O assunto da semana é a Faceapp, a aplicação Russa que tem o dom de nos mostrar envelhecidos, pouco mais será que uma cópia da democracia portuguesa. Essa, apesar de petiz, aparenta uma maturidade solene.

O país que glorifica os Capitães de Abril, promete alvíssaras a quem calar a liberdade. Assim tem sido com a Ordens profissionais.

Marta Temido insiste que tudo está bem. Esta persistência da Ministra, não obstante dos profissionais dizerem todos o contrário, denota desconhecimento de causa, confabulação ou, apenas e só, a mentira ao serviço da política.

A OE fez o que lhe compete, apoiou os enfermeiros e denunciou, as vezes que tinha de denunciar, situações que colocam em risco a segurança e qualidade dos cuidados de saúde. Assobiar para o lado não resolve problemas, só ajuda a dormir. Nós, não foi para isso que viemos, viemos com uma missão e aqui a palavra dada tem valor. As ameaças pouco nos afectam porque o medo é livre. Cada um apanha apenas o que quer.

Sei que não é fácil conviver com esta postura. Enquanto nação, somos miseráveis. A nossa miséria não se prende com o facto de vivermos com pouco, mas sim por acreditarmos que não merecemos mais. Olhamos com fervor para a mudança extrema, para a ruptura com o passado, aplaudimos as Primaveras do mundo mas vivemos bem no conformismo estéril. Depois de três Repúblicas ainda não conseguimos compreender que só a revolta leva à revolução.

A falta de maturidade democrática em Portugal é notória. Os partidos não têm ideologia, são clubes e, quando falamos de paixão, é simples ser o último a perceber. Como passarinhos, as pessoas tendem a formular opinião com base nos opinion makers do regime. Quase todos são afiliados ou próximos dos partidos e acabam por destilar aquilo que lhes encomendam. Recebemos o que os outros digerem, mas quem come no ninho tem medo de voar e nunca saberá o que é ser livre.

A Bastonária da Ordem dos Enfermeiros tem sofrido uma campanha difamatória ímpar. É o alvo fácil dos que vêem o pensamento como difícil. Desacreditar as denúncias e sugerir que não passam de estratégia é ordinário. A nobreza está em assumir os problemas e enfrentá-los com coragem, sem manobras, sem bastidores.

Com a verticalidade que nos caracteriza e baseados nos pareceres de dois conceituados juristas, assumimo-nos agora como bastião da democracia. A resistência não é mais do que o último reduto da liberdade, que vos prometo, defenderemos até ao fim.

Recordem sempre, os profissionais exaustos que agora se queixam, são guerreiros que lutam pela nossa saúde. A questão que temos de colocar é: de que nos serviria ter saúde para sermos serviçais? Viver como obsequiador, é estar morto respirando.