Rádio Observador

Suicídio

A importância do acompanhamento clínico na prevenção do suicídio

Autor
  • Pedro Cintra

No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio recorda-se que o grande problema surge quando não há acompanhamento clínico ou social de certas patologias e as pessoas escolhem o suicídio como último recurso.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define Saúde Mental como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo tem consciência das suas capacidades, consegue lidar com o stress do dia-a-dia, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere”. É errado “separar” a saúde física da saúde mental, uma vez que o bem-estar de uma é, necessariamente, interdependente da outra.

No entanto, em Portugal, a saúde mental é ainda bastante estigmatizada, sendo um tema pouco explorado pela opinião pública. De acordo com dados de 2018 do relatório Health at a Glance, Portugal é o quinto país da União Europeia com maior prevalência de problemas do foro mental, afetando 18,4% da população – incluindo ansiedade, depressão ou problemas de adição.

O grande problema surge quando não existe acompanhamento clínico ou social destas patologias e as pessoas escolhem o suicídio como último recurso.

Em Portugal registam-se segundo dados de 2018 da Sociedade Portuguesa de Suicidologia e do Instituto Nacional de Estatística  cerca de 8 casos por 100 000 habitantes/ano, ou seja mais de 800 novos casos todos os anos, sendo de ressalvar que este número tem sofrido flutuações ao longo do tempo, embora com assimetrias marcadas em algumas regiões do país, nomeadamente em zonas remotas e isoladas, como algumas regiões do Alentejo que têm das maiores taxas a nível europeu.

A nível Europeu 14 em cada 100 00 pessoas cometem suicídio, e a nível mundial registam-se quase 800 mil suicídios anualmente, sendo esta a segunda maior causa de morte entre os 15 e os 29 anos de idade. A faixa etária em que se registam mais casos é entre os 45 e os 54 anos.

Morrem mais pessoas por suicídio do que em guerras.

O suicídio pode ser classificado de duas formas: consumado quando o comportamento leva à morte da pessoa, ou tentado quando a pessoa age nesse sentido, mas não obtém a finalidade que pretendia.

A grande maioria das situações de suicídio estão associadas a doença psicológica, nomeadamente a perturbações depressivas. As perturbações podem ser diversas e estar relacionadas com problemas de stress do dia-a-dia, situações de desemprego, dívidas, crises familiares ou financeiras, solidão ou perdas marcantes de familiares ou amigos. Em períodos em que as pessoas estão mais expostas a níveis de stress e pressão que perturbem o seu bem-estar, o número de suicídios aumenta;

Por motivos diversos, incluindo razões genéticas, relacionadas com a história pessoal ou familiar existem pessoas que têm uma predisposição depressiva ou de algum modo “disfuncional” a nível emocional e que por isso são mais vulneráveis.

Obviamente, também existem fatores protetores, como ter filhos ou ser cuidador, ter convicções religiosas, ter emprego e ser psicologicamente resiliente, entre outras.

Nem sempre existem comportamentos que indiciem que a pessoa tem intenção de se suicidar. Por vezes existe um padrão progressivo, em que, no início, o doente apenas contempla o suicídio, depois começa a planear como o fazer e, por fim, o momento e a forma como o executa, isto é, a ideação suicida e o plano tornam-se cada vez mais estruturados. É preciso estar alerta para comportamentos de risco ou mudanças repentinas de atitude, de rotinas ou no estado psicológico destes doentes. Por vezes, o doente gravemente deprimido melhora antes de cometer a tentativa de suicídio, quando, depois de estar ambivalente durante muito tempo, toma a decisão.

Ajudar estas pessoas é possível – além de ser crucial estar atento aos sinais, é também importante apoiar, orientar, ouvir e aconselhar. Procurar ajuda de um profissional é a melhor forma de evitar estas situações e garantir que o sofrimento psicológico é atenuado.

O diálogo e a compreensão são igualmente fundamentais para conseguir entender as motivações destas pessoas e, assim, conseguir ajudá-las. É importante pedir à pessoa para falar abertamente sobre aquilo que sente e sobre o que a motiva a colocar um fim à sua vida.

Nos dias de hoje já existem muitos meios de apoio para quem se depara com situações deste tipo, como por exemplo, linhas telefónicas de apoio, sites especializados e consultas de saúde mental em hospitais ou centros de saúde. O mais importante é garantir que estas pessoas são devidamente acompanhadas e que o sofrimento que sentem é partilhado e acompanhado por profissionais especializados.

O tratamento é possível e regra geral eficaz.

Médico, Terapeuta Cognitivo-Comportamental Integrativo do Departamento de Saúde Mental do Hospital de Cascais

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)