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Pré-publicação: assim começa o primeiro romance de Sérgio Godinho

O título é "Coração mais que Perfeito" e chega às livrarias na próxima semana. Um livro para contar a história de Eugénia, mulher de destino pouco provável. O Observador revela o início do livro.

O contador de histórias, já o sabemos há muito. Mas agora está em livro como ainda não o tínhamos lido. Coração mais que Perfeito é o título do primeiro romance de Sérgio Godinho e conta a história de Eugénia, “de quem se recorda o destino inverosímil, os desaires e os momentos de felicidade, a infinita capacidade de se reerguer e de continuar a viver”.

É uma narrativa que percorre os temas que Sérgio Godinho sempre cantou. Vitórias e derrotas, amor, sexo, família, livros e palcos. Como as vidas se entrelaçam, se encontram e se perdem. “Coração mais que Perfeito chega às livrarias na próxima semana e terá lançamento oficial dia 25, nas Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim. Antes, o Observador revela o início do livro nesta pré-publicação:

“Coração mais que Perfeito”, de Sérgio Godinho (Quetzal)

“Cinco dias antes, foi ela que acordou tarde. Era feriado, mas nem foi essa a razão. Não costumava. Acordou de sobressalto, porque não estava habituada àquele silêncio. Depois percebeu que se tinha deixado dormir e, adiando o acontecimento maior, deitou-se de novo. O lugar a seu lado estava vazio e ainda quente, achou ela. Nada disso era inesperado. De que sonhos tinha sido a sua última hora? Aquela em que se acorda e adormece e se desenha o caminho e o desfecho? Um silvo agudo e um ronco surdo, junto ao ouvido, tinham sido o seu último farrapo. No sonho ele tinha de morrer, lembrava-se disso. Nos sonhos não se morre. Mas isso só o próprio o pode dizer.

Saltou da cama, na casa de persianas fechadas. Bastou-lhe abrir luz após luz, até à luz acesa da cozinha. Ele, o seu amor: ali estava ele.Parecia não ter sofrido. As costas deitadas na mesa da cozinha, as mãos agarradas a uma faca eléctrica de cortar carne, enterrada no coração. Sangue para todos os lados e um zunir da tomada, quando lhe arrancou com a força o fio. Fim. Tinha morrido sem lhe dizer nada e com o coração de há muito pouco perfeito.

Hoje era o dia. No meio das lágrimas que ameaçavam apagar o fogo, o corpo dele estava a arder. Quase nem tinha tido tempo de arrefecer, tão recentemente morto, estendido e avivado pelo choro sentido – circunstancial em alguns casos, como sempre acontecia – da teia surpreendente de amigos que de repente rodeavam a mulher, Eugénia, e a confortavam. Ela, uma aranha ainda pouco viúva.

Usava uma saia plissada de riscas pretas e brancas (uma forma de luto, afinal), que tinha conservado para ocasiões mais simples,mas que agora estava a cumprir a sua função derradeira: a de balouçar ao vento no cemitério ao mesmo tempo que imaginava que o homem – o seu amor – ia gostar de olhar para ela pela última vez. Na vida, no crematório, e depois da vida. Viveu os dias da autópsia (o duro interrogatório, as impressões digitais e, finalmente, o fim das suspeitas) quase suspensa no tempo, como uma aranha a construir a custo a nova teia. Não tinha por onde mentir, mas nem sequer se apercebeu disso. Queria ir ter com ele. Foram muitas horas e alguns dias entre o dia anterior e o dia de hoje. Chegava a casa muito sozinha. Tinha desligado os telefones e a campainha da porta. Ninguém iria ouvi-la dizer, de voz branca:

«Estou desfeita.»

E não era preciso descrever essa solidão. A solidão é secreta e particular.

Hoje era o dia. Ali estava na sua teia, no meio de tantos olhares. Suspensa também, mas consciente. Eugénia, uma aranha pouco viúva. Ouvindo as vozes.

«Obrigado por teres aturado este grande cabrão do Artur, que se foi tão cedo e nos faz tanta falta. E matar-se assim, faz algum sentido?»

«Os meus sentimentos, minha senhora. Os meus pêsames.»

«O seu marido era um actor de gema. Um elemento indispensável em qualquer elenco. Humanamente, artisticamente.»

O director da estação onde tinha feito telenovela, por entre os trabalhos instáveis. Só lhe faltou dizer: «E fazia-se às gajas.» Claro que se fazia às gajas. A começar por ela e a acabar nela.

«Posso dizer-lhe uma coisa?»

Puxava Eugénia para mais perto.

«Respirava teatro por todos os poros.»

Frase infeliz de se dizer naquela sala em que ninguém respirava por muito tempo, nem os vivos. E, mais num murmúrio:

«E nunca houve a mínima suspeita de assédio, ao contrário do que em certa altura se quis fazer crer.»

No fundo, o rapaz sabia, o tal Artur. Tinha o mesmo nome do marido, o seu homem. E ela relembrou (tão bem!) que não era uma coincidência. Tinha passado muito tempo, mas os olhos cor de avelã verde não enganavam – eram os mesmos.

Era uma estranha variante, e completamente desajustada para o momento. Quem fazia crer? E porque não? E ainda, num abraço, a afirmação invulgar de um rapaz de olhos verdes:

«Foi você que fez com que ele fosse como ele era.»

Reconheceu-o pela voz e sobretudo pelos olhos. Estavam mais pessoas na fila, mas chamou-o de volta com um aceno ouvido na sala. Perguntou-lhe o que é que ele tinha dito. Ele olhou para ela e nem percebeu a pergunta, deu-lhe outro abraço verdadeiro. Chamaram-no de fora:

«Artur!»

E saiu e foi fumar para a entrada. Mas ela sabia a resposta. Ele tinha dito:

«Foi você que fez com que ele fosse como ele era.»

Podia ser que fosse uma coisa simples de se dizer, uma simples charada de conveniência. Não era, não era nada disso. Sim, tinha sido ela a fazer quem ele era, e como ele era, porque o tinha amado também à sua maneira. Como ela era. Mas, por outro lado, não tinha sido ela. Ele já era assim. Nenhum toque de varinha mágica o faria ser como ele desde sempre tinha sido.

No fundo, o rapaz sabia, o tal Artur. Tinha o mesmo nome do marido, o seu homem. E ela relembrou (tão bem!) que não era uma coincidência. Tinha passado muito tempo, mas os olhos cor de avelã verde não enganavam – eram os mesmos. Verdadeiros e profundos, debaixo das sobrancelhas. O filho perdido, que ela tinha conhecido em circunstâncias tão diferentes.

Mas agora não era a altura de encarar o Artur-pai em qualquer outro papel. Tê-lo visto a representar tantas vezes, em tantos palcos, actor de verdade e verdadeiro na vida – era o que a iluminava agora. O seu último grande papel.

Agora o corpo estava a arder. Chamas contra chamas. Tinha sido já torneado e queimado, o seu coração, muito antes do dia desse encontro com a morte. Chamas contra chamas. Mas pouco tempo depois, tão pouco tempo depois, iriam ser só cinzas junto de outras cinzas.

O sol nascente e o sol poente, «o vulcão do meu amor, as cinzas do meu amor».

Não quis descrever a si própria o momento em que o corpo desapareceu no túnel de fogo e dos seus antigos desejos. Chorou pela segunda vez para si mesma, sem que os poucos que lá estavam vissem ou deixassem de ver. O filho oficial dele, chegado in extremis, com uma tia mais que velha, meia irmã de Artur, a candidata seguinte desde há vários anos, resistente natural, nonagenária imparável de memória antiga e lacunas recentes. Tinha-se vestido como deve ser, de preto, e estava sinceramente comovida, porque para ela os funerais eram corpos deitados à terra e uma cruz em cima – muitas pás de terra e sol ou chuva. Nunca tinha visto eles arderem e desaparecerem naquele tubo de fogo. A primeira cremação e ela ainda em vida. O seu irmão muito mais novo.

Já tarde, ainda apareceu uma outra cunhada de Eugénia, irmã gémea do morto, impaciente, trazendo por certo uma grande e genuína mágoa e um olhar difuso de recriminação – a quem o tinha deixado morrer. Chegou tarde, já passava da hora, pediu à porta para chamarem a viúva.

«Como é que se chama a senhora viúva?»

«Eugénia. E eu Irene, e sou a irmã do senhor que vai ser cremado.»

Irene à porta do forno. O homem foi e voltou.

«A Dona Eugénia não vai poder vir, porque o corpo do marido já foi cremado, acabou de ser cremado. Não se sai por este lado. Terá de tentar a porta de trás.»

Foi assim que Irene, a irmã que alimentava a mais evidente paixão pelo irmão gémeo, e vários ciúmes pela cunhada, falhou a última porta de acesso ao seu querido amor. A porta redonda do crematório. Chegava sempre atrasada, uma forma crónica de estar na vida, e neste caso – pensava, furiosa – na morte. Tanto que ela queria ter sido a primeira das últimas a vê-lo desaparecer.

Ainda contornou o edifício, mas a porta de trás já não tinha mais ninguém. Nem mais ninguém nem Eugénia, a quem ela queria lançar um olhar de acrimónia e, apesar de tudo, compadecimento.

«Eugénia, estás de volta à vida.»

Ela a ouvir fechar a porta do forno e ao mesmo tempo essas palavras. Seria impróprio pensar nisso, naquele instante. Mas tinha sido a velha irmã a dizê-lo, amparada na sua sobrinha Alice, que sorria como quem se associa à dádiva. Tinha-o dito já de saída, a despedir-se. Apontando-lhe o dedo primeiro e, depois, enfiando-o na sua barriga.

«Eugénia.»

Foi ela que a fez quase rir, e pensar no meio da perda e do luto:

«Nada vale o que é demais.»

Tinha amado demais aquele homem. Mas não era ainda a altura de confrontar-se com isso. A vetusta senhora tinha-lhe dado – por sabedoria leve e acumulada – a prenda do seu agora presente:

«Eugénia, estás de volta à vida.»

Amparando a tia, Alice, a primeira sobrinha, a mais cúmplice, estava de acordo e dizia que sim. Sorria.

A altura era, agora, de recolher ossos, olhos, pés, pulmões, braços e corações, um pequeno amontoado já cheio de memórias, lacunas e saudades. O corpo inteiro numa pequena caixa de metal. Tal qual as chamas, uma caixinha torneada e artística de metal. Arrefecendo rapidamente, apagada que tinha sido a vida.

Regressou à casa vazia sem precisar de conferir a temperatura. Estava frio, como já estava antes, só um pouco mais no Inverno do que no Verão. Tinham-na deixado à porta dois amigos e seus antigos namorados, que agora mudaram de rumo e eram um casal sólido, apesar das amantes femininas mais ou menos conservadas. Queriam entrar. Agora não. Estava cansada – a sua própria cabeça estava doente do seu homem defunto. Viu-os da janela dizerem coisas bruscas um ao outro, o carro ainda estacionado. Virou costas, a cozinha à esquerda e o corredor em frente. Tinha saído dali, a sua onda em direcção à morte. Ficou encostada à parede, a parede estava fresca, sabia-lhe bem.

«Livrei-me dele. Nada vale o que é demais.» Era um simples pensamento no meio da solidão, o primeiro de muitos.

Tinha entre mãos a caixinha torneada de metal. Dentro, doa a quem doer, o corpo dele. Era dela. Doía.

Tinha sido uma luta breve pelo direito ao acompanhar das cinzas; o filho e a nora a quererem saber onde ia guardar-se a desde já venerada caixinha, se ia ficar num lugar digno ou se arrumada num armário. O armário dos remédios? Seria essa a última hipocondria partilhada com o pai e – portanto – com o sogro. Iriam vê-lo ao armário dos remédios, a ele, bom praticante da hipocondria, primeiro ligeira, depois intensa e, finalmente, fatal.

"Deve ser difícil falar de nós próprios. Fala-se muito e diz-se pouco. Ao longo do dia e da semana, vai se tendo menos ímpeto. E sexta à noite, quando se sai, fala-se de tudo menos de nós próprios – embora isso acabe por ser o verdadeiro auto-retrato, tirado nessas horas e expedido ao minuto para as redes sociais."

No fundo, perguntavam: que casa era aquela, agora sem ele?

«É a casa dele. Venham, mas telefonem primeiro.»

Já faziam isso antes.

«Liguem.»

A resposta era óbvia, e nem precisava de palavras. Eles não iam ligar para ele; iam ligar para ela. Havia uma diferença, à qual a caixinha torneada não iria responder. Ela sim. Havia uma diferença, porque tinha feito questão de tomar posse da caixa desde a primeira hora. Legalmente, tinha direito a isso.

A questão era ética, na justa medida em que, como viúva, e à falta de testamento, ela até considerava que a herança era de facto para repartir como eles quisessem (e havia algum dinheiro), mas a única coisa que tomava por sua, absolutamente sua, era a caixinha de metal.

E, se possível, um tanto ao fim do mês, precisava disso – embora menos do que todos podiam temer.

Ela sabia. Ia pô-lo na estante de pedra, por cima da lareira. Lume brando. Ali ficaria a transitar da vida para a morte, como ele afinal desejaria e nunca conseguiu. Se a sua morte foi de repente, não deixou de ser uma morte lenta – vinha sendo preparada em quartos muito separados da sua cabeça já doente.

Mas não ia ficar ali para sempre, naquele tumulozinho triste a brilhar por fora. A morte não é para sempre. Sabia o que ia ainda fazer com ele, aquele corpo e aquela alma. Iria fazê-los brilhar, então sim, para todo o sempre. Foi à cozinha e lembrou-se de que a mesa tinha sido também levada para análise na Medicina Legal. Só encontrou leite fora de prazo para aquecer. Aqueceu-o na mesma, bebeu-o devagar sem lhe sentir sabor algum. Sim, estava azedo. Pousou-o na banca. Estava sozinha desde há muito. Bebeu tudo.

Deve ser difícil falar de nós próprios. Fala-se muito e diz-se pouco. Ao longo do dia e da semana, vai se tendo menos ímpeto. E sexta à noite, quando se sai, fala-se de tudo menos de nós próprios – embora isso acabe por ser o verdadeiro auto-retrato, tirado nessas horas e expedido ao minuto para as redes sociais. O fim-de-semana de todos os escapes, excessos, o sol a nascer, a noite a morrer. E com ela o corpo, por um dia de sono fundo.

O resto do tempo é tomado por pequenas efemérides, os ditos dos sobrinhos ou dos filhos, dos afilhados, a inveja mal disfarçada da colega do lado, a querela requentada com o querido cônjuge, a pequena conversa às vezes necessária sobre coisas inúteis, os «factos da vida», os simples factos da vida.

Mas ela queria falar de si própria.

«Fala de ti própria, Eugénia.»

Gostava do nome que em garota tinha recusado (era precoce) e depois amado e por vezes rejeitado, uma simples guerra por um nome – tal como as guerras reais se desencadeiam por uma só ofensa ou uma só bala no coração.E que se prolongam numa agonia no fundo já esperada, e depois dolorosa, e estrepitosa, sem armistício próximo,sem trégua à vista, e com muitos soldados desconhecidos e outros demasiado conhecidos. Sempre tinha sido assim, a sua necessidade do nome próprio.

«A menina é de quem?»

Só podia responder:

«Sou dos meus pais.»

«E os seus pais quem são?»

«Acho que são filhos dos meus avós. E os meus avós…»

Parecia uma provocação, mas era apenas um pequeno, um simples facto da vida. Podia ter continuado, se os perguntadores não desistissem depressa. Desistiam. Pateta ou malcriada, não conseguiam decidir. E ela a fazer-se de burra. Assim, numa espécie de insolência tranquila, atravessava a adolescência sem olhar muito para trás, nem saber muito bem o que fazer no futuro.

«E o que é que a menina quer fazer, quando for grande?», perguntava a professora, a tratá-la por você, reagindo a um texto dela em que não dava nenhuma importância aos seus dezasseis anos.

Silêncio. Ainda ouviu o colega do lado dizer entredentes:

«Quer fazer broche.»

Não gostava da professora. Olhou-a e disse:

«Quero fazer a barba.»

«Queres fazer o quê?»

«Quero fazer a barba. E mudar de sexo e dar socos no Zé Maria.»

O colega do lado. Também não gostava dele. De facto, pensou, mas não disse:

«E enrabar o Zé Maria. Mudar de sexo e enrabar o Zé Maria.»

Teria havido mais gritos e risos. Disse baixinho, mas foi ouvida por colegas delatores. Tinha dito. Foi suspensa por três dias. Nada que a incomodasse, à parte o ter escondido da tia Aurora, que tomava conta dela, depois de a mãe ter desaparecido por uns tempos. Talvez à procura daquele homem que nunca mais iria voltar. Mas nem era preciso esconder: a tia Aurora, ex-anoréxica e depois bulímica, fazia os serviços mínimos e nem lia os relatórios escolares. Não tinha de ler. Eugénia estava à solta e estava muito bem assim. Pelo prisma de cada uma, as coisas
funcionavam, e a tia Aurora não soube sequer da suspensão.

Viveu os três dias num equívoco despreocupado. A escola pensava-a em casa, Aurora pensava-a na escola. E ela, compreendendo essa vantagem, saiu de casa à sua hora habitual, virou para a estação, viu qual dos comboios suburbanos ia até uma terra próxima que não conhecesse. «Gerir as poupanças», sabia-o de instinto.

Voltava sempre à hora de chegar da escola, mais horário de comboio, menos horário.

«Portaste-te bem?»

«Portei.»

De facto, tinha-se portado bem, a conhecer outras terras, como ninguém sabia – nem a tia Aurora. Duas vilas e uma cidade. Andar nas ruas e dar atenção a tudo. A maneira tola de os da sua idade se abraçarem, que talvez só tivesse compreendido por ser de outro lugar. Beber duas cervejas na rua principal. Ver vitrinas de lojas de noivos, ouvir anúncios num altifalante voltado para a rua, o que ela não achava que fosse boa ideia. Ouvir o sino a bater as horas. E conversas de telemóvel. Beber mais uma e comer tremoços e regressar a horas,um pouco tonta e bastante feliz. Três dias nas poupanças e um grande resultado. Atrasou-se de propósito no regresso a casa. Achava que merecia.

A tia Aurora nem tinha ficado no quintal nem à porta da casa.Estava ocupada a negociar com as suas queridas calorias. Noventa e oito, cento e um quilos de negociação, o deve e o haver, chocolate, copos de água e de aguardente e televisão. Eugénia, que chegasse quando chegasse, desde que prometesse. Verdade que nenhuma delas fixava a hora da promessa.

Paz à sua alma era coisa que a sua alma não tinha. Era assim também a sua vida. Tinha a inconstância de certos audazes, que se lançam em voos improváveis e ousados, sem saberem em que campo vão mais tarde aterrar.

Fala de ti própria, Eugénia.”

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