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Maioria de Esquerda

Mário Soares tirou-nos do PREC. O PS de António Costa mete-nos no PREC

Autor
  • Isilda Pegado
1.942

O que caracteriza os processos revolucionários é exactamente o corte com a História, a destruição das instituições, a apologia ideológica e a insegurança. As greves que vivemos são disso a prova cabal

1. Como é sabido o chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso) iniciou-se com o 11 de Março de 1975 e terminou a 11 de Novembro de 1975. Foi o tempo das nacionalizações dos bancos e grandes empresas, das ocupações de terras e casas espoliando os seus legítimos donos. A Rádio Renascença (Emissora Católica Portuguesa) foi ocupada. O Conselho de Revolução e grupos extremistas impunham a Revolução contra o Estado de Direito. Foi o tempo em que “o Poder está na rua”.

2. A História reconhece o papel determinante de Mário Soares na reposição da Democracia. Não esteve sozinho. Mas há um legado histórico que não ignoramos. E hoje com maior visibilidade. A História não se repete. Mas ficam-nos da história imagens e vivências que não podemos ignorar.

3. Vivemos hoje dias, criados pela actual governação socialista, que pôs a banca nas mãos do Estado. Os bancos geridos por gestores nomeados pelo governo, ou subvencionadas pelo erário público, e que eram instituições da sociedade com grande peso e independência, são actualmente, na sua maioria, meros departamentos de gestão governamental.

4. A maioria da Esquerda aprovou no passado dia 19 de Julho (alteração ao Cód. Processo Civil – Proj. Lei 1234/XIII) a impenhorabilidade de bens (casa de habitação) para pagar dividas contraídas, e até garantidas, por hipoteca. Isto é, os Bancos estão agora autorizados, por lei, a não cobrar dividas. São os impostos dos portugueses a pagar as dividas de alguns, que ficam por cobrar.

5. Por toda a Europa são negadas as práticas das chamadas “Barrigas de Aluguer”. A actual maioria Parlamentar — do PS e dos partidos à esquerda –, aprovou a lei das chamadas “Barrigas de Aluguer”, contra a declaração de inconstitucionalidade decretada pelo Tribunal Constitucional há meses atrás. Criando um precedente nunca visto – o Tribunal Constitucional declarou inconstitucional uma lei e o Parlamento desobedece ao Tribunal Constitucional e à Constituição Portuguesa. Isto é, o Tribunal Constitucional foi “nacionalizado” ou “ocupado”!

6. As greves sucedem-se sem que haja a capacidade de atalhar conflitos, de minimizar custos e danos na população em geral. Quem mais destruir, mais poder tem. A “greve dos motoristas de pesados” ameaça paralisar o País. Quando o Estado está a ruir, tudo cai em rede. A mentira não tem limites. O poder está na rua!

7. Tal como no PREC de 1975, propaga-se a “saúde para todos”, mas nos hospitais assiste-se à ineficiência concreta dos meios.

Por motivos ideológicos, são fechadas escolas não estatais, que funcionavam bem e tinham custos reduzidos. E, em sua substituição são gastos milhões em remendos e sem alternativa credível por parte do Estado.

8. O PS continua a ignorar o seu papel determinante que levou à entrada da Troika em Portugal (por virtude do consulado Sócrates), agindo de uma forma “populista” no branqueamento daquela governação. Deixou para o PSD e CDS a tarefa de arrumar a mesa em que se banquetearam de forma faustosa. Hoje, “enquanto sentados na sala”, esperam que no momento oportuno os “amigos improváveis” PCP e BE lhes sirvam o “digestivo”. E assim se chega ao novo PREC em que vivemos.

9. Estamos num “Processo Revolucionário em Curso” – PREC – cujo futuro ninguém conhece. O que caracteriza os processos revolucionários é precisamente o corte com a História, a destruição das instituições, a apologia ideológica e a insegurança. As greves a que assistimos são disso a prova cabal.

Diariamente estão a ser abertos diques cujas consequências são imprevisíveis.

O PS de Mário Soares combateu o PREC. Mas hoje o PS de António Costa conduz-nos para um novo PREC. 

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