A 5 de Abril deste ano, foi notícia na generalidade da imprensa financeira internacional que o leilão do espectro com base no qual poderá ser utilizado a nova tecnologia 5G no Reino Unido tinha sido um grande sucesso. De acordo com o Guardian, as receitas totais foram de 1400 milhões de Libras, o dobro do esperado pelos analistas da City.

Que eu tenha dado conta, este leilão não foi notícia em Portugal. Não surpreende. Provavelmente, faltava aos jornalistas uma peça de informação essencial para dar interesse ao evento. O Principal Economist da operação, ou seja, a pessoa que na Ofcom (a ANACOM dos ingleses) era responsável pela concepção do leilão era português. Tinha 37 anos e chama-se Luís Gaspar. Trabalhava na ANACOM em Janeiro de 2014, altura em que Ofcom o veio buscar a Portugal, contratando-o para os seus quadros.

Diga-se que, na altura, a sua saída da ANACOM gerou protesto por parte dos responsáveis. Por exemplo, a Presidente da ANACOM da altura, Fátima Barros queixou-se no Parlamento de que não tinham capacidade para segurar os seus quadros e que o regulador inglês lhe tinha levado um dos seus melhores elementos. Lamentou-se por estar de mãos atadas, não podendo fazer qualquer tipo de contraproposta. Sua Majestade agradeceu, naturalmente. Os ingleses fizeram, como se comprova, uma excelente contratação.

Como declaração de interesses devo dizer que Luís Gaspar é meu amigo. Era para ter falado nele e neste leilão inglês em Abril, mas, na altura, outros assuntos se sobrepuseram. Esta semana, lembrei-me do artigo que queria ter escrito há uns meses por causa do caso Robles e da sua compra de um prédio em Lisboa. Já muitos falaram sobre o assunto sob diversos ângulos. Concordo com a generalidade das críticas políticas que foram feitas: acusações de hipocrisia, descrença nas desculpas esfarrapadas, dúvidas quanto à lisura de procedimentos que garantiram prazos de licenciamento das obras bastante curtos, etc. Mas um assunto que é importante e que me parece insuficientemente tratado foi o preço do prédio.

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