Transgénero

A estratégia para acabar com os rapazes e as raparigas

Autor
  • Pedro Afonso
8.030

A agenda política do Bloco é promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico, pelo que são muitos os perigos desta aberração legislativa.

Já há muitos anos que tem vindo a ser implementada em Portugal (e também noutros países) uma ideologia que se designa por “ideologia do género”. Esta teoria assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de género (já existem identificadas mais de 30!). Trata-se de um movimento cultural com impacto na família, na política, na educação, na comunicação social e que reclama a utilização de uma nova linguagem.

A Assembleia da República discute um projeto-lei do Bloco de Esquerda que permite a mudança de sexo aos 16 anos e, no caso de os pais se oporem a esta ideia, possibilita que os menores possam intentar judicialmente contra estes. A agenda política do BE é a seguinte: promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico. Convém alertar as pessoas para os perigos desta aberração legislativa, pois os deputados não sabem de medicina, nem tão-pouco de psiquiatria. Os casos de perturbação de identidade sexual (disforia de género) são complexos e levam por vezes os jovens ao suicídio, pelo que este assunto deve ser tratado com uma enorme prudência. Considerar que estes casos se resolvem com um pacote legislativo, é uma visão simplista, redutora e perigosa deste problema.

A estratégia por detrás desta mutação social, que agora se pretende implementar pela via legislativa, é fazer crer que a a ideologia de género é cientificamente correta. As teses desta ideologia são apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível, mas isto é absolutamente falso. A natureza tem regras, cabe à ciência compreendê-las e descodificá-las. Portanto, compete à ciência elaborar as teorias que ajudem a desvendar a realidade e não o contrário, como acontece na ideologia do género: elaborou-se uma teoria e para a validar procura-se alterar a realidade.

As consequências deste conflito estão à vista. Nunca como hoje se baralhou e confundiu tanto a mente de crianças e adolescentes. E isto não tem nada a ver com liberdade, mas com uma doutrinação promovida por alguns partidos que se apoderaram ideologicamente do Estado e que desejam proceder à reeducação das massas. Neste contexto, esta proposta legislativa não poderia ser mais tirânica: os pais são expulsos do processo educativo, os psiquiatras e psicólogos são totalmente desvalorizados, sendo-lhes retiradas competências, e os menores passam a ser “propriedade” do Estado que, no plano educativo e legislativo, lhes impõe um novo sistema de valores baseado na ideologia do género.

É espantoso assistir-se a uma indolência perante uma ideologia que se entranhou na sociedade como se fosse um dogma de fé. Mas esta ideologia não exprime a verdade da pessoa humana. Trata-se afinal de uma aventura ideológica, inspirada pelo desejo do Homem controlar a natureza; neste caso, o Homem decidiu declarar guerra à natureza.

Na identidade sexual não é sensato defender a supremacia absoluta da dimensão biológica sobre a dimensão psicológica/sociocultural. O ideal é que haja uma harmonia entre ambas, não sendo ético provocar desordens psicopatológicas artificiais, através da difusão de uma ideologia radical destinada a criar um “homem novo”. Considero uma irresponsabilidade que Estado fomente, seja de que forma for, a ambiguidade da identidade sexual dos adolescentes, deixando-os ficar entregues a si próprios, através de um projeto-lei leviano e irresponsável.

Como psiquiatra oponho-me a esta iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda, pois ela não respeita a ciência médica. Não podemos permitir que os adolescentes sejam objeto de experiências de engenharia social. É necessário criar condições para que as crianças e os adolescentes possam crescer livres e mentalmente saudáveis, respeitando o direito que os pais têm de dar a formação moral que considerarem melhor para os seus filhos.

Os casos de disforia do género devem ser referenciados para a psiquiatria, de modo a serem acompanhados pelos vários profissionais de saúde competentes, pois as doenças não se tratam por decreto-lei. Além disso, a história ensina-nos que sempre que a medicina se subjugou à ideologia, os resultados foram desastrosos para a humanidade.

Médico Psiquiatra

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