O resultado das eleições europeias foi revelador do contexto político que tem caracterizado toda a legislatura do Governo de António Costa. A oposição pura e simplesmente não consegue servir de contraponto e cumprir a sua função; o Governo tem sido capaz de concretizar a sua acção política sem escrutínio. Neste quadro, a habilidade política de António Costa foca-se mais na gestão dos seus parceiros de coligação e das suas agendas conservadoras do que em por em execução uma estratégia mobilizadora e de futuro para o País.

Este cenário representa um enorme risco para a nossa democracia e, infelizmente, já com resultados práticos. Temos assistido a uma degradação em muitos serviços públicos, em particular na Saúde. A falência das urgências hospitalares, mesmo fora dos momentos de pico, o aumento das listas de espera para consultas e cirurgias, ou o não pagamento a fornecedores são exemplos das dificuldades que se vivem no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal. Perante esta situação calamitosa que demonstra bem a incapacidade do Estado de prestar serviços de saúde de qualidade, o Governo opta por retirar os privados do sistema, não vá o seu bom desempenho perturbar os serviços públicos desenhados pela esquerda mais extrema.

Em nome de meros preconceitos ideológicos, está a pôr-se em causa a qualidade e sustentabilidade do SNS. Todos os hospitais em regime de PPP oferecem um serviço de qualidade, comprovado pelos rankings do próprio Ministério da Saúde: basta dizer que a última avaliação em 2018 do SINAS (Sistema Nacional de Avaliação em Saúde) da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), organismo dependente do Ministério da Saúde, indica que os três melhores hospitais públicos do País são geridos em modelo PPP. Para além de que, – como o diz a última auditoria do Tribunal de Contas (2016) e confirmam os estudos da Universidade Católica, entre outros – que as PPP da saúde poupam milhões de euros aos contribuintes: o Hospital de Braga tem o menor custo por doente-padrão entre todas as instituições hospitalares públicas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas também Cascais, Loures e Vila Franca de Xira são casos de poupança para o Estado.

Estes factos revelam que a opção do Governo não tem qualquer racional económico ou preocupação com a qualidade do serviço prestado. Este erro colossal que se prepara tem como única razão de ser o cumprimento da agenda política populista do Bloco de Esquerda. Bem sei que estamos a meses das próximas legislativas, mas há limites para a insensatez, especialmente quando estão em causas pessoas, vidas de pessoas.

O princípio de base da construção de um Estado Social é a boa governação e gestão dos seus recursos. Perante as referidas decisões estatistas estamos a fomentar o crescimento da dívida pública, que será paga por sucessivos aumentos de impostos até atingirmos a asfixia fiscal dos portugueses.

Uma vez mais, como aconteceu nos casos dos incêndios, do material de guerra roubado e das relações familiares no Governo, o flanco está dado.

Aproveite quem queira – e saiba – fazer oposição.

Presidente da Câmara de Comércio e Indústria