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PSD/Madeira reuniu-se na sede e Miguel Albuquerque foi o primeiro protagonista da noite a falar
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PSD/Madeira reuniu-se na sede e Miguel Albuquerque foi o primeiro protagonista da noite a falar

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

PSD/Madeira reuniu-se na sede e Miguel Albuquerque foi o primeiro protagonista da noite a falar

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Sem maioria absoluta e à procura de parceiros: a missão de um Albuquerque legitimado para governar e que não sai para agradar a ninguém

O PSD voltou a vencer na Madeira, não chegou à maioria absoluta e Miguel Albuquerque está de calculadora na mão à procura das soluções que lhe têm sido recusadas.

A vida de Miguel Albuquerque fica bem mais complicada depois desta noite eleitoral. O PSD, que há oito meses conseguiu a estabilidade através de um acordo com o PAN, desta vez está mais isolado e com dificuldades para arranjar quem lhe dê a mão. O problema é mesmo Miguel Albuquerque, ao lado de quem ninguém quer aparecer na fotografia, por ter sido constituído arguido no âmbito de um processo judicial de corrupção. Em cima da mesa estão várias hipóteses e um governo minoritário que passe na assembleia legislativa é uma delas, tendo em conta que vários partidos garantiram que não serão uma força de bloqueio.

A noite, que costuma acabar com a festa e o discurso do vencedor, tomou o rumo oposto. Miguel Albuquerque foi o primeiro a falar, festejou uma “vitória clara”, agradeceu a “confiança” dos madeirenses e celebrou uma “esquerda copiosamente derrotada” que, “além da derrota do PS/Madeira”, contou ainda com a saída do Bloco de Esquerda e da CDU do Parlamento.

Ciente de que tem um longo trabalho de negociação pela frente, Albuquerque mostrou preferência por um “governo com estabilidade” e, com esse foco, deixou a garantia de que o fará sem a “arrogância e a soberba do poder” e abrindo portas para “dialogar com todos os partidos” — com a ressalva de que “obviamente o PS não é nenhuma solução”. A questão que veio a desmistificar ao longo dos últimos meses acabou com uma certeza: Albuquerque conta com o Chega, o mesmo pode não acontecer do outro lado.

“Temos que ter a humildade de interpretar aquilo que é a vontade do povo. A vontade do povo é clara. Espero que o Chega também tenha essa humildade”, afirmou o líder do PSD/Madeira, que desvalorizou os resultados do partido liderado por André Ventura, dizendo que “mesmo alguns partidos que esperavam subir de forma exponencial, não o fizeram”. Mas foi distribuindo responsabilidades ao dizer que está disponível para se sentar à mesa e que quem elegeu deputados não pode fugir: “O que se espera é que os partidos assumam cada um as suas responsabilidades e que seja possível chegarmos a entendimentos.”

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Aos olhos de Albuquerque, o cenário ideal é apresentar ao representante da República um “quadro mais estável”, mas defende-se, alertando que não depende só de si “porque o diálogo tem duas vias”.

Uma coisa é certa, a tese que chegou a ganhar força — até por sugestão do Chega — de que Miguel Albuquerque tem de deixar a liderança para que haja diálogo sem entraves ficou arredada. “Quem manda no PSD não é o Chega, quem manda no PSD são os militantes”, atirou o líder do PSD/Madeira, que já tinha justificado que foi a votos internamente para se sentir legitimado a ir às eleições antecipadas. Portanto, Albuquerque não arreda pé e está investido em encontrar uma solução.

Com os parceiros de portas fechadas para acordos e entreabertas para negociar viabilizações de documentos importantes e imprescindíveis como o programa de governo, Albuquerque deixa ainda em aberto a possibilidade de avançar com um governo minoritário e também de chegar a um acordo, seja ele de governo ou parlamentar.

Por norma o vencedor das eleições é sempre o último a discursar, mas Miguel Albuquerque antecipou-se a Paulo Cafôfo

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Os cenários que vão (quase) sempre dar ao Chega

De calculadora na mão, Miguel Albuquerque sabe de antemão que há um parceiro que facilitava as contas: o Juntos pelo Povo (JPP), por ser o único que é suficiente para não se sentar à mesa com mais ninguém. Élvio Sousa, secretário-geral do JPP, quer primeiro uma noite bem dormida, porque é “boa conselheira”, e prometeu ser um “agente de estabilidade” (“A Madeira não vai ficar ingovernável pela nossa posição”). Ainda assim, habituado a dizer que PS e PSD são “farinha do mesmo saco” e mesmo perante um cenário parlamentar complexo, Élvio Sousa recordou que sempre disse que “o PSD está fora da equação”.

Os outros cenários pintam-se com o Chega: aos 19 deputados do PSD era preciso juntar dois do CDS e quatro do partido do André Ventura; ou até somar os quatro do Chega a um da IL ou do PAN. André Ventura acabou, num discurso através de Lisboa e depois de uma semana na Madeira a fazer campanha, a gabar-se da “centralidade que o Chega adquire” porque “nenhuma maioria natural se constituirá à direita sem a presença do Chega”. Como “elemento decisivo e pivô”, reiterou que “não há nenhuma possibilidade de acordo de governação com Miguel Albuquerque”e que o vencedor da noite “não tem condições políticas para se manter à frente do Governo Regional da Madeira”.

O Chega, através de André Ventura e de Miguel Castro, já o tinham dito, mas foram deixando a porta aberta a outro tipo de equações, nomeadamente a possibilidade de o partido viabilizar o programa de governo. Ou seja: não a um acordo e à tal hipótese de fotografia ao lado de Albuquerque, mas sim a diálogo no Parlamento. Essa perspetiva não foi arredada, mas esta noite os dois líderes, o nacional e o local, sublinharam que não se volta com a “palavra atrás” e que com Albuquerque “não haverá governo” e o Chega não apoia o PSD.

Nuno Melo, presidente do CDS-PP, acabou a dizer ser “absolutamente ridículo que algum líder de um partido tenha a pretensão de decidir das lideranças de outros partidos”. E perante os resultados, recordou a autonomia da Madeira, com José Manuel Rodrigues, cabeça de lista eleito deputado, a garantir que “se o novo Governo Regional, que eventualmente será formado pelo PSD, acolher as propostas do CDS” o partido está “disposto a viabilizar esse governo e esse orçamento, em nome da responsabilidade política”.

A Iniciativa Liberal, que se apresentou a votos com uma postura idêntica do “não é não” a Albuquerque, não se desviou da ideia após reeleger um deputado para a assembleia legislativa e explicou que a postura do partido será “avaliar medida a medida, proposta a proposta, orçamento a orçamento” — deixando a porta aberta para a tal viabilização do programa de governo, que é obrigatória na Madeira.

Albuquerque pode acabar também por recorrer ao PAN, sendo que Mónica Freitas também tem vindo a recusar acordos com o líder do PSD/Madeira, depois de lhe ter retirado a confiança, contudo assumiu possibilidade de diálogo com vista à viabilização do programa de governo.

Um sonho sem grande realidade

Paulo Cafôfo, líder do PS/Madeira, surgiu na noite eleitoral para dizer que a ambição que tinha de construir uma geringonça ainda tem asas para voar. Para que tal aconteça, Cafôfo já o tinha dito e reiterou: os socialistas da Madeira estão dispostos a negociar com todos, exceto com o PSD e o Chega. Também ele de calculadora na mão, referiu que o “PS e JPP juntos têm mais deputados do que o PSD”, 20 contra 19, e disse que “é possível” governar assim.

Ora, as contas implicavam um acordo entre PS e JPP, mas só era possível se contasse com o apoio de CDS, IL e PAN — o que totaliza os 24 deputados necessários para a maioria absoluta. Mas a ambição parece desmedida quando CDS e IL surgem prontos a destruir o sonho de Cafôfo. Pelos liberais, o próprio presidente, Rui Rocha, surgiu para assegurar que não vale a pena perder tempo com a IL. Por sua vez, Nuno Melo também acabou a enviar um recado a Paulo Cafôfo: “Devia estar a pensar na derrota que acabou de ter.”

A verdade é que Paulo Cafôfo, durante a campanha eleitoral, já não tinha reunido um consenso entre os partidos dos quais precisa para levar o PS ao governo através de uma maioria. E a saída do Bloco de Esquerda e da CDU do parlamento regional acabaram por complicar ainda mais as contas de um PS que pouco cresce (apenas tem mais 137 votos) num contexto em que Albuquerque caiu por motivos judiciais — e em que Cafôfo acreditava haver uma oportunidade única para um “virar de página”.

Paulo Cafôfo falou depois de Albuquerque. O socialista disse que vai apresentar alternativa de Governo e já iniciou os primeiros contactos

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Um destino de que fugiu, mas que aceita na Madeira

Numa noite em que ficou em Lisboa, ao contrário da última em que se deslocou à Madeira para estar ao lado de Miguel Albuquerque, Luís Montenegro não deixou de festejar uma “vitória do PSD” que, segundo disse, “não deixa dúvidas”. “Nem o Partido Socialista nem o Chega têm condições para assumir a liderança do Governo regional”, referiu o líder social-democrata, que não esteve na Madeira com Albuquerque e acaba a dizer que os resultados mostram que o governo regional deve “ser chefiado por Miguel Albuquerque”. Confiante na criação de “uma solução que dê governabilidade e estabilidade à região e sobretudo que dê condições para cumprimento da vontade popular”, Montenegro espera que não se “não se repitam mais eleições, de meio em meio ano” e que “haja condições para os que ganharam possam executar o seu programa”.

“Pedir a alguém que ganhou as eleições que se demita não faz sentido e ninguém compreende isso. Quem ganha deve governar”, defendeu ainda o líder do PSD. Aplicando a Albuquerque o mesmo critério que aplicou ao governo que lidera, Montenegro quer ver Albuquerque a governar e espera que na Madeira seja possível uma solução estável. Tendo em conta a realidade, é provável que essa solução seja mesmo com o Chega, aquela que o próprio Montenegro recusou no continente com um “não é não” e que pode vir a servir de arma de arremesso em breve. Até lá, Albuquerque anda mesmo à procura de uma solução e pode mesmo acabar dependente de Ventura.

 
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