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E, depois, há os pensos rápidos. As aberturas fáceis. As máquinas de lavar, o micro-ondas e a Bimby. O velcro, claro. As mudanças automáticas, a condução assistida e os indicadores de parqueamento. O GPS (que nos dá, todos os dias, a ilusão de sermos só nós a introduzir as coordenadas do nosso destino). Os computadores (que trouxeram esta ideia que, num mundo fácil, tudo o que vale a pena é “multi-funções”). O delivery e o take away. O teletrabalho. O telemóvel (que tem câmara fotográfica, jornais, televisão, cinema, bibliotecas, terminais de pagamento, os recursos de um escritório, jogos e todo um comboio interminável de coisas, a caber dentro de um bolso). E há a inteligência artificial. E as “escadinhas” dos alertas, antes da chuva ou do frio nos assoberbarem, que nos dão a ilusão de que a Natureza nunca nos apanha de surpresa. E tantas (mas tantas) coisas mais que — mesmo quando alguém,  no meio duma tormenta, nos confidencia: “não está fácil!…” — a certa altura, quando se pára, é impossível não se sentir que a vida nos mima com  facilidades. Ou (talvez mais isto) que a tecnologia tornou a vida mais fácil.

Claro que, a seguir, existem os pais. Que (e quem não é assim?) tentam que a vida dos filhos seja fácil; sempre mais fácil. E, apesar das limitações que decorrem dos seus orçamentos, lhes dão as marcas que eles preferem e os mimam com brinquedos e gadjets (um bocadinho “antes de tempo” e duma forma nem sempre muito equilibrada). E, na mesma “onda”, vem a escola. E a forma como acabamos a tentar “facilitar” a vida deles, com materiais, explicações, notas almofadadas e muito, muito trabalho de pais.

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