Desde que a crise dos refugiados emergiu na Europa que têm sido muitas as publicações sobre a religião muçulmana. Muitas vezes, com informações falsas ou enganadoras. A dia 21 de junho, começou a circular uma publicação no Facebook com uma fotografia de três mulheres acorrentadas, vestidas com burca, dando a entender que são muçulmanas.

Continha a seguinte legenda: “uma imagem vomitiva que mostra a degradação mental a que o ser humano pode chegar. As mulheres são seres humanos, não possessões. E sim, já é revoltante e penoso, ver um animal acorrentado; vendo ele com mulheres é uma ofensa contra todas as mulheres”. Atingiu 29,8 mil visualizações e 680 partilhas.

Apesar da imagem ser verdadeira, foi alterada. Trata-se, por isso, de uma publicação falsa.

Publicação mostra fotografia que foi adulterada

Olhando para a fotografia, não é possível saber em que data foi tirada nem em que local se deu o registo e esse é o primeiro passo para a considerar a publicação como falsa. Nem é possível perceber se o homem que se encontra à frente das três mulheres é, de facto, o marido. Recorrendo à fonte desta imagem, através da ferramenta Google Images e do TinEye, é possível encontrar variações desta imagem, não contendo as correntes e em datas diferentes, desde 2012 até 2019.

Um olhar mais atento permite perceber que a corrente foi colocada em edição posterior à fotografia original, ou seja, a imagem foi manipulada. Quem adulterou a imagem foi ao pormenor de colocar a sombra da corrente no chão entre o homem e a mulher que vai à frente e entre a segunda e a terceira mulher, mas entre a primeira e segunda mulher não há qualquer sombra no chão. Esta é uma das provas de que a imagem foi adulterada.

A fotografia original, cujo autor o Observador não conseguiu identificar, mas que prova que não havia correntes

Na própria publicação original, surgem comentários a afirmar que a fotografia foi editada em Photoshop. Muitos sites afirmam que a fotografia foi tirada no Afeganistão, durante uma reportagem da jornalista norte-americana Barbara Walters. No entanto, em nenhum site a fotografia é creditada. Nem é possível encontrar essa reportagem na internet. Ou seja, o Observador não conseguiu identificar o autor principal desta imagem.

Conclusão

A 21 de junho começou a circular uma publicação que dava conta de uma fotografia com três mulheres muçulmanas, vestindo uma burca e seguindo um homem. Segundo a legenda, este homem tratar-se-á do marido destas mulheres. Nessa imagem, as mulheres surgem acorrentadas. Em nenhum sítio da publicação encontramos data, local ou a origem da fotografia.

Após uma pesquisa através das ferramentas TinEye e Google Images, o Observador identificou vários sites que continham esta mesma fotografia, mas sem as correntes. Ou seja, apesar de não ser possível identificar o autor da fotografia, foi possível concluir que a mesma foi alterada. A fotografia existe, circula na internet desde 2012, mas sem correntes. As correntes foram adicionadas em Photoshop e não são uma representação real.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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