Mônica Calazans ficou conhecida no Brasil tal como Margaret Keenan, de 90 anos, ficou conhecida no Reino Unido. Em Portugal, coube ao médico António Sarmento, diretor do serviço de Infecciologia do Hospital de São João, entrar para a história da pandemia pelo mesmo motivo: foram os primeiros, no seu país de origem, a serem vacinados contra a Covid-19.

Acontece que numa publicação do Facebook, de 17 de janeiro de 2021 e largamente partilhada desde então, alega-se que a enfermeira brasileira foi vacinada sem necessidade, uma vez que já estava imune ao novo coronavírus por ter participado nos ensaios clínicos da vacina Coronovac no Instituto Butatan. Verdade ou mentira?

As acusações — que começaram por ser partilhadas por internautas de São Paulo que também acusam o governador da cidade, João Doria, de estar apenas a fazer um espetáculo mediático da campanha de vacinação — foram alvo de vários factchecks da imprensa brasileira, como o do jornal Estado de São Paulo ou do site de notícias UOL.

Publicação já foi partilhada mais de cem vezes

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Mônica Calazans, brasileira de 54 anos, foi voluntária nos ensaios clínicos da Coronavac — a vacina contra o vírus da Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Butantan, o instituto brasileiro de pesquisa biológica situado em São Paulo.

Acontece que a enfermeira fez parte do grupo de controle do ensaio clínico, ou seja, recebeu placebo e não o medicamento propriamente dito.

Assim, Mônica Calanzans não ficou, nessa altura, com imunidade ao SARS-CoV-2, como o seu exame sorológico — que deteta a presença de anticorpos do vírus no sangue — viria a demonstrar. Com base nesse resultado, a enfermeira do hospital Emílio Ribas foi escolhida para, a 17 de janeiro, ser a primeira pessoa, entre 210 milhões de brasileiros, a ser vacinada contra o vírus da Covid-19, em São Paulo. Na fotografia, para a posteridade, surge ao lado do governador João Doria.

Conclusão:

Falso. Antes de se tornar a primeira pessoa a ser vacinada no Brasil, Mônica Calanzans participou, de facto, nos ensaios clínicos da Coronavac. Acontece que a enfermeira fazia parte do grupo de controle e, por isso, recebeu um placebo. O exame sorológico que lhe foi feito comprovou a ausência de anticorpos e, por isso, foi vacinada.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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