Como conservador (pessoa com senso comum), decidi colocar-me à prova e, embora estando noutro curso, inscrevi-me por curiosidade numa cadeira de uma faculdade de Letras, faculdades que têm sempre um pendor ideológico esquerdista, revolucionário e parcial.

Mesmo assim, nunca pensei encontrar, numa cadeira de “Comunicação”, tamanha falta de conteúdo académico conciso a par de um assustador nível de propaganda explícita. Numa aula de duas horas, viram-se referências superficiais a personalidades e uma exposição básica das matérias, tudo fundamentalmente construído com referências direcionadas a todos os temas esquerdistas habituais: menção ao racismo sistémico (como se fosse algum facto) e uma obsessão com a divisão da sociedade em grupos baseados em diferenças biológicas hierarquicamente divididas por níveis de opressão (raça, género, etc.). Não podia faltar, claro, a crítica ao Colonialismo e à “Hegemonia Europeia”

O professor/doutrinador declara-se como comunista e ex-militante do PCP e apresenta-se mascarado (que surpresa), faz ainda menções a uma associação feminista, realiza uma defesa acérrima da Festa do Avante e critica a “media burguesia e capitalista”, dizendo que num sistema comunista os orgãos de comunicação social não são controlados pelo Estado e são “dos trabalhadores e do povo” (pois sim). No meio de tudo isto ficam umas definições da palavra “comunicação” e “política”, só para dissimular a propaganda.

Sendo eu, razoavelmente conhecido, especialmente por jovens revolucionários, por ter opiniões públicas opostas às suas, a primeira interação que tive quando entrei no edifício foi perguntar onde era a sala a uma aluna que estava sentada, que me reconhece e após perguntar se sou eu e eu confirmar, ela diz: “Mata-te, com todo o respeito” (que reconfortante).

O que me causa pena e impressão é ver jovens inocentes, que só têm interesse nestas áreas, Comunicação, Jornalismo, Humanidades, etc, e vêem o caminho de aprendizagem minado por ideólogos com agendas e propaganda para os moldar e radicalizar. E o pior é que funciona.

Entram inocentes e saem radicais, quase sempre, tornam-se intolerantes para quem pensa de forma diferente, autoritários, agressivos (até com a própria família), obcecados com “privilégio”, com presunção de superioridade moral, sem espaço para o diálogo, considerando que “liberdade de expressão é aquilo que eu acho tolerável” e nada mais, o resto é opressão. Tudo é político, tudo é fascismo e discurso de ódio, aquilo com que eu não concordo tem que ser silenciado. A sociedade é patriarcal, o Ocidente é um lugar terrível. És branco? Opressor. És preto? Vitima. O caráter? Já não importa. Personalidade? Irrelevante. Individualidade? Para o lixo! Tudo é ideologia, inimigos, cor de pele, luta de identidade e de classe. Tudo é caos e revolução.

Nunca me vou esquecer do que aconteceu depois de questionar o “professor” se a má visão que a sociedade tem do comunismo não se deve antes às suas consequências nefastas no passado, reconhecidas hoje, e não a uma “cabala de media burguesa e capitalista” (como ele defendeu). Um aluno virou-se para trás, para mim e disse: “Muito bem!”. No momento vi esperança, luz, razão, senso comum, noção. Ainda não está corrompido… por enquanto.

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