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A capacidade hospitalar para acolher doentes que precisam de internamento é uma das principais preocupações na região da Grande Lisboa, a mais afetada pelo surto de Covid-19

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A capacidade hospitalar para acolher doentes que precisam de internamento é uma das principais preocupações na região da Grande Lisboa, a mais afetada pelo surto de Covid-19

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Vários hospitais com mais de metade das camas ocupadas. Como está a pressão hospitalar na Grande Lisboa /premium

Hospital Beatriz Ângelo perto de esgotar capacidade de internamento. Amadora-Sintra já começou a transferir doentes. Curry Cabral tem dois terços de camas ocupadas. Veja o levantamento do Observador.

Vários hospitais da região da Grande Lisboa têm metade ou mais da sua capacidade de internamento de doentes com Covid-19 ocupada — e alguns já foram obrigados a transferir pacientes para outras unidades menos pressionadas, de acordo com um levantamento feito esta segunda-feira pelo Observador.

Na conferência de imprensa desta segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, falou sobre a capacidade hospitalar em Lisboa e Vale do Tejo — que nas últimas semanas concentra a maioria das preocupações da epidemia de Covid-19 em Portugal —, negando que haja uma “grande pressão” sobre as unidades hospitalares, mas reconhecendo que alguns hospitais têm mais de 90% da sua capacidade de internamento ocupada.

De acordo com informações recolhidas pelo Observador junto de vários hospitais da área metropolitana de Lisboa, há unidades a trabalhar no limite e a transferir doentes ou a preparar-se para isso. Outras, por seu turno, têm conseguido adaptar-se à procura, embora mantenham mais de metade das camas ocupadas. O fenómeno é tanto mais preocupante quanto mais perto da área metropolitana se encontram os hospitais.

Serviços de saúde em Lisboa e Vale do Tejo “não estão sob grande pressão”. Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, esgotou capacidade

Hospital Beatriz Ângelo (Loures) praticamente no limite

Camas em enfermaria: 67, das quais 51 estão ocupadas

Camas de cuidados intensivos: 10, das quais 7 estão ocupadas

O hospital Beatriz Ângelo — instituição do SNS em Loures gerida em regime de parceria público-privada pelo grupo Luz Saúde — é um dos casos mais preocupantes na região da Grande Lisboa. Na conferência de imprensa desta segunda-feira, António Lacerda Sales referiu que aquele hospital já tinha atingido, nos últimos dias, uma taxa de ocupação de 100% no que diz respeito às camas destinadas à Covid-19.

Ao Observador, fonte oficial do grupo Luz Saúde forneceu os números detalhados referentes a esta segunda-feira. O hospital tem atualmente um total de 67 camas dedicadas à Covid-19, das quais 62 são em enfermaria geral e 5 são no serviço de doenças infecto-contagiosas — ocupadas em último lugar, por se destinarem prioritariamente a doentes com doenças como, por exemplo, a tuberculose. A estas, juntam-se 10 camas de cuidados intensivos.

Esta segunda-feira, 51 pessoas encontravam-se internadas em enfermaria com Covid-19 no hospital Beatriz Ângelo (46 na enfermaria geral e 5 na unidade de doenças infecto-contagiosas). Ao mesmo tempo, sete pessoas encontram-se internadas em cuidados intensivos no hospital de Loures. Isto significa que, esta segunda-feira, o cenário já não era de 100% de ocupação, mas a mesma fonte confirmou que há três dias o hospital chegou a ter as dez camas de cuidados intensivos ocupadas e que tem estado sempre “na linha vermelha”.

Ao contrário do que já está a acontecer no hospital Amadora-Sintra (que já transferiu alguns doentes para o Hospital Militar de Belém como parte do plano de resposta a nível regional para lidar com o esgotamento das capacidades dos hospitais), o hospital de Loures ainda está a analisar a possibilidade de integrar o protocolo com a Administração Regional de Saúde e o Hospital Militar.

O hospital Beatriz Ângelo tem estado perto de esgotar a capacidade de internamento

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Depois das notícias, no final de maio, que davam conta de que o hospital Beatriz Ângelo estava a chegar ao limite das suas capacidades devido à velocidade de propagação do vírus em Loures, seis doentes foram transferidos para outras unidades: dois foram para o hospital de Santa Maria, em Lisboa, e quatro foram para o hospital de Abrantes (Centro Hospitalar do Médio Tejo).

Hospital de Santa Maria (Lisboa) com mais de metade da capacidade ocupada

Camas em enfermaria: 84, das quais 48 estão ocupadas

Camas de cuidados intensivos: cerca de 20, das quais 14 estão ocupadas

O maior hospital do país foi classificado pelo secretário de Estado da Saúde como estando numa situação “intermédia” entre os menos e os mais preocupantes, com uma taxa de ocupação dos internamentos entre os 70 e os 75%.

Segundo explicou fonte oficial do Centro Hospitalar de Lisboa Norte ao Observador, aquele hospital lisboeta tinha nesta segunda-feira um total de 84 camas de enfermaria dedicadas à Covid-19, distribuídas ao longo de quatro enfermarias. Três delas são exclusivamente dedicadas à Covid-19 (totalizando 63 camas), enquanto uma quarta enfermaria acolhe os doentes que, tendo um quadro clínico que exige internamento, aguardam ainda o resultado do teste ao novo coronavírus: se der positivo, ficam numa das enfermarias alocadas à infeção; se der negativo, são encaminhados para outro serviço do hospital. A estas, juntam-se cerca de 20 camas de cuidados intensivos — um número dado por aproximação ao Observador com a justificação de que o hospital ainda tem capacidade para mobilizar mais camas de UCI para a ala dedicada à Covid-19.

O hospital explica que tem um plano “bastante expansível” para alargar a capacidade de acolhimento que, até agora, ainda não precisou de ser posto em prática. De acordo com a mesma fonte, na situação mais dramática, o hospital conseguiria disponibilizar mais de 300 camas de internamento e um máximo de 120 camas de cuidados intensivos.

No hospital de Santa Maria, há quatro enfermarias destinadas a acolher doentes com Covid-19

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Esta segunda-feira, o hospital de Santa Maria tinha 48 doentes internados nas enfermarias e 14 doentes a receber cuidados intensivos. Até ao momento, o hospital não esgotou a sua capacidade e ainda não teve de transferir nenhum doente para outra unidade de recurso. Ainda assim, de acordo com o Diário de Notícias, o centro hospitalar tem reportado a taxa de ocupação à ARS de Lisboa e Vale do Tejo com vista a uma possível transferência de doentes para o hospital militar de Belém, sobretudo depois de, na semana passada, um pico ter feito o hospital aproximar-se do limite de internados em cuidados intensivos.

Hospital Amadora-Sintra já está a transferir doentes

O hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, conhecido pelo antigo nome de Amadora-Sintra, os dois concelhos da área metropolitana de Lisboa que serve, é o exemplo mais claro dos efeitos que o esgotamento da capacidade de internamento está a ter na região de Lisboa.

Segundo noticiou na última sexta-feira o Expresso, o hospital já se encontrava a transferir doentes para outras unidades, depois de ter atingido a capacidade máxima: 70 doentes em internamento. Ao longo desta segunda-feira, não foi possível contactar o hospital Amadora-Sintra com o objetivo de confirmar a atual capacidade máxima da instituição nem para obter dados atualizados sobre a situação.

De acordo com a notícia do Expresso, o hospital atingiu a capacidade máxima apenas nos internamentos em enfermaria — os menos graves. Naquele dia, cerca de dez doentes já tinham sido transferidos. De acordo com o Diário de Notícias, cinco deles foram para o Centro de Apoio Militar (CAM), instalado no antigo Hospital Militar de Belém. Os restantes doentes foram enviados para o hospital de Abrantes.

O hospital Amadora-Sintra já teve de começar a transferir doentes para outras unidades

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

No que toca à capacidade de internamento em cuidados intensivos, o hospital ainda não atingiu a totalidade, embora não tenha sido possível confirmar o número de camas atualmente alocadas à Covid-19. Esta segunda-feira, quando questionado na conferência de imprensa diária sobre os hospitais da região de Lisboa mais pressionados pela Covid-19, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, colocou o hospital Amadora-Sintra em segundo lugar na lista, com 93% da capacidade esgotada.

Hospital Garcia de Orta (Almada) com um terço da capacidade ocupado

Número total de camas disponíveis: 48

Número de doentes internados: 14 em enfermaria e três em cuidados intensivos

Em maio, o hospital Garcia de Orta, em Almada, chegou a estar preparado para receber mais de uma centena de doentes com Covid-19. Atualmente, após algumas reconfigurações na organização da unidade, que se adequou à procura, o hospital tem um total de 48 camas alocadas à ala Covid-19. Fonte oficial do hospital avançou este número ao Observador sem, contudo, especificar quantas destas camas são em enfermaria e quantas são em cuidados intensivos.

Esta segunda-feira, o hospital tinha um total de 17 doentes internados com a doença. Destes, 14 estavam em enfermaria e três estavam na Unidade de Cuidados Intensivos. Desses três, apenas um necessitava de ventilação externa.

Autoridades de saúde preparam-se para encerrar cafés do bairro da Jamaica. Associação de moradores tinha dado o alerta

Questionada sobre a possibilidade de esgotamento da capacidade do hospital, fonte da instituição garantiu que “a situação é monitorizada diariamente e ainda não se colocou esse problema”. Ainda assim, o hospital preparou-se para a possibilidade de ter de aumentar a sua capacidade depois dos surtos que apareceram nos bairros da Jamaica e de Santa Marta de Corroios. Porém, a preocupação não se veio a concretizar e o hospital não se aproximou da capacidade máxima.

Hospital Curry Cabral (Lisboa) com mais de dois terços ocupados

Camas em enfermaria: 63, das quais 45 estão ocupadas

Camas de cuidados intensivos: 8, das quais 5 estão ocupadas

Parte do grupo dos três hospitais inicialmente ativados para receber doentes com Covid-19, o Curry Cabral, em Lisboa, chegou a ser a principal linha da frente no combate ao coronavírus em Portugal. O hospital tem mantido sempre um número significativo de doentes em internamento, embora não seja agora uma das situações mais preocupantes na região.

O hospital Curry Cabral foi um dos primeiros a receber doentes com Covid-19 em Portugal

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

De acordo com fonte oficial do Centro Hospitalar de Lisboa Central, o hospital tem um total de 63 camas em enfermaria disponíveis para receber doentes com Covid-19, das quais 45 estão ocupadas. Já em termos de Unidade de Cuidados Intensivos, o hospital tem oito camas alocadas ao coronavírus, das quais cinco estão ocupadas.

No mesmo centro hospitalar, o hospital de São José, também no centro de Lisboa, tem disponíveis 10 camas de cuidados intensivos, das quais apenas três estão neste momento ocupadas por doentes com Covid-19.

Hospital Dona Estefânia (Lisboa) com metade da ocupação

Camas em enfermaria: 6, das quais 3 estão ocupadas

Camas de cuidados intensivos: cerca de 2, das quais 1 está ocupada

No início de junho, a diretora-geral da Saúde anunciava uma “notícia muito boa” para o país: a julgar pelos dados do hospital pediátrico de Dona Estefânia, em Lisboa, não havia crianças infetadas com Covid-19 em cuidados intensivos no país e apenas duas se encontravam internadas em enfermaria.

Na última semana, a situação parece ter mudado. De acordo com dados fornecidos ao Observador por fonte oficial do Centro Hospitalar de Lisboa Central, das seis camas de enfermaria dedicadas à Covid-19 no hospital, três estão ocupadas. Já nos cuidados intensivos, das duas camas disponíveis, uma encontrava-se esta segunda-feira ocupada.

Mais longe de Lisboa, situação menos preocupante

Com a maior preocupação a focar-se na região da Grande Lisboa, os hospitais da região que se encontram mais longe da capital vivem agora a situação menos grave.

É o caso do hospital de Setúbal que, apesar de o secretário de Estado Lacerda Sales o ter incluído na lista dos mais preocupantes com 86% de ocupação nos internamentos, tinha esta segunda-feira apenas dois doentes com Covid-19 internados — nenhum deles em cuidados intensivos.

No hospital de Setúbal, há apenas dois doentes com Covid-19 internados

MELISSA VIEIRA / OBSERVADOR

Segundo fonte oficial, o hospital dispõe de uma enfermaria inteira alocada à Covid-19 (cerca de duas dezenas de camas, número aproximado), mas apenas duas camas se encontravam esta segunda-feira ocupadas.

Por outro lado, o Centro Hospitalar do Médio Tejo, com unidades em Abrantes, Torres Novas e Tomar, encontrava-se esta segunda-feira com apenas 26% de ocupação nos internamentos, de acordo com o secretário de Estado — motivo pelo qual tem sido o destino de vários doentes transferidos de unidades mais pressionadas na Grande Lisboa.

O Observador contactou ainda outros hospitais da região da Grande Lisboa, públicos e privados, mas não foi possível obter até ao momento da publicação deste artigo números definitivos sobre a capacidade de internamento e ocupação dessas unidades.

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