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Alemanha e Espanha não mostraram, desta vez, bons sinais de solidariedade. Os dois países rejeitaram o pedido — absolutamente justificado — da Grécia de embargo de armas à Turquia. Atenas enviou um pedido semelhante ao governo italiano. Pode perguntar-se: este pedido grego faz sentido? Sim, porque a Turquia ameaça constantemente a Grécia. Desde 1974, os turcos ocupam ilegalmente 37% do território de Chipre, colonizando-o e destruindo monumentos, antiguidades gregas e bizantinas que ali podemos encontrar. Espanha e a Itália, de facto, -opuseram-se ao pedido de sanções feito pela Grécia e Chipre à União Europeia. O governo de esquerda de Madrid considera a Turquia, como afirmou o primeiro-ministro, Pedro Sanchez, como um “parceiro estratégico”. Mais uma vez, tudo é pelo dinheiro.

A Alemanha, no altar da realização das suas aspirações geopolíticas, está pronta para “enterrar”, e bem fundo, os ideais europeus. Mas, ao que parece, não é a única. A ideia de solidariedade entre os Estados-membros da UE está “morta”. Mesmo os Estados mais frágeis mostram uma predisposição para evitar polémicas se isso prejudicar as suas expectativas financeiras. Perante estas opções, os Gregos são confrontados com armas vendidas por Europeus aos Turcos. Disse Europeus? A palavra “Europa” é grega. Na mitologia, Europa era filha de Agenor e Teléfassa. A princesa teve três filhos de Zeus. Mais tarde, casou-se com o rei de Creta, Asterión.

O que mudou? Não são os Europeus movido por certos valores? É um pensamento romântico acreditar em tudo que nos uniu sob uma mesma ideia? E o que fazemos na União Europeia? Estamos simplesmente envolvidos na tomada de decisões, sim. Mas em que decisões? Estamos apenas as servir as aspirações geopolíticas alemãs? Berlim culpa Atenas por uma “saída” da sua esfera de influência, dizem os investigadores que acompanham os acontecimentos na Europa. Mas não esperavam isso? Atenas coopera com outros países fora da Europa, que parecem dispostos a trabalhar honestamente com o governo grego, compreender as preocupações dos Gregos e querer trabalhar com eles para criar condições de segurança e paz no Mediterrâneo. Egito, Israel e Emirados Árabes Unidos estão a fortalecer relações com a Grécia através de acordos bilaterais.

O comportamento da Alemanha e da Espanha, em particular, mas não só, é extremamente dececionante. A Grécia foi e continua a ser uma das principais potências regionais no sudeste do Mediterrâneo. Está totalmente integrada nas instituições euro-atlânticas e é uma força de estabilidade em toda a região. A contribuição grega para a nossa civilização é enorme. Alemães e Espanhóis não podem ignorar isso. É um facto indiscutível. Agora, um governo de esquerda, como o de Espanha, mostra-se indiferente aos atropelos aos direitos humanos na Turquia. A hipocrisia da esquerda europeia é mesmo um problema.

A presença de um comissário (grego) na UE com o objetivo de proteger o modo de vida europeia deu-nos – temporariamente – alguma esperança. Mas, aparentemente, a proteção dos princípios da nossa cultura humanista foi uma prioridade apenas por um curto período para Berlim e para todos aqueles, políticos e burocratas, que influenciam os Alemães. E assim, alguns na Europa estão a vender armas ao governo turco, um regime conhecido pela frequente violação dos direitos humanos.

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