1. Há momentos em que a Justiça honra e contribui ativamente para a credibilidade do Estado. A corajosa sentença da Operação Fizz conhecida esta 6.ª feira é definitivamente um desses momentos. Não propriamente pela pena de seis anos e oito meses de prisão efetiva para o procurador Orlando Figueira pelos crimes de corrupção passiva, branqueamento e de capitais e falsificação de documento mas por ter decretado uma verdade que as mais altas instâncias políticas do país, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa, queriam ver escondida a sete chaves: o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente subornou um procurador português para que este, a troco de 763 mil euros e um emprego no Grupo BCP, arquivasse dois inquéritos criminais que corriam contra si no Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

Marcelo e Costa, que tanto quiseram que acusação de corrupção contra Manuel Vicente fosse enviada para Angola, são os grandes derrotados da sentença que condenou Orlando Figueira e o advogado Paulo Blanco. As 435 vezes em que o nome de Vicente é escrito na sentença da Operação Fizz são a prova disso mesmo.

Por isso, há uma conclusão óbvia a retirar da sentença do coletivo do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa:

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.