Como é que a música pop cantou “1986” em Portugal?

11 Março 2018658

A nova série da RTP, “1986”, estreia dia 13. É a desculpa para relembrar o ano através das canções, à conversa com Lena d'Água, Carlos Tê, Rui Reininho, Carlos Maria Trindade e Pedro Ayres Magalhães.

Soares é fixe e é ele quem ganha as eleições presidenciais desse ano. De certeza que está disposto a dançar e pode ser ao ritmo marcado pelos Heróis de Mar. Soares é fixe e é desculpa para começar o ano em festa. Afinal, “é sempre a primeira vez em cada regresso a casa”, diria o amigo Rui Veloso, que fez parte da campanha que assolou Portugal, com o derrotado Freitas de Amaral a suplicar “Não sejas mau pra mim”. Efectivamente, 1986 foi o ano das eleições mais disputadas de sempre, mas foi também uma colheita magnífica de música portuguesa, repleto de canções que, mais de 30 anos depois, continuam a embelezar o nosso português e recordam os tempos em que as cantigas se confundiam com as nossas vidas. A mesma confusão que está prestes a regressar à TV.

[a “Alegria” dos Heróis do Mar:]

“Soares é fixe” era o slogan de campanha de Mário Soares, orgulhosamente colado na mochila do protagonista da nova série da RTP, “1986”, criada por Nuno Markl e com estreia marcada para 13 de Março. Outro slogan improvável era “Rock da Liberdade”. “Na eleição havia uma espécie de nós contra eles”, conta ao Observador o letrista de Rui Veloso, Carlos Tê. “Era uma luta desesperada contra o Freitas de Amaral e o Rui fez como resposta a música ‘Rock da Liberdade’ com letra de António-Pedro Vasconcelos.” “Aí está o nosso hino! Uma batida para curtir”, diz na capa do single, disco de prata em Janeiro de 86, mero adereço para outro sucesso avassalador no mesmo ano, com o título redundante de Rui Veloso.

“Foi um disco muito bom, mas difícil, dividido em duas fases, porque o Rui teve um problema de voz a meio, e teve que ser operado à garganta”, conta o letrista de “Porto Sentido” e “Porto Covo”: “Sobretudo ‘Porto Sentido’ foi muito importante, com o tempo eternizou-se como uma espécie de hino à cidade de Porto”.

“Estava na minha mente a afirmação de um certo regionalismo enquanto marca identitária, não como o provincialismo, mas a marca identitária de pertencer a uma chancela, a um lugar”
Carlos Tê, sobre as letras do álbum "Rui Veloso"

O álbum homónimo de Rui Veloso, finalmente uma resposta à altura do emblemático Ar de Rock, foi um sucesso estrondoso, intocável na criação de uma ingénua geografia luso-tropical, onde o Porto, a Beira e África são um mesmo bairro percorrido pelo homem que está na esquina deste mundo, de gravata a fumar sozinho um longo cigarro, cavaleiro andante pronto a receber qualquer mágoa e desaventura.

“Estava na minha mente a afirmação de um certo regionalismo enquanto marca identitária, não como o provincialismo, mas a marca identitária de pertencer a uma chancela, a um lugar”, justifica Carlos Tê. “A minha ideia na altura era chamar ao disco ‘Os bês pelos vês’, frase que faz parte da letra de ‘Champanhe’, mas o título foi censurado pela editora.” O álbum encantado pela génese do interior profundo, de geleias, licores, melros e cotovias, é o mote para um país indeciso entre uma vontade pós-moderna ou o reconfortante pouso pelos verdes campos.

A capa do álbum de Rui Veloso de 1986

No palco do Coliseu dos Recreios, Mário Soares é ovacionado ao lado dos Trovante, que nesse ano reafirmaram a crença no socialismo e na cantiga bucólica para 100 mil pessoas na festa do Avante, no Alto da Ajuda. Sepes era o álbum, terra firme que antecipa o sucesso no ano seguinte, regionalismo musical que é explorado na mesma edição do Avante por Júlio Pereira de Os Sete Instrumentos. O grande profeta, José Afonso, despede-se lentamente do mundo e como último ato de irreverência, apoia Maria de Lourdes Pintasilgo à presidência.

O discípulo, Sérgio Godinho, apesar de cantar um dueto com Rui Veloso (“O Carteiro”), não sobe a palanques nem vai em cantigas, entra Na Vida Real e é sugado pela febre dos sintetizadores. Chamar isto de “a resposta portuguesa” a Various Positions de Leonard Cohen é redutor: afinal, este é o álbum que tem os épicos seis minutos e 48 de “Lisboa que Amanhece”, todo repleto de sombras ao nascer do dia, a percorrer lentamente a capital mãe solteira, com orquestração do navegante António Emiliano, que revoluciona o som de Godinho.

[“Lisboa que Amanhece”, de Sérgio Godinho:]

Pós-modernidade sobre o Douro

A meio da eleição, Aníbal Cavaco Silva recebe o primeiro cheque proveniente da Europa, com 5,4 milhões de contos.

“E agora, que já lá estamos
vamos ter tudo aquilo que desejamos
Um PA p’ras vozes e uma Fender
Oh boy, é tão bom estar na CEE”

Assim cantavam anos antes os GNR, em antecipação à adesão à CEE, que acontece finalmente em 86, a tempo de acompanhar a euforia da nova burguesia portuguesa, gente de “orgulho analfabeto mas com cultura geral” (“Nova Gente”). “1986 é marcante porque há uma pós-modernidade, apareceu um novo riquismo pop”, conta-nos Rui Reininho. “Mas apesar disso, ainda estava a começar o cavaquismo e para irmos tocar ao Algarve despedíamo-nos da família, saíamos de madrugada e chegávamos mesmo à hora de espetáculo.”

Depois de Os Homens Não Se Querem Bonitos, após encontrarem a maquinaria da pop com “Dunas”, depois do ketchup, kitchenette, T2-T4 com garagem, chegam os “Pós Modernos”, que agarram na angústia de criar música com Psicopátria, disco de prata gravado nos estúdios da Valentim de Carvalho. “A maneira de fazer o Psicopátria foi muito autónoma, é uma auto produção ao contrário dos anteriores. Independentemente do ‘Dunas’ estar no disco anterior, foi ali que ultrapassámos a barreira de 100 espetáculos por ano, assumimos que era aquilo que íamos fazer, ser os GNR”.

Apesar da genialidade no pop saltitante de “Efectivamente”, “Pós Modernos” é a canção que melhor define os GNR em 86 e não por acaso, Reininho e banda receberam um convite para o tema fazer parte da série de Nuno Markl, que acabaram por recusar pelos valores do negócio. No estúdio, a gravar uma nova canção, o vocalista mantém-se indestrutível e sobre Psicopátria e os concertos da época realça que “o mérito de conquistar alguma dignidade nos palcos foi nossa, seja GNR, Heróis do Mar, UHF ou Xutos, nessa altura estávamos todos cansados de apanhar faltas de corrente, de a luz ir abaixo a meio do concerto”.

"A editora teve a ideia genial de nos mostrar aquela fotografia da rapariga a fazer a carpa para dentro do Douro, e assim foi toda a pós-modernidade de Lisboa por ali abaixo."
Rui Reininho, sobre "Psicopátria"

Se a modernidade ainda estava para chegar ao interior exaltado por Rui Veloso e Trovante, a capital compensa com a porteira Guida Gorda, que selecionava quem era moderno suficiente para entrar na discoteca Frágil. “Há uma tentativa de capa no Frágil feita pelo Pedro Cabrita Reis e o grande fotógrafo, Jorge Molder”, revela o portuense. “Até que a editora teve a ideia genial de nos mostrar aquela fotografia da rapariga a fazer a carpa para dentro do Douro, e assim foi toda a pós-modernidade de Lisboa por ali abaixo.”

A capa do álbum “Psicopátria”, dos GNR

Não sejam maus: um doce em troca de um beijo

Imaginem que, nestes dias de Festival da Canção, entre um concorrente e outro, aparecia uma menina sorridente com energia e folhos na saia de sobra, a mostrar-nos o lado bom da vida, a pedir que não sejamos mau para ela. Era vitória certa, era o que era. E assim foi em 86 com “Não Sejas Mau Para Mim” de Dora, que deixou pelo caminho o popularucho “Os Tigres de Bengala S.F.R” dos Trabalhadores do Comércio e ainda Rui Veloso, com “Dessas juras que se fazem”, cantado por Né Ladeiras de luvas de renda.

“Essa canção era para estar no disco, mas não saiu porque tivemos problemas no piano, era para ser uma coisa orgânica, o Rui a tocar e cantar ao mesmo tempo, mas tecnicamente não estávamos a conseguir”, explica o letrista Carlos Tê. “Claro que mais tarde o Rui gravou, no disco que foi a nossa última parceria”. A canção de Dora está eternizada em karaokes pelo país, mas seria outra mulher de quatro letras a deixar Portugal perturbado, a pedir doces em troca de um beijo salgado.

[“Não sejas mau para mim”, de Dora:]

“‘Foi o ano que fiz 30”, responde logo Lena d’Água, “e gravei o Terra Prometida”. Enquanto as Doce davam os últimos cartuchos com uma compilação, a guloseima original prossegue um trajecto ímpar na pop nacional, com o letrista e músico Luís Pedro Fonseca, e o último hit da fábrica, “Dou-te Um Doce”. “Olha que o ‘Dou-te Um Doce’ esteve quase para não entrar no álbum, o Luís achava que era demasiado simples para estar ao lado de canções como o ‘Tudo Bem’, ou o próprio ‘Beco’ e claro que a editora ouviu e foi logo o single, uma das obrigatórias até hoje para eu cantar”, revela Lena, que está diretamente envolvida na série de Nuno Markl.

O single balnear, com teledisco gravado nas Azenhas de Mar, foi ainda o primeiro vislumbre da nossa música moderna para a restante Europa — e que vislumbre senhoras e senhores, ou como sugeriu nesse ano a revista do Diário de Notícias numa sessão fotográfica com a cantora: “Tanta coisa boa!” “O Adam Curry tinha um programa que dava no Canal 2, o Countdown, que passava em vários países europeus”, explica Lena, “e veio cá a Portugal para ouvir as coisas que tinham saído de música nova e escolheu a minha para aparecer no programa”.

[“Dou-te um Doce”, de Lena d’Água:]

A filha de José Águas era mesmo uma presença constante na televisão portuguesa, tendo recebido carta branca no “Deixem Passar a Música”, da RTP, para fazer um especial televisivo apimentado a seu gosto. “Fui convidada na oitava semana de programa, na altura era super famosa e o Jorge Palma ainda não era muito popular, quando o José Nuno Martins perguntou com quem é que eu gostaria de cantar, disse logo de caras ‘o Jorge’, e foi a única coisa mesmo tocada ao vivo ali.” O terno dueto de “O Bairro de Amor”, torna ainda mais incrédulo como este compositor não era reconhecido, mesmo com a força da Valentim de Carvalho.

Lena é senhora rainha da canção chiclete, Ana não consegue manter qualquer afinação durante “Tapete Voador”, mas sejamos sinceros, Adelaide Ferreira ameaça mesmo uma deposição e, pelo menos naquela canção bombástica, roubar o papel principal. Em “A Origem do Mal”, Rui Veloso canta sobre um casal virgem — “foram ver o Marco Paulo que já andava a cantar”. Uma prova irrefutável que a permanente do cantor popular já fazia parte do discurso nacional.

E foi mesmo nesse ano que lançou algumas das célebres parcerias com Toy, como “Portugal Sonhado”. “Ele não tem o mínimo de conhecimento de música e com certeza vai acabar muito cedo”, responde irritado José Cid à revista Nova Gente, que com o seu Xi-Coração e “Uma Balalaika” estava cada vez mais a ser comparado aos românticos que prosperavam nesta década.

Dias de heróis, dias da Madredeus

“Amor”, “Paixão” e “Alegria”, três sentimentos e singles que passamos uma vida a tentar agarrar. Não deu para responder na mesma moeda, mas depois daquela trilogia inigualável, o “Fado” era mesmo voltar para dentro, encontrar na portugalidade um elo possível para continuar a explorar a propensão rítmica destes descobridores com ouvido para as melodias. “Macau foi o primeiro álbum que gravámos para a Valentim de Carvalho”, diz-nos o fundador, baixista e compositor dos Heróis do Mar, Pedro Ayres Magalhães, sobre o álbum que seria o último do baterista Tozé Almeida. “Ele era mais mais velho que nós, casou-se e cansou-se dos concertos.”

[O “Fado”, dos Heróis do Mar:]

“Havia duas maneiras, ou ias tocar nas festas com os equipamentos que diziam que tinham e cais no improviso amador, ou então trabalhavas com alguém que vendia os PAs e palco para cada concerto”, descreve Pedro, na epopeia de tentar apresentar decentemente a visão iconoclasta da banda para todo o país. A solução foi fazer o próprio agenciamento.

“Malucos da Pátria foi uma sociedade que fiz com o Zé Pedro e o Vítor Silva, que já andava na indústria da moda. Ele entusiasmou-se com a vida de estrada dos Heróis de Mar”, explica. “Na altura não havia agentes e estávamos dispostos a qualquer banhada, até que estava tão chateado com isso que falei com o Zé Pedro e convencemos as bandas, os Xutos, Heróis e depois Mão Morta, Delfins, Radar Kadafi. Em vez de estarem na mão dos tubarões, que tal começar a controlar as carreiras?” O apogeu da agência amadora aconteceria no Restelo com a banda de Zé Pedro, “quando se inventou o X no cartaz”, sublinha.

“A falta de qualidade e equipamento foi uma das razões que me deixou desesperado para ter um grupo que tivesse menos exigências técnicas, que deixasse ouvir as palavras que escrevo, a Madredeus é uma reacção a essa frustração.”
Pedro Ayres Magalhães

Entre os Malucos da Pátria, a extinta editora Fundação Atlântica e os Heróis de Mar, Pedro ainda manteve durante um ano o segredo mais bem guardado da música portuguesa, com o amigo Rodrigo Leão, dos Sétima Legião. “No Bairro Alto descobrimos a Teresa Salgueiro com 17 anos”, conta sobre a sorte que teve numa noite em 86, que o convenceu a revelar o projeto que sonhava desde o ano anterior. “Mas atenção, a Teresa foi às audições como as outras 13 raparigas antes dela”.

Nos ensaios do Teatro Ibérico desenhava-se a história, “Sombra” foi das primeiras a nascer, com o compositor a alimentar o objetivo supremo de poder controlar seu próprio fado. “A falta de qualidade e equipamento foi uma das razões que me deixou desesperado para ter um grupo que tivesse menos exigências técnicas, que deixasse ouvir as palavras que escrevo, a Madredeus é uma reacção a essa frustração.”

[Madredeus, “Sombra”:]

No outro lado do palco dos Heróis de Mar, o colega Carlos Maria Trindade não estava menos ocupado, pelo contrário. “Não foi por acaso que tive um esgotamento nervoso”, confessa-nos sobre o ano mais desenfreado da sua vida. “Dormia quatro horas por noite, cheguei a fazer Delfins de manhã e Xutos à tarde, em estúdios diferentes, e Heróis do Mar à noite, foi muito duro.”

O produtor mais requisitado de 86, além de gravar a famosa maquete dos Delfins, Spleen dos Rádio Macau e Circo de Feras dos Xutos, que sairia no ano seguinte, ainda tinha que passar meses seguidos em ensaios, a tentar limitar o período de gravação ao máximo. “O tempo de estúdio era muito caro e, ao mesmo tempo, 86 foi um ano que estava haver um investimento brutal na indústria, em construir novos estúdios, formar produtores, consolidar bandas e escrita de canções”, conta. “Toda a década de 80 foi um boom, mas 86 foi quando houve mais motivação.”

“Havia uma saco azul das editoras para investir em música nacional, porque conseguimos provar que esta música vendia. A nossa geração começou a cantar em português e a exigir da indústria mais condições, no fundo fizemos uma indústria.”
Carlos Maria Trindade

“1986” é uma das canções do segundo disco de Rádio Macau, Spleen, que tem talvez em “Há Dias Assim” o mais próximo de canção popular que na altura a banda conseguia. “Eram uma banda rebelde, alternativa, que não queria ceder à indústria, era o exato oposto dos Xutos que tinham grandes refrões de palavras muito bem escolhidas, eles fugiam dos refrões comerciais, a batalha era chegar a algum consenso”, confirma Carlos Maria Trindade, lembrando ainda que, “apanhei uma crise interna de grupo”. Xana e colegas teriam o seu tempo no próximo ano, assim como os Delfins, desacreditados na própria editora, que tinha foco maioritário na nova estrela da companhia, Xutos e Pontapés, a banda que estava finalmente com a carga pronta metida nos contentores.

Punk moda rock

“A próxima música também vai ficar boa, chama-se ‘O Homem de Leme’”, garante Tim num dos dois concertos esgotados no Rock Rendez-Vous, dias 31 de julho e 1 de agosto, a apresentar Portugal a uma canção que teria várias vidas, assim como todo este repertório, rejuvenescido em fúria e glória. “Praticamente estreei aquele que era o melhor estúdio de Lisboa, o Angel 2 de José Fortes.

Tinha condições para gravar um grupo em simultâneo, sala de voz, sopros, guitarra, tudo individualizado”, lembra o produtor sobre as gravações de Circo de Feras. “Quando ouvi as músicas nos ensaios, percebi logo que era um LP cheio de singles, cheio, ‘Não sou o Único’, por exemplo, era um lado B, percebi logo que ia ser um estoiro”, conta ainda abismado. “A partir daí deixaram de ser uma banda alternativa e passaram a ser uma banda que enchia pavilhões e estádios, subiram de divisão”.

[“O Homem do Leme”, dos Xutos & Pontapés:]

“As pessoas aderiram mais ao rock conservador dos Xutos”, sugere Pedro Ayres Magalhães: “Estávamos dez anos depois do punk, mas o punk estava a chegar a Portugal, começam a aparecer aqueles tipos todos vestidos de preto”. No palco de Rock Rendez-Vous tingiam-se todos de escuro para acompanhar os Concurso de Música Moderna e, nesse ano, o vencedor do Prémio de Originalidade foi incontestável, só podia ser para a banda com o nome menos óbvio: Mão Morta. João Peste, que vence a mesma distinção no ano anterior com os seus Pop Dell’Arte, fica convencido e convida Adolfo Luxúria Canibal a gravar pela editora que tinha acabado de fundar, a Ama Romanta. Inspirado pelo pioneirismo dos Croix Sainte, João Peste lança uma revolucionária compilação na recente editora, com os próprios Pop Dell’Arte e Mler Ife Dada, assim como uma entrevista ao sociólogo José Manuel Paquete de Oliveira.

A atitude punk floresceu em 86, com editoras independentes e pequenos festivais, como um infame no Porto que juntou Crise Total, os Cães a Morte e o Desejo, Kú de Judas e Cagalhões, enquanto na TV de manhã outro género musical florescia na mesma medida, as canções infantis, dos Onda Choc, Ministars ou Queijinhos Frescos. De Rão Kyao ao soulman Paulo Gonzo, ex-Go Graal Blues Band, parecia existir um poço sem fundo de géneros e possibilidades para a canção portuguesa.

“Havia uma saco azul das editoras para investir em música nacional, porque conseguimos provar que esta música vendia”, reflete Carlos Trindade. “A nossa geração começou a cantar em português e a exigir da indústria mais condições, no fundo fizemos uma indústria.” E isto tudo num país em ebulição, a descobrir o seu lugar na Europa, com meio milhão de desempregados, dependente de rádio, com dois canais de televisão e cassetes piratas para ouvir a história de Portugal ser explicada em canções.

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