Uma publicação feita em abril do ano passado no Facebook afirma que Pedro Passos Coelho, enquanto foi primeiro-ministro de Portugal, “aumentou o PIB de 64 para 132% e a dívida externa de 164 para 229 biliões de euros”. Mas os valores referentes ao PIB estão incorretos. E os números da dívida externa também.

Comecemos por esta último. De acordo com a mensagem viral, partilhada mais de 1.300 vezes no Facebook, a dívida externa subiu de 164 biliões de euros para 229 biliões enquanto Pedro Passos Coelho governou o país. No entanto, mesmo assumindo que o autor se refere a números na ordem “mil milhões” quando escreve “biliões” — em português de Portugal, as duas expressões têm significados diferentes — os dados da Pordata mostram valores diferentes.

A publicação que começou a circular no Facebook em 2019

Segundo a tabela dessa base de dados, que pode encontrar aqui, a dívida externa líquida em Portugal era de cerca de 152,3 mil milhões de euros em 2011, ano em que Passos Coelho foi eleito primeiro-ministro. Em 2015, quando foi substituído por António Costa, a dívida externa líquida era de 186,6 mil milhões de euros. Pelo meio, a dívida externa nunca alcançou os 229 mil milhões de euros, como sugerido na publicação em análise.

Quanto à afirmação de que o Governo de Passos Coelho “aumentou o PIB de 64 para 132%”, a frase não faz sentido porque o Produto Interno Bruto —  a soma de todos os bens e serviços de um país — não é um valor percentual, mas sim numeral, indicado consoante a moeda do país em análise. Neste caso, seria em euros.

No entanto, assumindo que, ao escrever esta percentagem, o autor da publicação poderia estar a referir-se à dívida pública, fomos verificar como evoluiu esse endividamento em percentagem do PIB. Em 2011, a dívida pública era de 114,4% do PIB; e em 2015 era de 131,2% do PIB, como pode verificar-se nestes dados da Pordata. Pelo meio, em 2014, o valor aproximou-se do indicado na publicação: 132,9% do PIB.

Ainda assim, não é verdade que Passos Coelho tenha aumentado a dívida pública de 64% para 132% do PIB, como afirma a mensagem em causa. É preciso recuar até 2003, no Governo de Durão Barroso, para encontrar uma dívida pública em percentagem do PIB tão baixa quanto a indicada pela publicação — 63,9%.

Desde então, e numa tendência que se verificava desde 2001, a dívida pública aumentou de ano para ano, tendo o Governo português passado pelas mãos de Santana Lopes e José Sócrates antes de ser assumido por Pedro Passos Coelho. Quando o ex-líder social-democrata chegou a primeiro ministro, a dívida pública em percentagem do PIB já era 1,7 vezes superior ao valor de 2003, indicado na publicação.

Conclusão

É mentira que Pedro Passos Coelho tenha aumentado a dúvida pública em percentagem do PIB de 64% para 132%. Apesar de ser verdade que a dívida tenha chegado a 132% do PIB em 2014, quando Passos Coelho assumiu a liderança do Governo, em 2011, ela já estava nos 114,4%. Desde os tempos em que a dívida era de 64% do PIB, no Governo de Durão Barroso, ainda Santana Lopes e José Sócrates governariam o país antes de passarem a pasta a Passos Coelho.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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