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A hospitalidade árabe não se compadece com recusas. A Cátia Bruno e o João Porfírio bateram os recordes pessoais no que toca ao consumo de café turco esta semana, na Síria. Não se diz não a uma oferta. Não fica bem. E a cada paragem… um cafezinho. Mas os cafés iam tendo um sabor amargo. Os enviados especiais do Observador estiveram em Damasco nas celebrações do primeiro aniversário da queda de Bashar al-Assad e foi na capital que apanharam um grande susto. |
A 8 de dezembro de 2024, Damasco caía nas mãos do grupo opositor do regime, Hayat Tahrir al-Sham. O presidente sírio é agora Ahmed al-Sharaa. Um ano depois, nas ruas da capital, houve milhares e milhares de pessoas em festa. Um desfile de bandeiras, foguetes, colunas portáteis, gritos, cavalos, homens, mulheres e crianças. Passou um ano e a alegria tomou conta da cidade. Os editores de Internacional e de Fotografia do Observador estavam no centro dos festejos quando perceberam que algo estava errado. Uma multidão sem controlo acotovelava-se, apertava-se, esmagava-se numa rua mais estreita quando saía da praça principal. A festa acabou com mais de 200 feridos e um morto. A Cátia Bruno e o João Porfírio escaparam ao sufoco. Estão perto o suficiente para perceber que há uma tragédia a desenrolar-se, mas permanecem em segurança. Não se livraram do susto, porém. |
A Síria é uma nação que tenta reinventar-se depois de uma guerra brutal, que arrasou uma parte significativa do país, como atesta o cenário que os enviados especiais do Observador encontraram em Homs ou em Alepo, uma das cidades mais antigas do mundo, onde mais de 30 mil pessoas morreram na sequência de quatro anos de cerco. O testemunho de Salem al-Abdan, que se tornou bombeiro, em janeiro de 2013 — um ano depois do início da guerra — é revelador da irracionalidade destrutiva e mortífera a que os sírios foram sujeitos. E foi em Alepo que João Porfírio teve uma experiência, que acabaria em gargalhadas. A Cátia Bruno ficou à porta de uma mesquita. Era sexta-feira, dia de comércio encerrado e, por isso, não conseguiu comprar um obrigatório hijab — lenço para cobrir a cabeça. O João entrou, foi rodeado por homens, que o perfumaram e o envolveram em panos, enquanto entoavam orações. O editor de fotografia não entendeu logo o que se estava a passar, mas estaria a ser alvo de uma conversão religiosa. Tudo terminou bem e com mais um café. |
A Síria é um país arrasado e como tal, não se espera encontrar comodidades que damos, por aqui, como adquiridas. Não existe água quente em todo lado e até há hotéis onde a noção de silêncio conflitua com a urgência de reparações. A Cátia e o João sentiram alguma dificuldade em conseguir convencer os funcionários de um desses hotéis a parar as obras durante a noite. A custo, o berbequim calou-se perto das 3h da manhã. |
Esta resenha de aventuras de bastidores termina num mosteiro isolado, no meio de um deserto. Maria Lúcia é freira. Nasceu em Lisboa e cresceu em Mafra e hoje vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado — um mártir persa do século V. O local foi refúgio e alvo de bombardeamentos. Esta é uma reportagem que vamos publicar este fim de semana. Quando soube que iria receber dois portugueses no mosteiro, Maria Lúcia fez apenas um pedido: chá de perpétuas roxas — tem propriedades anti-inflamatórias e é um dos preferidos dos profissionais da voz. A encomenda foi entregue. |
Estar no local e relatar o que vivenciamos é essencial ao jornalismo. Há anos que acompanhamos o que se passa na Síria, mas pisar o pó dos escombros, ouvir os relatos e olhar os protagonistas nos olhos transporta-nos para aquela realidade. Não há água fria que nos demova. Fomos e continuaremos a ir sempre e onde for preciso. |
PS: Os enviados especiais do Observador viajaram a convite da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. |
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Observador na Síria
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Síria
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Síria. Khaldoun foi o último cirurgião a sair do campo de Yarmouk, que acabou arrasado por Assad. Aqui, os palestinianos sobreviveram a comer ervas e sofreram com o Estado Islâmico.
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Síria
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Ruas da capital síria encheram-se de gente para assinalar um ano do fim da guerra civil. Entre cânticos, bandeiras e tambores, há quem cuspa no rosto de Assad e quem recorde os que morreram.
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Síria
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Sobreviventes do cerco enfrentaram a fome, o frio e as bombas que caíam, até sobre escolas e hospitais. Como bombeiro, Salem salvou centenas de pessoas — mas, em quatro anos, mais de 30 mil morreram.
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Síria
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Síria. Homs foi o epicentro da revolução contra Assad e uma das cidades mais atacadas. Os regressados festejam o fim da guerra, mesmo entre a destruição. Mas alauítas e cristãos têm medo do futuro.
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Talvez lhe tenha escapado
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Presidenciais 2026
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António Filipe diz que a greve teve tanto sucesso que até levou André Ventura a "virar o bico ao prego". Confessa ter apoios de militantes do PS que não são públicos.
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Vichyssoise
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Em entrevista ao Observador, Álvaro Beleza, apoiante de Seguro, relativiza sondagens menos conseguidas do socialista e defende que o antigo líder do PS é a resposta certa para os eleitores de esquerda
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Luís Marques Mendes
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Apresentação do livro de Luís Rosa, jornalista do Observador, contou com vários membros do Governo. Leonor Beleza disse contar com Mendes para dar "dignidade" a Belém.
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Presidenciais 2026
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Candidato diz que é transparente e, se for preciso, revela clientes da empresa familiar. Admite que o seu escritório esteve com Efromovich no caso da TAP. Desvaloriza processo de apoiante Alburquerque
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Greve
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Em dia de greve geral, as ruas de Lisboa encheram-se de manifestantes que criticaram Luís Montenegro e um pacote laboral "perigoso". Protestos concentraram pessoas de todas as idades e profissões.
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Greve
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Nenhuma das empresas contactadas pelo Observador, e que na maioria não estão sujeitas a serviços mínimos, assume esperar impactos significativos. Distribuição acredita que manterá lojas abertas.
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Governo
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Negociações para a reforma laboral podem durar meses. Sem acordo com UGT, Governo chegará ao Parlamento isolado e dependente do Chega. Mas evolução da economia e paz social dão confiança a Montenegro.
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Legislação Laboral
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Ventura considera que é "preciso alterações à lei laboral" e está disponível para se sentar à mesa com o Governo, mas já sublinhou uma série de linhas vermelhas. Governo só pode contar com Chega.
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Greve
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A opinião é quase unânime entre os trabalhadores de indústrias e setor privado ouvidos pelo Observador: não querem o pacote laboral. Mesmo assim, a greve foi ficando pelo caminho durante a manhã.
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Empresas
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A Warner Bros pode ter escolhido a Netflix, mas a Paramount não se dá por vencida. Investe dinheiro para ficar com todos os ativos da Warners Bros — e tem uma lista de apoios para financiar o negócio.
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Teatro
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Da fotografia que indignou o país nasceu um espetáculo onde imigrantes do Bangladesh e do Nepal contam, pela primeira vez, as suas histórias. "Um Inimigo do Povo" estreia-se este sábado, em Braga.
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Cinema
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Entrevista com a grande actriz norte-americana a propósito do seu regresso aos ecrãs, em língua francesa, na pele de uma psicanalista em “Vida Privada”, de Rebecca Zlotowski.
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Óbito
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Formou-se em biologia, conquistou reconhecimento nos EUA e, em paralelo, na literatura aos 25 anos. Depois de plágios e de uma sessão fotográfica sexual, recolheu-se em Estremoz. Morreu aos 65 anos.
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Opinião
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A greve foi só “geral” no sentido em que o Estado, em Portugal, é demasiado “geral”. Para resolver esse problema, o meio adequado não é o pacote laboral, mas a reforma do Estado.
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Têm sido longas estas semanas: longa e arrevesada a negociação tripartida da lei laboral; pesadas as queixas mutuas, agressiva a desconfiança; e sintomática alguma manipulação.
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A The Economist conclui que Portugal foi a economia que melhor desempenho teve em 2025. Mas há um outro lado da vida portuguesa que está muito longe de ser “doce como um pastel de nata”.
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Trabalhei 7 anos na Comissão Europeia e não tenho dúvida alguma: em Bruxelas há uma cultura anti-americana. Não é maioritária mas influencia muitas políticas da União Europeia, como a política digital
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A nova estratégia de segurança dos EUA representa um choque que não pode deixar ninguém indiferente, sobretudo porque põe o dedo em muitas das feridas que explicam a impotência e decadência da Europa.
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