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"Pesadelo" (1781), do suíço Henry Fuseli

"Pesadelo" (1781), do suíço Henry Fuseli

De Alexandre Herculano a Mário de Sá-Carneiro: a (pouca) literatura gótica que se escreveu em Portugal /premium

Introduzida tardiamente em Portugal, a literatura gótica teve pouca expressão entre os autores nacionais. Existem, porém, alguns exemplos do género, agora resgatados num novo livro.

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Hoje entende-se por literatura gótica peças que envolvam um ambiente assustador, sombrio ou sobrenatural. No sentido original, contudo, o termo aplica-se a um conjunto mais restrito de obras, publicadas entre 1764 e as primeiras duas décadas do século XIX, quando surgiram romances icónicos como Drácula ou Frankenstein. Tratando-se de um género essencialmente britânico, mas com bons exemplos em países como França e Alemanha, o gótico teve pouca expressão em Portugal. As razões são várias e prendem-se, por exemplo, com a fraca qualidade das traduções, que chegaram já tardiamente. Isso não quer dizer que a literatura gótica não tenha sido praticada por escritores portugueses, ainda que de uma forma muito particular. Alguns exemplos podem ser encontrados no livro A Dança dos Ossos. Antologia do Conto Gótico Luso-Brasileiro, recentemente editado no âmbito da coleção Livros B.

Com organização de Ricardo Lourenço e prefácio de António Monteiro, a coletânea inclui alguns nomes célebres portugueses e brasileiros, como Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Machado de Assis ou Bernardo Guimarães, e outros mais obscuros, como Beldemónio, numa seleção que pretende manter “um certo equilíbrio em termos de autores”, dando destaque a alguns menos célebres, e “constituir uma amostra exemplificativa dos principais elementos e temáticas da literatura gótica”, explicou ao Observador o organizador do volume, que surgiu pelo “gosto pessoal pela literatura gótica” de Ricardo Lourenço, um formado em Gestão e Análise Financeira e responsável pelo Projeto Adamastor, que tem vindo a contribuir com contos para revistas portuguesas e brasileiras dedicadas ao terror e ao fantástico, como a Bang! (onde António Monteiro também participou) ou Diário Macabro.

Na decisão de fazer uma antologia de autores portugueses e brasileiros que exploraram o género gótico pesou o facto de ser “um género literário bastante menosprezado pela crítica, que chega ao nosso mercado essencialmente através de obras traduzidas”, apontou o organizador. “Pareceu-nos importante dar a conhecer a produção em língua portuguesa, demonstrando, por um lado, que o gótico não é um domínio exclusivo da literatura anglófona e, por outro, que o contexto histórico-cultural de Portugal e do Brasil influenciou o imaginário dos seus escritores”, afirmou ainda.

[Leia aqui o conto gótico de Camilo Castelo Branco, “A Caveira”:]

Um amor maior do que a morte e uma caveira desenterrada: o conto gótico de Camilo Castelo Branco

Em Portugal, o gótico desenvolveu características muito próprias. Ao contrário dos britânicos, os autores portugueses tinham tendência a concentrarem-se mais nos aspetos melancólicos e poéticos do género do que no terror sobrenatural, raro em Portugal. Isso é visível em alguns contos incluídos em A Dança dos Ossos, nomeadamente em “A Caveira” (1855), de Camilo Castelo Branco, a história de um amor desafortunado, maior do que a morte, que leva o jovem apaixonado a desenterrar o cadáver da sua amada. Por outro lado, quando o terror surge, nos textos portugueses está geralmente ligado às histórias de fadas e ao folclore, como no famoso conto “A Dama Pé-de-cabra”, de Alexandre Herculano, incluída também na coletânea. Da mesma forma, o gótico brasileiro foi fortemente influenciado pelo folclore e crenças populares do Brasil.

O que é a literatura gótica?

Originalmente, o termo “gótico” referia-se aos godos, o povo germânico que desempenhou um importante papel na queda do império romano do ocidente, e a uma corrente arquitetónica da Baixa Idade Média. Na literatura, começou a ser usado no século XVIII, para descrever histórias de terror ou suspense que se passavam em antigos monumentos, castelos ou mosteiros em ruínas, numa espécie de revivalismo da época medieval.

A produção daquilo a que se chama literatura gótica começou aproximadamente em 1764, a data da primeira edição de O Castelo de Otranto, do inglês Horace Walpole (que, na segunda edição do romance, lhe acrescentou o subtítulo “Uma história gótica”), e continuou até à década de 1820, quando foram publicadas algumas obras fundamentais, como Frankenstein, de Mary Shelley (1818), ou Melmoth the Wanderer, do irlandês Charles Maturin (1820). As obras de Ann Radcliffe, pioneira do género, tornam-se particularmente populares, dando origem a inúmeros imitadores. O sucesso do gótico chegou a ser tal que Jane Austen o ridicularizou no romance Northanger Abbey (1818).

Segundo António Monteiro, professor universitário de Matemática, escritor de contos de terror e autor da introdução de A Dança dos Ossos, “a literatura gótica combinava elementos sobrenaturais e de terror com aspetos derivados do período do romantismo, movimento artístico e filosófico que teve o seu início no final do século XVIII, estendendo-se ao longo do século seguinte, até certo como como reação à corrente racionalista. O romantismo caracterizou-se pela prevalência do sonho e da fantasia, da imaginação popular, baseada em contos e lendas tradicionais. Por extensão, o género gótico procura retirar do terror e do sobrenatural — por vezes a ser explicado em termos naturais — um determinado prazer estético, através da contemplação do sublime”, explicou ao Observador.

"Abadia no Carvalhal" (1810), do alemão Caspar David Friedrich

Apesar de se ter espalhado por outras regiões europeias, incluindo a Rússia, a literatura gótica pouca expressão teve em Portugal. Isto deve-se ao “estrito puritanismo da época”, que “atrasou sobremaneira a entrada do novo género, sendo muito tardia a publicação, em português, das obras clássicas”, referiu Monteiro. “Walpole permaneceu quase desconhecido entre nós durante a maior parte do século XIX. O célebre romance O Monge, de Matthew Gregory Lewis, só foi traduzido em 1861, enquanto o importante Os Mistérios de Udolfo, de Ann Radcliffe só cá chegou em 1840. Drácula, de Bram Stoker, teve de aguardar até ao ano de 1953 para ter uma versão em português… A literatura gótica, que se tinha estendido a países como a Grã-Bretanha, a França ou a Alemanha, chegou assim a Portugal demasiado tarde e foi divulgada através de traduções de má qualidade, que a tornaram pouco atraente”, apontou ainda. “A maioria dos intelectuais nacionais encontrava-se já em pleno romantismo, não sentindo atração pela literatura do medo, dada a evolução da cultura lusa e até o nosso clima soalheiro, pouco propício a assombrações, ainda que elas não faltem na literatura popular.”

No Brasil, não foi muito diferente. Também o “puritanismo” da sociedade brasileira terá tido o seu papel na receção, igualmente tardia, da literatura gótica no país, “apesar da riqueza das tradições locais relacionadas com o sobrenatural, onde se misturam elementos nativos com outros oriundos da Europa e da África”, como apontou Monteiro. De acordo com o autor da introdução de A Dança dos Ossos, “considera-se geralmente que o género gótico foi introduzido no Brasil pelo prematuramente falecido escritor Álvares de Azevedo, nomeadamente através da sua coleção de contos Noite na Taverna, publicado apenas em 1855”.

A (pouca) literatura gótica que se escreveu em Portugal

A primeira novela original portuguesa em que é possível encontrar traços da literatura gótica é “Adelaide de Clinter” (1840). Segundo Maria Leonor Machado de Sousa, autora do único grande estudo sobre este género literário em Portugal, o significado do aparecimento de “Adelaide de Clienter“ é “diminuído, no entanto, pelo facto de a ação decorrer em ambiente inglês, das famílias que vivem retiradas nos castelos góticos e vão passar em Londres a estação elegante”. Trata-se, segundo a investigadora, “de uma obra sem o mínimo valor artístico, qualquer que seja o aspeto por que a encaremos”.

Os primeiros indícios de que os temas associados ao gótico começavam a gerar interesse em Portugal são, no entanto, anteriores e podem ser encontrados em dois poemas publicados alguns anos antes em Lisboa: “A Noite do Castello”, de António Feliciano de Castilho, e “Leonido, ou os amantes suevos”, de José Maria da Costa e Silva, “os primeiros de uma longa série de romances em versos escritos durante todo o romantismo”, referiu Maria Leonor Machado de Sousa no estudo A Literatura “Negra” ou de Terror em Portugal (Séculos XVIII e XIX). “A Noite do Castello” (1836), exemplo de um romantismo noturno e de inspiração medievalista, foi considerado por alguns autores o único romance gótico português.

"A maioria dos intelectuais nacionais encontrava-se já em pleno romantismo, não sentindo atração pela literatura do medo, dada a evolução da cultura lusa e até o nosso clima soalheiro, pouco propício a assombrações, ainda que elas não faltem na literatura popular.”
António Monteiro

Outra obra que pode ser apontada como uma das primeiras do género em Portugal é a coletânea Contos Phantásticos (1865), de Teófilo Braga. Na opinião de António Monteiro, outro conjunto de textos que merece igualmente destaque é Diabruras, Santidades e Prophecias (1894), de Augusto Carlos Texeira de Aragão, militar, médico, arqueólogo e historiador que reuniu neste livro alguns contos tradicionais e lendas envolvendo bruxas e lobisomens. É também associada à tradição oral e popular portuguesa que surge “A Dama Pé-de-cabra” (1843), de Alexandre Herculano. Publicado nos números 88, 91 e 95 da revista O Panorama, trata-se do conto mais antigo da antologia, que encerra a secção portuguesa com “A Estranha Morte do Professor Antena” (1913), de Mário de Sá-Carneiro, um autor que, embora associado às correntes do decadentismo e modernismo, explorou o sobrenatural nalgumas das suas novelas.

Surpreende é também talvez a presença de autores como Eça de Queiroz ou Florbela Espanca. Apesar de ser mais associada à poesia, Florbela dedicou os últimos anos de vida, após a morte do seu irmão Apeles, à escrita de prosa, que foi depois compilada em dois volumes editados postumamente. O conto escolhido para integrar esta antologia, “A Morta”, fala de um relacionamento entre dois seres de mundos opostos, apenas possível “devido à atenuação da linha que separa a vida e a morte”. Eça é outro exemplo de um importante romancista português que explorou, ocasionalmente, temas góticos. A inclinação do escritor para o mistério e o fantástico é evidente em obras como O Mistério da Estrada de Sintra (1870) ou O Mandarim, mas no conto “O Defunto” foi um pouco mais longe, criando um ambiente medieval e trilhando “os caminhos sombrios do gótico, explorando temas que o género herdou do romantismo, como o ciúme, o ódio e a traição”.

[Leia aqui o conto “O Vampiro”, de John William Polidori, que criou a imagem que hoje temos do vampiro:]

Lord Ruthven: o vampiro de John William Polidori foi inspirado em Byron

A inspiração medievalista é, de resto, uma das principais características da literatura gótica portuguesa, assim como “uma certa tendência para situações melodramáticas”, apontou Ricardo Lourenço ao Observador. O “uso do sobrenatural é bastante frequente, assim como são os traços populares. Muitas vezes, as histórias passam-se em espaços lúgubres ou em localidades rurais.” Contudo, nos exemplos mais recentes, da viragem do século XIX para XX, é possível encontrar um cenário mais urbano, que dá lugar à paisagem do campo. São exemplo disso contos como “Sede de Sangue” (1909), do escritor e político Manuel Teixeira Gomes, um dos primeiros textos portugueses que tratam o tema do vampirismo, e também “A Estranha Morte do Professor Antena”, que surgem em último lugar na antologia, organizada não pela data de publicação, mas pela época retratada.

Razão vs. superstição: o gótico colonial brasileiro

No Brasil, o estilo gótico começou por se manifestar dentro do romantismo, quando poetas e ficcionistas procuram estabelecer as bases de uma literatura nacional. Costuma considerar-se que o género foi introduzido no país por Álvares de Azevedo, autor de Noite na Taverna, coletânea editada postumamente em 1855. O primeiro conto, o homónimo “Noite na Taverna”, é o primeiro da secção brasileira da antologia de Ricardo Lourenço. Segundo o organizador, destaca-se por o autor se ter libertado “das convenções da época, expondo os vícios e os crimes de um grupo de boémios, numa sucessão de histórias que tratam os temas mais insólitos e macabros, como a necrofilia, o canibalismo e o infanticídio, sendo evidente a influência de Lord Byron”.

Uma das primeiras obras brasileiras a explorar alguns dos aspetos característicos da literatura gótica britânica foi Guarani (1857), de José de Alencar. Apesar de não ter sido concebido como um romance gótico, o estilo gótico é evidente na utilização que o escritor fez do sublime e no enaltecimento de ideias progressistas, uma das principais características aquilo a que certos autores chamam o gótico colonial, um subgénero que se distingue “pelo confronto entre o meio citadino e o mundo rural, muitas vezes colocando as personagens em ambientes que lhes são estranhos”, explicou António Monteiro. “O atraso de determinadas populações sertanejas, presas a superstições e ao medo dos fenómenos sobrenaturais, é assim contraposto ao progresso de um país em evolução. É o contraste entre a cidade progressista e um sertão primitivo, atrasado e supersticioso, que leva a literatura referente a essa meio a enquadrar-se no género gótico”, apontou ao Observador.

"Caminho da Pena", do português João Cristino da Silva

Este contraste entre o que é moderno e as crenças de tempos antigos também foi tratado pelos autores britânicos — para destruir Drácula, símbolo de um tempo que a modernidade quer fazer desaparecer, Van Helsing tem usar todo o conhecimento ao seu alcance, tanto antigo como moderno; por outro lado, em A Marca da Besta (1890), de Rudyard Kipling, um britânico que insiste em desdenhar certos lugares sagrados na Índia acaba, como castigo, por se transformar num lobisomem.

Um bom exemplo do gótico colonial é o conto que dá nome à antologia da Livros B, “A Dança dos Ossos” (1871), de Bernardo Guimarães, principal responsável pela disseminação do género no Brasil. Publicado pela primeira vez em Lendas e Romances, é o relato incrédulo de um habitante de uma cidade que, enquanto viaja pelo caminho que ligava Goiás a Minas Gerais, conhece um homem, Cirino, que lhe conta como certo dia se deparou com um esqueleto que dançava perto de um rio. No final, a verdade por detrás da história da dança dos ossos acaba por se revelar bem mais aterradora do que qualquer antiga superstição.

"Os autores brasileiros revelam-se mais arrojados e sensacionalistas, mas também mais capazes de provocar uma resposta emocional por parte dos leitores, não se coibindo de os chocar através da descrição de atos repulsivos, tanto a nível físico como moral.”
Ricardo Lourenço

É também sobre o lado mais negro do ser humano que trata o romance mais famoso de Guimarães, A Escrava Isaura (1875), onde é também possível encontrar temas góticos e medievalistas. Também significativo é o poema “Orgia dos Duentes”, em que o escritor misturou o folclore europeu com o brasileiro. “Muitas narrativas [brasileiras] expõem os horrores do regime escravocrata e do racismo inerente a esse regime, ou exploram a degradação moral do homem quando este cede aos seus instintos animais”, sintetizou Ricardo Lourenço. “São comuns as histórias de fantasmas, ou que tratam da possibilidade da vida após a morte, algo que se deve muito ao sucesso do Espiritismo no Brasil. Os cenários predominantes são o sertão e o ambiente decadente dos espaços urbanos.”

Comparativamente com o gótico português, “os autores brasileiros revelam-se mais arrojados e sensacionalistas, mas também mais capazes de provocar uma resposta emocional por parte dos leitores, não se coibindo de os chocar através da descrição de atos repulsivos, tanto a nível físico como moral”, apontou Lourenço. “De forma sucinta, e correndo o risco de generalizar em demasia, creio que os textos portugueses são mais melancólicos, mais contidos na linguagem e nas temáticas abordadas, evidenciando também um certo lirismo.”

Imortal como um vampiro

Apesar de ter continuado a ser produzida depois da época vitoriana, foi no final do reinado da rainha Vitória que o género começou a passar de moda. A sua influência estende-se, contudo, muito além dos finais do século XIX, e chega mesmo até aos dias de hoje. O terror, característica fundamental do género, continua presente na literatura contemporânea e noutras artes, como o cinema. Figuras como Drácula ou Frankenstein nunca deixaram de ser populares, e Hollywood continua a produzir filmes baseados nos romances originais de Bram Stoker e Mary Shelley. Mas porque é que será que isso acontece?

António Monteiro acredita que foi precisamente o cinema o responsável por perpetuar as histórias que os escritores do século XVIII e XIX criaram. “A produção de filmes como ‘The Phantom of the Opera’ [1925], ‘Dracula’ [1931] ou ‘Frankenstein’ [1931] e outros, de grande êxito junto do público, levou o género a sucessivas gerações de espectadores e potenciais leitores, renovando assim o interesse pelo universo gótico”, considerou. “Além desse estímulo claro, é inegável que o mundo do terror continua e continuará a exercer sobre todos nós uma clara atração. Segundo o famoso e importante escritor norte-americano Howard P. Lovecraft, ‘a mais antiga e mais forte emoção do ser humano é o medo e a mais antiga e mais forte forma de medo é o medo do desconhecido’”, acrescentou.

[Entrevista ao sobrinho-bisneto de Bram Stoker, Dacre Stoker:]

Dacre Stoker, sobrinho-bisneto do autor de “Drácula”: “Bram Stoker tinha boas razões para acreditar que os vampiros eram reais”

Na opinião de Ricardo Lourenço, existem vários motivos para “tal popularidade”. “Primeiramente, apesar de se soltar das amarras do realismo, a literatura gótica não se trata de mera fuga à realidade, bem pelo contrário: através dos elementos ficcionais que lhe são característicos, o gótico reflete, figuradamente, não só acerca de importantes questões políticas, sociais e culturais, mas também sobre os medos da sociedade, medos esses que tantas vezes preferimos reprimir”, começou por apontar o organizador de A Dança dos Ossos. “As figuras monstruosas do gótico personificam esses medos e representam ameaças ancestrais, ameaças que acompanharam a humanidade desde a sua origem e que continuarão a assombrar o nosso futuro, facto que assegura a relevância dessas figuras mesmo nos tempos modernos. Em segundo lugar, muito embora a ciência tenha vindo a desmistificar muitas das questões para as quais, durante séculos, procurámos resposta na superstição, a ficção gótica apresenta-nos um visão de certo modo desencantada do mundo, tornando claro que o progresso acarreta certos perigos e que o conhecimento humano continua a ter limites.”

Apesar de ser “pouco original, mas nem por isso mesmo verdadeira”, a melhor definição é a de que “a literatura gótica é uma porta para o medo. As melhores obras do género permitem-nos encarar os nossos receios e, desse modo, compreender melhor quem somos assim como a sociedade em que vivemos, algo a que, no fundo, toda a boa literatura almeja.”

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