1. O que é o VIH? E a SIDA?

  2. VIH é a sigla para Vírus da Imunodeficiência Humana, e SIDA para Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida. Com o passar dos anos, a sigla evoluiu para nome e “sida” passou a ser o nome da doença.

    A sida é uma doença não hereditária causada pelo vírus da imunodeficiência humana e que fragiliza o sistema imunitário, responsável pela defesa do nosso organismo.

    O VIH é o causador da SIDA, mas se alguém está infetado não significa que tem a doença – já que o vírus pode ficar no corpo por tempo indeterminado sem que se manifestem sintomas. Mas quando uma pessoa está infetada com o VIH, diz-se que é seropositivo.

    Um seropositivo  pode não ter a doença, mas está infectado com o vírus e pode, por isso, transmiti-lo a outra pessoa.

    A sida passou de doença terminal a crónica. Não tem cura, mas pode ser controlada com terapias anti-retrovirais.

    HIV é a sigla em inglês para VIH e significa Human Immunodeficiency Virus.

  3. Quanto tempo pode durar a fase assintomática?

  4. A fase assintomática da infeção pelo VIH corresponde ao intervalo de tempo entre o momento em que alguém é infetado com o vírus até à altura em que aparecem os primeiros sintomas da doença. É uma fase em que o seropositvo está bem e pode durar até entre oito a dez anos.

    Nesta fase, a infeção só é detetada a partir das análises específicas para o VIH.

    Com a evolução da medicina, é possível estender a duração do período assintomático e prevenir o aparecimento de infeções e tumores que definem a passagem para o estádio da sida. Para que tal seja possível, é indispensável que o seropositivo tenha acompanhamento médico adequado.

     

  5. O que é o sistema imunitário e que funções tem no nosso organismo?

  6. O sistema imunitário é uma rede de células e de moléculas. Um destes grupos de células é constituído por glóbulos brancos e, por sua vez, dentro destes, existem os linfócitos.

    Existem vários géneros de linfócitos e os de tipo “B” produzem anticorpos, essenciais para o sucesso de grande número de vacinas. Existem também os linfócitos “T”, que se subdividem em CD4+ e CD8+.

    O VIH infeta e ataca, principalmente, os linfócitos CD4+, que são os que comandam o sistema imunitário.

  7. Como é que o VIH atua?

  8. À medida que se desenvolve, o VIH enfraquece o sistema imunitário. Quando o VIH se instala, ataca sobretudo os linfócitos CD4+ (os que comandam o sistema imunitário).

    Estes linfócitos são responsáveis por dar uma resposta imediata e eficaz aos agentes estranhos ao organismo. Se os CD4+ não funcionarem corretamente, ou se forem destruídos, o sistema imunitário deixa de funcionar.

    Ou seja, quem é infetado com o VIH perde células coordenadoras do sistema imunitário até que ele deixe de funcionar, permitindo que se instalem doenças oportunistas no organismo, que perde a capacidade para se defender.

  9. O que devo fazer se tiver um comportamento de risco?

  10. Quem tem um comportamento de risco deve dirigir-se ao seu centro de saúde, a fim de fazer o despiste da infeção.

    Este rastreio, que é anónimo e gratuito, pode ainda ser realizado nos CAD – Centros de Acolhimento e Deteção Precoce VIH.

    Mas, lembra Ricardo Batista Leite, médico coordenador  de saúde pública na Universidade Católica, “todas as pessoas devem fazer o teste, independentemente de terem ou não comportamentos de risco”.

    Nos CAD o utente falará com um profissional de saúde, com quem poderá conversar sobre os motivos que o conduziram ali, assim como tirar dúvidas, antes de fazer o teste de VIH.

    Os resultados serão transmitidos por um psicólogo e em total confidencialidade. Nesta fase, o utente poderá conversar sobre o resultado e esclarecer novas dúvidas que surjam.

    Para saber quais os horários dos CAD, clique aqui.

    Se o resultado for positivo, os profissionais do CAD aconselham sobre os próximos passos e o utente é encaminhado para os serviços médicos adequados.

  11. O que faço se tiver um resultado positivo num teste?

  12. Se o resultado do teste de VIH for positivo, quer dizer que se detetaram anticorpos anti-VIH no sangue, o que significa que houve contaminação pelo vírus. Quem contrai o vírus ficará infetado para toda a vida, pelo menos até novas descobertas científicas. O infetado pode transmitir o vírus porque os linfócitos infetados estão no sangue, no esperma ou nas secreções vaginais.

    No caso de um primeiro teste dar positivo deve ser sempre feito um segundo teste de rastreio que o confirme.

    O paciente deve recorrer ao seu centro de saúde de imediato para apresentar o resultado das análises ao seu médico de família (os utentes em risco têm prioridade no acesso a um médico de família, em caso de ainda não ter sido atribuído nenhum).

    A partir do centro de saúde, o paciente será encaminhado para o serviço de infecciologia do hospital de residência, onde será acompanhado.

    Existem ainda várias linhas de apoio para onde se pode ligar. Deixamos três exemplos:

    Liga Portuguesa Contra a Sida – 800 20 10 40

    GAT – Grupo de Ativistas em Tratamento – 707 240 240

    Saúde 24 – 808 24 24 24

     

     

     

     

  13. Como é o tratamento do VIH?

  14. A Sida ainda não tem cura por isso não existe uma forma de eliminar o vírus do organismo por completo, mas é possível controlar a propagação do vírus no organismo.

    A terapêutica atual reduz a carga vírica e retarda os danos que o VIH provoca no sistema imunológico. Os medicamentos diminuem mesmo as percentagens de vírus no sangue em poucos dias.

    Grande parte das pessoas que tem acesso ao tratamento, e que o cumpre de acordo com as indicações do seu médico, consegue eliminar o VIH do sangue (desde que este ainda não se tenha alojado nas células, estágio em que já se tornou Sida). Através do controlo com os medicamentos, e apesar do vírus já não ser identificado no sangue, este permanece no organismo. É por isso que o risco de transmissão do VIH a outras pessoas se mantém.

    Os medicamentos anti-retrovíricos podem ser administrados em qualquer uma das fases da infeção: na grave, na assintomática, na fase sintomática, mas que ainda não é considerada sida, ou na de sida propriamente dita.

    Quando a terapêutica começa a fazer efeito e a reprodução do vírus é menor, é sinal de que a doença não está a progredir.

    Existem três tipos de medicamentos que atuam de diferentes formas (e em fases diferentes do ciclo de reprodução do vírus) e que costumam ser administrados em conjunto. Esta terapêutica chama-se Anti-Retrovírica de Elevada Potência.

    Ou seja, o tratamento reduz o vírus, preserva e melhora o sistema imunitário e retarda a evolução da doença. Desta forma, as doenças oportunistas associadas ao VIH são controladas, ao mesmo tempo que se aumenta (e prolonga) a qualidade de vida do paciente.

  15. Fiquei infetada durante a gravidez. Vou transmitir o vírus ao meu bebé?

  16. O rastreio ao VIH é feito a todas as mulheres grávidas e muitos casos são diagnosticados neste momento. Mas, como recorda o médico coordenador de saúde pública da Universidade Católica, o vírus tem “um período de janela até seis meses”, pelo que pode não ser detectado no início da gravidez – daí ser difícil perceber se a mulher já estava infetada ou se o foi apenas durante a gravidez.

    De uma forma ou de outra, se uma grávida estiver infetada com o VIH, há formas de controlar a transmissão do vírus.

    Se a mulher já está “sob terapêutica quando engravida, é feito um ajuste no tratamento”, diz Ricardo Batista Leite. Se o vírus só for detetado depois da gravidez, o tratamento à mãe começa a ser feito no período perinatal (ou peri-parto), e ao bebé, depois de nascer.

    “Se todas as mulheres forem controladas e fizerem todos os protocolos, o risco de transmissão [da mãe para o bebé] é quase nulo”, esclarece o especialista, acrescentando que o objetivo até 2018 é de “zero partos de crianças infetadas”.

  17. Como estão os números da SIDA em Portugal?

  18. As notícias são animadoras. O número de novos casos de infeção por VIH voltou a decrescer no ano passado, tal como já tinha acontecido em 2013. O número de novos casos de SIDA, e o de mortes associadas ao vírus, também caiu, de acordo com o relatório “Portugal em Números 2015 – Infeção VIH, SIDA e Tuberculose”.

    Numa análise aos números da década entre 2004 e 2014, o crescimento de casos de infeção por VIH é mais acentuado entre homens que têm sexo com homens. O número de casos de infeção através de drogas injetáveis ou em relações heterossexuais caiu.

    É em Lisboa, no Porto e no Algarve que se concentram os maiores números de infeções.

    O médico coordenador de saúde pública na Universidade Católica, Ricardo Batista Leite, lembra que não só é importante “controlar a infeção”, como “quebrar a cadeia”, dessa mesma transmissão do vírus.

  19. Como está a luta contra a Sida no mundo?

  20. “Ninguém que está a enfrentar a Sida deve ser deixado para trás”, escreve a Comissão Europeia em comunicado, que quer exterminar a doença em todo o mundo até 2030.

    Todos os anos são diagnosticados dois milhões de novos casos de infeção VIH e, destes, “1,4 milhões estão na África subsariana, a região mais afetada pela doença”, lê-se no documento. Atualmente existem 36,9 milhões de pessoas a viver com VIH/Sida, mas apesar de 2014 ter registado o maior número de casos de infeção na Europa, as novas infeções sofreram um decréscimo na ordem dos 35% desde o ano 2000. As mortes relacionados com a Sida também cairam 42% desde 2004.

    A Comissão Europeia garante que cumpriu os objetivos estabelecidos e que até os ultrapassou, revertendo a disseminação da doença.

    Agora, lê-se, o foco está em exterminar a doença em todo o mundo até 2030. O programa faz parte do Sustainable Development Goals (SDGs), adotado pelas Nações Unidas este ano.