para mim, a grande diferença é ser uma escola pequena. É tal e qual como os colégios que aparecem sempre em primeiro lugar. Temos 600 alunos, duas turmas por ano do 1.º ao 12.º, toda a gente se conhece.”
Ana Maria Caldeira, diretora da Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Braga

A Escola Básica e Secundária Dr. Machado de Matos — que deixou de ter Felgueiras na sua designação para passar a usar o nome do primeiro presidente de câmara eleito no concelho — subiu de 180.º lugar para 2.º no ranking de sucesso do secundário. O que isto quer dizer é que quando se compara a percentagem de alunos que fizeram o 10.º e 11.º ano sem retenções e que, de seguida, conseguiram obter positiva nos exames do 12.º ano, a escola está acima da média nacional quando se fala de alunos comparáveis. Este último pormenor é importante: para chegar a valores médios os estudantes são comparados com outros que têm as mesmas características, como a classe sócio-económica ou as habilitações literárias da mãe, indicadores que se sabem ser preditores de sucesso.

No agrupamento do concelho de Felgueiras, 35% dos alunos tem ação social escolar por pertencer a agregados familiares com baixos rendimentos, e as habilitações de ambos os pais não ultrapassa, em média, o 6.º ano de escolaridade.

Um contexto social bem diferente encontra-se a 60 quilómetros de distância, na Escola Básica e Secundária Clara de Resende, no Porto, o primeiro estabelecimento de ensino público a surgir nos rankings clássicos do secundário. As médias dos exames nacionais dos alunos de 12.º ano colocam a escola em 29.º lugar. Ali, segundo os dados do Ministério da Educação, 92% dos professores do secundário estão nos quadros, há 14,5% de estudantes com ação social escolar e os encarregados de educação fizeram em média 14 anos de escolaridade, o que significa terem frequentado o Ensino Superior.

“Eu sou contra os rankings. Como é que hei-de explicar? Assim como acho que não se pode comparar uma escola pública com uma privada, porque é comparar o incomparável, também é impossível comparar uma Clara de Resende e a sua população com, por exemplo, a Escola do Cerco, aqui no Porto”, argumenta a diretora do agrupamento de escolas Clara de Resende, Maria Rosário Queirós.

Posta de parte a sua posição pessoal, diz não ser fácil dar uma resposta rápida. “Penso que tem a ver com as prioridades do nosso projeto educativo. Pessoalmente, acho que os rankings têm de ser muito bem feitos para terem alguma importância e nós não trabalhamos para eles. O que eu tento é que os professores trabalhem para que os alunos tenham bons resultados e sejam disciplinados. Essa é, aliás, uma das prioridades do nosso projeto educativo, que haja alguma paz e calma na escola para que eles possam aprender, colaborar, fazer”, explica.

Sobre os professores, diz que a sua primeira tarefa como diretora é mantê-los motivados já que o seu papel é fundamental para que os alunos consigam alcançar o seu melhor. Para que isso aconteça, precisam de trabalhar em conjunto e não isoladamente. “Na elaboração de horários temos o cuidado de permitir espaços para o trabalho colaborativo entre os professores. Nas equipas pedagógicas, todas as semanas os professores estão juntos para conversar, para definir estratégias. A mim também me cabe o papel de garantir que a cultura de escola não se altere”, já que acredita ser importante ter um projeto educativo claro.

“A estabilidade da cultura, dos princípios orientadores é muito importante para os alunos. A estabilidade docente também. Aqui temos tido menos do que gostaríamos porque tem havido muitas reformas”, acrescenta Maria Rosário Queirós, insistindo que é uma panóplia de fatores que fazem de um estabelecimento de ensino uma boa escola.

De Felgueiras, vem a confirmação: “Não há uma receita única… Não existe nenhuma poção mágica. Temos, sim, diversos fatores que, no seu todo, contribuem e convergem para o sucesso escolar dos nossos alunos. Em termos de gestão, por exemplo, temos uma equipa docente que procuramos manter, na medida do possível, ano após ano. Como é costume dizer-se, ‘em equipa que ganha não se mexe’”, defende António José Bragança, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Machado de Matos (antigo agrupamento de Felgueiras).

“O nosso melhor aluno do ano passado era de ação social escolar e de escalão A. Esse miúdo aproveitava tudo o que a escola lhe dava. Quando foi para a faculdade, os professores juntaram-se para lhe oferecer um computador porque ele não tinha possibilidades económicas e era uma ferramenta importante.”
Maria Rosário Queirós, diretora do agrupamento de escolas Clara de Resende

Ambiente de colégio, com poucos alunos, ajuda

“Esta é uma escola pública com ambiente de colégio”, diz Ana Maria Caldeira, diretora da Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, que aponta esse como um dos ingredientes do sucesso dos seus estudantes. A escola de Braga é a primeira pública a surgir no ranking clássico do 9.º ano, em 18.º lugar, graças aos resultados conseguidos pelos seus alunos nas provas nacionais.

“A nossa escola tem tido muito bons resultados ao longo dos anos, mesmo quando não estamos no topo dos rankings. Para mim, a grande diferença é ser uma escola pequena. É tal e qual como os colégios que aparecem sempre em primeiro lugar. Temos 600 alunos, duas turmas por ano do 1.º ao 12.º, toda a gente se conhece. E temos professores de continuidade, que se preocupam muito com os alunos e que acompanham o seu percurso ao longo dos anos. O segredo pode estar neste contexto”, diz a professora que leciona naquela escola há mais de 30 anos.

Quando a escola é pequena, argumenta, é mais fácil atender às necessidade de cada um. E quando se percebe que um aluno tem dificuldades, estão todos de olhos postos nele a tentar encontrar estratégias para que possa superar os obstáculos. O facto de a maioria dos estudantes fazer ali todo o seu percurso escolar também ajuda.

“Há aqui outro fator muito interessante: nós não temos retenções. No secundário há coisas pontuais, mas é mais do género de não passar a uma disciplina, não de ficar retido. No ensino básico, em mais de 30 anos, não me lembro de uma retenção. Admirou-me quando, há dois anos, percebi que havia tantas crianças a reprovar no 2.º ano de escolaridade. Para nós, é inconcebível. Aqui há um apoio incondicional aos alunos. Se, no primeiro período, aparecem negativas, o aluno tem todos os apoios, há uma grande preocupação dos professores em que ele aprenda. E como só temos duas turmas por ano, aquele menino não tem como fugir. Estamos muito centrados nos alunos”, diz a diretora da escola de ensino integrado de música.

Recusa a ideia de ser uma escola elitista, já que as provas de admissão são apenas de aptidão musical. “Só temos duas turmas e 300 candidatos, entram os que têm mais aptidão. Temos alunos referenciados com necessidades educativas especiais, temos alunos subsidiados de escalão A e B. Esta não é uma escola elitista, como às vezes se diz”, sublinha.

O olhar individualizado que aquela escola pública dirige aos seus alunos e que Ana Maria Caldeira vê como um dos motivos do sucesso académico também é apontado pelo diretor do Colégio de São José Ramalhão, em Sintra, a primeira escola privada a surgir nos rankings de sucesso do 9.º ano, em 3.º lugar.

“Olhamos o aluno na sua totalidade de pessoa, e estimulamos o desenvolvimento da sua inteligência emocional, racional, numa perspetiva humanista cristã. E, claro, temos professores muito qualificados e muito dedicados aos alunos, que são uma referência de rigor e exigência. Cada um se sente muito amado.”
Irmã Maria Teresa Nogueira, diretora do Colégio Nossa Senhora do Rosário

“Ainda temos muito para fazer, mas penso que o resultado tem a ver com a proposta educativa do colégio. Nós não fazemos escolha de alunos com base em resultados académicos, não fazemos provas de admissão e recebemos estudantes de contextos sociais muito diferentes. Isso faz parte da riqueza que os alunos aqui encontram”, defende o diretor da escola católica, Miguel Abranches Pinto.

Como fator de sucesso, aponta o tal olhar atento que dedicam a cada estudante. “Nós olhamos para cada aluno e procuramos soluções, cada um deles tem o direito de ser amado. E nós temos de perceber como é que se chega a ele, como é que se pode ajudá-lo a ultrapassar um conjunto de dificuldades. Talvez seja esse o ponto chave: soluções individualizadas. Claro que, às vezes, conseguimos, outras não, às vezes têm de ser soluções fora da caixa”, argumenta o diretor. “O ponto é podermos dizer que estamos a puxar pelo melhor de cada um deles e que cada aluno atinja o seu potencial, seja ele qual for.”

Tal como no conservatório da Gulbenkian, também o Ramalhão só tem duas turmas por ano, num total de 615 alunos. Os alunos podem entrar na escola no pré-escolar e só sair no 12.º ano. E este pormenor não é de menor importância, como aponta o diretor da Academia de Música de Santa Cecília, que também recebe alunos desde os 3 anos até ao último ano de escolaridade obrigatória.

“As escolas têm de ter um trabalho no sentido em que tudo tenha uma sequência lógica. E a nossa, fundada em 1964, está pensada como um todo porque recebemos estudantes dos 3 anos até ao 12.º. A academia é uma escola de música, que cuidou sempre do ensino académico, mas, antes de tudo, é um projeto cultural. A música faz parte deste projeto desde o início, por se ter achado então, e hoje ainda mais, que ela é uma componente fundamental na formação das crianças e dos jovens”, sublinha Rui Paiva, que tem 630 alunos na sua escola.

No Porto, a irmã Maria Teresa Nogueira, diretora do Colégio Nossa Senhora do Rosário, já está habituada a ver os resultados académicos dos seus alunos elevarem a escola ao primeiro lugar dos rankings dos exames nacionais. Por aqui, a surpresa seria não estar numa posição cimeira, até porque tinham a perceção de que o ano tinha corrido bem.

Os motivos que conduzem ao sucesso dos alunos também estão já estudados e aproximam-se do que já foi dito por outros diretores. “Cerca de 80% dos alunos fazem todo o seu percurso escolar obrigatório no colégio, ou seja, nós acompanhamos o seu processo de desenvolvimento, fulcral nestas faixas etárias, e alguns deles logo desde o pré-escolar, ou seja, fazem 15 anos no colégio”, explica a diretora.

E esse fator, defende, permite ter um conhecimento muito personalizado dos alunos, ajudando os professores a perceber a forma de melhor estimular o seu desenvolvimento integral. “Há um trabalho intencionalmente pensado, organizado, sustentado e progressivo para os ajudarmos e educarmos com fasquias elevadas, a superarem-se a si próprios, a lidarem com a frustração e o erro, e sobretudo a desenvolver capacidade de trabalho, hábitos de exigência, rigor, capacidade de investigação. O facto de estarem connosco muito tempo faz com que os professores conheçam muito bem os seus alunos”, sustenta, dizendo que este trabalho é feito em equipa e ao longo de vários anos.

Por outro lado, no colégio há uma proposta de educação integral: “Olhamos o aluno na sua totalidade de pessoa e estimulamos o desenvolvimento da sua inteligência emocional, racional, numa perspetiva humanista cristã. E, claro, temos professores muito qualificados e muito dedicados aos alunos, que são uma referência de rigor e exigência. Também se vive um ambiente de estímulo, de gosto pela aprendizagem, em que cada um se sente muito amado. São nossos alunos há muito tempo e sabem que são muito queridos para nós e que nós fazemos tudo por eles”, diz a irmã. Dos alunos esperam que cada um dê a “sua fasquia toda” e, para ajudá-los, criam estratégias diferenciadas de modo a potenciar cada um para o seu melhor.

Para a diretora do conservatório da Gulbenkian, a música é essencial para o sucesso dos alunos. A concentração e a memorização são essenciais desde o 1.º ano. E o silêncio é fundamental

A música, a religião e a componente humanista

A receita de sucesso dos seis diretores ouvidos pelo Observador já tem alguns ingredientes comuns: bons professores, ensino individualizado, ambiente familiar e um projeto educativo claro. Agora, falta a parte que os diferencia. Nuns casos é a música, noutros a religião, noutros o desporto.

“Com os anos, fomos percebendo que os alunos vivem mais felizes na escola e que, por estudarem música, acabam por ter melhores resultados em geral. Se olharmos para outras escolas com ensino integrado — excluía o Conservatório Nacional porque tem ensino integrado há relativamente pouco tempo — como a Gulbenkian de Braga, quase tão antiga como nós, vemos que aparecem no topo dos rankings. Isto não é um acaso”, sublinha o diretor da Academia de Música de Santa Cecília.

Apesar disso, não considera que o ensino integrado de música seja uma fórmula direta de sucesso. “Não é o único caminho, não diria que o ensino integrado é a fórmula por excelência para se estudar música. Mas, quando é bem trabalhada, dá muito bons resultados a nível académico e musical.”

Para a diretora do conservatório da Gulbenkian, a música é essencial para o sucesso dos seus alunos. “Com o ensino integrado, desde o 1.º ano que os alunos têm uma carga grande de música. Isso obriga-os a ter uma atitude perante a escola e o ensino e desenvolvem competências que outras crianças não desenvolvem: o silêncio, para eles, é fundamental, a concentração, a memorização — quando vão para as audições, têm de tocar as peças de cor. E têm um currículo muito extenso e intenso, com muitas disciplinas, têm de se organizar muito bem desde pequenos.”

Para além de observar isso na sua escola, Ana Maria Caldeira também já o vê no agrupamento de escolas de Maximinos, onde há ensino articulado de música e onde os professores da Gulbenkian vão dar aulas. “Começámos há quatro anos, com uma turma de 5.º que já está no 8.º, e já toda a gente na escola nota a diferença entre essa turma e os outros. Para estar numa orquestra e entrar no momento certo, eles têm de ouvir tudo. E se se concentram ali, também se concentram na matemática. A concentração e o foco que ganham com a música é uma influência benéfica para todas as disciplinas.”

No agrupamento de escolas Dr. Machado de Matos, António José Bragança aponta para a importância do desporto federado. “Temos uma equipa feminina de voleibol federado, criada também há cerca de três anos e, embora os treinos e jogos façam gastar tempo às nossas alunas, certo é que os seus resultados acabaram por melhorar.”

Mais recentemente, o xadrez passou também a ser uma oferta do agrupamento, de forma transversal, a todos os anos de escolaridade, do 1.º ao 12.º ano, seja como atividade de enriquecimento curricular, seja como disciplina do Desporto Escolar.

Ao desporto, o diretor junta ainda outros fatores que considera contribuírem para o sucesso dos alunos: horários de Biologia e de Física e Química, com desdobramento, a partir de 20 alunos por turma, um tempo de preparação para os exames nacionais previsto nos horários semanais e a criação de um Gabinete de Mediação de Conflitos. “Com esta estrutura, melhorámos significativamente o problema da indisciplina e do comportamento dos alunos. E todos sabemos a importância que o bom comportamento dos alunos tem nos seus resultados. Podemos considerar que quase não temos indisciplina no ensino secundário. Assim, com melhor comportamento, maior rendimento, logo, melhores resultados”, conclui o diretor.

No Ramalhão de Sintra e no Colégio Nossa Senhora do Rosário, ambos escolas católicas, a religião também é vista pelos seus diretores como uma influência positiva no sucesso dos seus alunos.

“Penso que a importância da religião é no sentido de haver uma proposta humana mais alargada. Muitas das nossas famílias já não são católicas e tentamos que a disciplina de religião seja uma abertura às grandes questões do coração humano e que se manifestam em tudo: na literatura, na beleza da matemática. Interessa-nos mais isso do que os aspetos da proposta mais confessional do colégio”, diz Miguel Abranches Pinto.

A irmã Maria Teresa Nogueira lembra que, no seu colégio, a educação é mais do que uma vocação, tem um sentido de missão. “Nós, irmãs, sempre acreditámos que uma pessoa bem formada ajuda na mudança do mundo e, à luz do evangelho, a educação é o melhor contributo que podemos dar à sociedade. Os nossos professores e educadores assumem esta realidade educativa como missão e isso faz toda a diferença. E temos muitos projetos de voluntariado que ajudam a abrir mundo: os melhores alunos são voluntários, são catequistas, são estudiosos, mas sabem gerir o tempo e dedicar-se a boas causas. Queremos que aprendam a ser líderes, que conheçam o mundo por inteiro.”

“Claro que o tipo de alunos que a escola recebe é importante. Estudantes de níveis socioeconómicos mais altos tendem a produzir melhores resultados por que têm outro tipo de condições. Isto significa que qualquer escola particular que funcione com pagamento de mensalidades à partida tem alguma vantagem sobre as escolas públicas.”
Rui Paiva, diretor da Academia de Música de Santa Cecília

A última pitada da receita: os alunos da escola

“Temos miúdos fantásticos. São miúdos que têm expectativas de faculdade. Não sei precisar o número, mas, no ano passado, a maioria dos nossos alunos entraram para o primeiro lugar que escolheram na faculdade. Isto satisfaz-me muito mais do que o primeiro lugar num ranking”, diz a diretora Maria Rosário Queirós. Para esses resultados, sabe que o contexto socioeconómico é importante, mas não determinante.

“O nosso melhor aluno do ano passado era de ação social escolar e de escalão A. Esse miúdo aproveitava tudo o que a escola lhe dava. Quando foi para a faculdade, os professores juntaram-se para lhe oferecer um computador, porque ele não tinha possibilidades económicas e era uma ferramenta importante. Esta relação do meio socioeconómico e do sucesso tem de ser melhor estudada. Quem tem posses é verdade que tem mais hipóteses de comprar o material ou de ter explicações. Mas os outros também conseguem, precisam é de mais esforço para chegar ao mesmo sítio”, conclui a diretora do agrupamento de escolas Clara de Resende.

Em Braga, a diretora do conservatório lembra que, apesar de terem alunos de contextos diferentes, a maioria é das classes mais altas e não têm alunos problemáticos: “Os nossos professores têm a vida facilitada, a maioria dos pais cria todas as condições aos filhos para poderem ter sucesso académico.”

Na outra escola de ensino integrado de música, privada, o diretor também lembra que ter alunos de classes favorecidas implica começar de um ponto de partida diferente do que escolas públicas localizadas em regiões economicamente deprimidas. “Claro que o tipo de alunos que a escola recebe é importante. Estudantes de níveis socioeconómicos mais altos tendem a produzir melhores resultados porque têm outro tipo de condições. Isto significa que qualquer escola particular que funcione com pagamento de mensalidades, à partida, tem alguma vantagem sobre as escolas pública. E quando pensamos nessas, que têm de ser gratuitas para todos, temos de pensar nessas diferenças. A comparação entre escolas não pode ser direta, sem ter em conta todos esses aspetos”, remata Rui Paiva, da Academia de Música de Santa Cecília.

Miguel Abranches Pinto, diretor do Ramalhão, faz uma distinção entre o contexto económico e o cultural. “Estatisticamente, teremos aqui no colégio mais alunos que vêm de um contexto económico mais favorecido, mas que, culturalmente, até pode ser inferior. E depois podemos ter famílias numerosas, que financeiramente não estão assim tão bem, mas que têm um contexto cultural mais elevado. Mas nós não temos um padrão no tipo de alunos tão marcado como noutras escolas e temos um sistema de bolsas para famílias com dificuldades económicas. Quando fazemos uma aliança com uma família de 3 alunos, se calhar temos um aluno muito bom, outro com um conjunto de interesses ricos, mas com um desempenho sofrível, e outro que é ótimo desportista, mas fica para trás noutras coisas. Aceitamos a família como um todo. Como pai, se tiver um filho que tem 18 a matemática e outro que tem 11, não é pela nota que vou gostar mais de um do que de outro.”

No Colégio Nossa Senhora do Rosário, habituado a ficar em primeiro lugar nos rankings, a irmã Maria Teresa Nogueira não esconde o perfil de alunos que têm. “Os pais dos alunos têm um nível cultural, para além do socioeconómico, bom e isso favorece. Mas não é a única razão. Os nossos alunos têm fasquias elevadas, estão claramente motivados, desejam ter êxito na vida e trabalham para isso. Nós temos consciência de que os nossos alunos irão ocupar lugares de liderança na sociedade futura, temos essa clareza e essa lucidez. E também por isso sentimos uma responsabilidade acrescida de os ajudar a desenvolver o seu potencial e o seu enquadramento humanista e cristão de modo a que marquem a diferença pela sua qualidade humana, ética e de trabalho.”

O sucesso dos seus alunos, acredita, pode também representar o sucesso da sociedade.

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