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Portuguese authorities from the Judicial Police (PJ) criminal investigation unit on the new search operation amid the investigation into the disappearance of Madeleine McCann in the Arade dam area, in Silves, Faro district, Portugal, 23 May 2023. This operation stems from a European Investigation Order (the old rogatory letters) addressed by the German authorities to Portugal and focuses on the Arade dam, located about 50 kilometers from Praia da Luz, the place where the child disappeared in May 2007, 16 years ago, while on vacation with her parents. LUIS FORRA/LUSA
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LUIS FORRA/LUSA

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Maddie. Novas buscas, o mesmo mistério. O que se sabe até agora?

Dezasseis anos depois, autoridades voltam ao Algarve para fazer buscas. Polícia não esclarece o que motivou diligências na barragem do Arade, mas Brueckner continua a ser o principal suspeito.

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Maddie McCann desapareceu há 16 anos e as autoridades continuam a procurar pistas para desvendar este mistério. Maddie tinha três anos e passava férias na Praia da Luz, no Algarve, com os pais e com os dois irmãos mais novos. Os três ficaram no quarto do complexo turístico da aldeia da Luz, a dormir, enquanto os pais jantavam no restaurante, situado mesmo à frente do apartamento. Quando regressaram, Maddie não estava na cama. Desapareceu a 3 de maio de 2007 e, desde essa altura, várias investigações foram feitas, quer pelas autoridades portuguesas, quer pelas alemãs e inglesas. Os pais, na primeira investigação, foram constituídos arguidos, mas o processo acabou por ser encerrado em 2008 — e reaberto, já em 2013, “por terem surgido novos elementos que justificavam o prosseguimento da investigação”. Desde 2020 que o principal suspeito é o alemão Christian Brueckner, condenado pelo crime de violação, praticado no Algarve, e a cumprir pena de prisão de sete anos na Alemanha.

Agora, ainda sob o mistério do motivo que levou a novas buscas, as autoridades portuguesas, alemãs e britânicas juntaram-se para mais uma tentativa de encontrar vestígios da criança britânica. Vedaram a barragem do Arade e estão, desde as oito da manhã desta terça-feira, a fazer buscas neste local, onde Christian Brueckner boa parte dos seus dias no tempo em que permaneceu em Portugal.

Afinal, que investigações são estas?

Depois de anunciadas no dia anterior, as buscas em terra e na água começaram esta terça-feira às oito da manhã, na barragem do Arade, em Silves. As autoridades portuguesas estimam que as buscas durem dois ou três dias, mas não são claros quais os fatores que poderão colocar um fim às buscas, caso não sejam encontrados indícios que apontem para uma ligação com Maddie McCann naquele local.

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Estas novas diligências surgiram pelas autoridades alemãs, que pediram, ao abrigo de um acordo de cooperação internacional, a realização de trabalhos nesta zona do Algarve, situada a cerca de 50 quilómetros do local onde estava hospedada a família de Maddie no dia em que a criança desapareceu. No entanto, as autoridades não adiantaram qual o motivo que levou a novas buscas. “Por razões táticas de investigação, não serão divulgadas informações mais detalhadas sobre os antecedentes” destas buscas, avançou esta terça-feira a polícia alemã.

Por que motivo estão as buscas a ser feitas na barragem do Arade?

A distância entre a barragem do Arade e o complexo turístico onde estava Maddie na noite em que foi dado o alerta do seu desaparecimento, a 4 de maio de 2007, é de pouco mais de 50 quilómetros. Apesar de as autoridades não avançarem o motivo pelo qual estão a procurar precisamente neste local, certo é que o alemão Christian Brueckner, atualmente o principal suspeito do desaparecimento de Maddie, tinha uma autocaravana e passava muito tempo nesta barragem.

Quais os meios que a polícia tem no local?

A área da barragem do Arade foi vedada e só podem estar naquela zona as autoridades e os meios utilizados para realizar as buscas. Aliás, também o espaço aéreo está interdito, não estando autorizado o sobrevoo de drones e de aeronaves. A operação especial foi preparada pela Proteção Civil e pela Polícia Judiciária e dezenas de agentes têm estado no local.

Foi montada uma base logística a cerca de um quilómetro da barragem, onde foram montadas várias tendas de triagem que, apesar de não serem muito utilizadas pelas autoridades portuguesas, permitem fazer triagem de fragmentos que possam ser encontrados. Neste local, está ainda uma carrinha de operações e comando, que serve como base de comunicação com os operacionais que estão no terreno. A fazer as buscas estão os bombeiros de Silves, quatro equipas da PJ e perto de 20 inspetores alemães. Há também dois cães pisteiros, drones da GNR e ainda uma lancha dos bombeiros de Silves.

Este local já tinha sido alvo de buscas antes?

Sim. Em 2008, esta barragem foi alvo de buscas, mas não foi encontrada nenhuma pista que permitisse resolver o mistério do desaparecimento de Maddie.

As buscas feitas apenas um ano após o desaparecimento da criança de três anos foram pedidas e financiadas por um advogado português, Marcos Aragão Correia, que acabou por contratar mergulhadores, depois de garantir ter recebido uma denúncia que garantia que o corpo de Maddie tinha sido atirado para as águas da barragem do Arade. Na altura, contava o Expresso, o advogado acusou a PJ de ignorar a denúncia sobre a alegada localização do corpo.

Nessas primeiras buscas àquele local, os trabalhos decorreram ao longo de cinco dias e acabaram por não ter sucesso, uma vez que, como contou também na altura o Correio da Manhã, foram encontrados apenas uma meia, cordas e um saco com ossadas — que, depois de analisadas pelos inspetores da PJ, se percebeu pertencerem a um animal.

Ouça aqui o episódio do podcast “A História do Dia” sobre os desenvolvimentos no caso Maddie.

Será possível encontrar algum vestígio de Maddie?

Além de Portugal e da Alemanha, há mais alguma equipa de investigação no local?

Sim, também as autoridades britânicas estão a acompanhar as diligências desta terça-feira e que decorrerão nos próximos dias. A Polícia Metropolitana de Londres, a Scotland Yard, adiantou que está a assistir às buscas também para informar a família de Maddie McCann.

Aliás, Mark Cranwell, inspetor-chefe da Scotlad Yard, disse que estes elementos estão “a trabalhar e a apoiar os seus colegas em Portugal e na Alemanha” e agradeceu “à Polícia Judiciária e ao Bundeskriminalamt” (uma agência federal de investigação criminal) por autorizarem a presença desta polícia britânica “enquanto o seu trabalho está a decorrer, para que possa informar a família de Madeleine de quaisquer desenvolvimentos”.

Christian Brueckner é suspeito do desaparecimento de Maddie. Porquê?

Em 2020, Brueckner, que viveu no Algarve entre 1996 e 2007, foi considerado o principal suspeito do desaparecimento da criança de três anos, com as autoridades alemãs a garantirem ter provas suficientes para acreditar que foi este homem o responsável. Um dos exemplos dados passa pelos carros de Brueckner. O alemão tinha duas viaturas: uma caravana da Volkswagen, modelo t3, de cores branca e amarela, e um Jaguar XJR dos anos 90, de cor escura. E, há dois anos, a polícia alemã disse saber que o suspeito tinha estes dois veículos na zona do aldeamento da Luz quando Madeleine McCann desapareceu.

Há cerca de três anos, a polícia alemã chegou a fazer buscas num terreno onde esteve Brueckner, na Alemanha. Na altura, segundo a BBC, um vizinho garantiu que o alemão chegou ali, à propriedade entre Hanover-Ahlem e Seelze-Letter, no ano em que Maddie desapareceu e alugou a propriedade durante alguns meses, entre a primavera e o verão. O suspeito ter-lhe-á dito que queria isolar-se num casebre construído numa base de cimento existente no jardim — debaixo do qual havia uma pequena cave. Este vizinho foi de férias em julho de 2007 e quando voltou, em Agosto, o casebre já tinha sido demolido e Brueckner já tinha ido embora.

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Mais uma vez, graças a um pedido de cooperação internacional, em abril do ano passado, uma nota de imprensa da Procuradoria de Faro dava conta de que Christian Brueckner tinha sido formalmente constituído arguido no caso do desaparecimento de Maddie. O alemão foi constituído arguido pelas autoridades alemãs, depois de o Ministério Público português ter emitido o pedido internacional, a menos de duas semanas de o caso prescrever em Portugal — a 3 de maio de 2022 cumpriam-se 15 anos do desaparecimento da criança britânica, atingindo o período de prescrição.

Quem é o homem que a polícia alemã acredita que terá matado Madeleine McCann?

Christian Brueckner está preso na Alemanha. Porquê?

Está preso na Alemanha desde 2019 e cumpre uma pena de sete anos pelo crime de violação. O Tribunal de Braunschweig, na Alemanha, deu como provado que Christian Brueckner violou uma mulher norte-americana de 72 anos, em setembro de 2005, na Praia da Luz.

De acordo com a acusação alemã, durante 15 minutos, Brueckner amarrou, amordaçou, agrediu, violou e roubou a mulher que vivia sozinha na Praia da Luz — a pouco mais de um quilómetro do sítio onde vivia. A norte-americana diz ter pedido ajuda a um vizinho e chamado a polícia, já depois de Brueckner ter deixado a sua casa.

Brueckner nunca foi identificado pelas autoridades portuguesas e o caso acabou por prescrever. Só anos mais tarde, em 2017, é que a justiça alemã pegou no caso e, além do relato da vítima, tinha uma prova importante que tinha seguido de Portugal: um cabelo do alemão encontrado nos lençóis da cama da mulher de 72 anos.

Brueckner nunca foi identificado pelas autoridades portuguesas e o caso acabou por prescrever. Só anos mais tarde, em 2017, é que a justiça alemã pegou no caso e, além do relato da vítima, tinha uma prova importante que tinha seguido de Portugal: um cabelo do alemão encontrado nos lençóis da cama da mulher de 72 anos. Como o Observador avançou em 2020, ano em que foi formalmente constituído arguido no caso do desaparecimento de Maddie, a queixa feita em Portugal levou à abertura de um inquérito no Algarve, mas, “na altura, a investigação era feita de uma forma completamente diferente, tudo evoluiu nos últimos anos”, explicou fonte relacionada com o processo.

O criminoso perfeito? Como Brueckner passou ao lado da investigação e 13 anos depois parece ser a chave do mistério Maddie

O alemão nunca foi investigado e condenado por crimes praticados em Portugal?

Foi. E não apenas pelas suspeitas do desaparecimento de Maddie. Aliás, Christian Brueckner esteve preso em território português duas vezes. A primeira detenção aconteceu em 1999, três anos depois de ter chegado a Portugal. Em causa estavam crimes de furto e o alemão acabou por cumprir uma pena de dois meses de prisão na cadeia de Évora. Este homem foi ainda preso uma segunda vez, já em 2006, por ter roubado combustível numa bomba. Condenado a nove meses de prisão, saiu da cadeia cinco meses antes de Maddie ter desaparecido, em dezembro de 2006.

Além do crime de violação, pelo qual o alemão está neste momento a cumprir pena, o Ministério Público alemão acusou Brueckner de, entre 2000 e 2006, ter violado e agredido uma mulher que estava de férias em Portugal. Também durante o mesmo período, altura em que vivia na zona sul do país, as autoridades alemãs suspeitam do crime de abuso sexual contra uma menor alemã, com cerca de 14 anos.

Mas há mais suspeitas de crimes praticados em Portugal. Além do crime de violação, pelo qual o alemão está neste momento a cumprir pena, o Ministério Público alemão acusou Brueckner de, entre 2000 e 2006, ter violado e agredido uma mulher que estava de férias em Portugal. Também durante o mesmo período, altura em que vivia na zona sul do país, as autoridades alemãs suspeitam do crime de abuso sexual contra uma menor alemã, com cerca de 14 anos.

Entre as vítimas, na sua maioria estrangeiras, estará também uma criança portuguesa que, segundo as investigações dos procuradores alemães, terá sido abordada por Brueckner num parque infantil em Bartolomeu de Messines, também no Algarve. Este último crime foi praticado em junho de 2017 e o homem chegou a ser detido no local pela polícia, depois de a criança de 11 anos ter fugido e pedido ajuda ao pai. De acordo com a acusação, Brueckner agarrou a criança e masturbou-se à sua frente.

Christian Brueckner foi investigado e condenado por crimes fora de Portugal?

Sim, Christian Brueckner teve o primeiro contacto com a justiça em 1994, com apenas 17 anos. Nessa altura, respondia por abuso sexual de crianças e o tribunal distrital de Würzburg decidiu condená-lo a dois anos de prisão — pena que não cumpriu na totalidade. Alguns anos mais tarde, em 2005, quando ainda vivia na Alemanha, acrescentou ao cadastro crimes de tráfico de droga e roubo.

Depois, entre 2007 e 2008, foi apanhado duas vezes a vender e a comprar droga na Alemanha e estes crimes de tráfico de droga valeram-lhe mais uma condenação de um ano e nove meses por tráfico de droga — desta vez com pena suspensa. Segundo as autoridades alemãs, durante estes anos, Brueckner passava muito tempo no Algarve, mas continuava a visitar a Alemanha.

Violação, abuso de menores, droga. Os outros crimes de Christian Brueckner, o novo suspeito do caso Maddie

Já em 2014, surgem na justiça alemã outros crimes: exploração sexual de crianças e pornografia infantil. O alemão aproveita para voltar a Portugal, antes de qualquer julgamento, mas a investigação deu origem, em 2016, à emissão de um mandado de detenção europeu. Brueckner não se opôs à sua própria extradição, mas levantou uma objeção: não renunciou ao princípio da especialidade, o que significa que aceitou ser extraditado para a Alemanha apenas ao abrigo daquele processo, e não de quaisquer outros que pudessem estar pendentes ou em investigação. Em 2017, Brueckner chegou à Alemanha para cumprir pena de prisão de um ano e três meses. Foi libertado a 31 de agosto de 2018. No ano seguinte, voltou a ser condenado e ainda cumpre a pena de sete anos na prisão de Oldenburg, 450km a leste de Berlim.

 
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