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Passou mais de uma semana desde que a população saiu de novo à rua. Se olharmos com um pouco de atenção, vemos a felicidade emanada no rosto das pessoas, como se tivessem renascido para a vida. Foi avassaladora a diferença entre o antes e o depois da meia-noite do dia 1 de maio. Estávamos anestesiados mentalmente! E toda a população quis sair à rua

A grande maioria dos Portugueses cumpriram com rigor, até à data, as medidas sanitárias propostas pelas entidades competentes . Este comportamento não só reduz o risco de infeção pelo SARS-CoV-2, como protege as pessoas que estão em volta, diminuindo a possibilidade de contágio.

A vacinação programada pelo task force protege a população mais idosa e com maior taxa de mortalidade. A tão falada e desejada imunidade de grupo iria dar o golpe final às aspirações assassinas do coronavírus.

O que temos verificado nestes últimos dias, no entanto, é o facilitar progressivo da população no que se refere ao distanciamento social e uso de máscara. É arrepiante, a falta de discernimento e responsabilidade nas primeiras horas de liberdade condicional. Este facto verificou-se principalmente neste sábado, onde em alguns locais parecia mais a Festa de S João no Porto.

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A mente humana está preparada mais facilmente para prevaricar do que cumprir. O botão que ordena a nossa atitude dispara mais rapidamente sem qualquer mínimo de hesitação e autocrítica.

Não nos podemos esquecer que apenas um quarto da população portuguesa foi vacinada, as variantes mais resistentes e virulentas entraram sem pedir autorização e que o grupo etário com maior incidência tem vindo a modificar. Em maio de 2020, era dos 20 aos 49 anos de idade; em janeiro de 2021, dos 18 aos 24 anos; e no mês de abril, a faixa etária já tinha caído para os 5-9 anos!

O que significa esta alteração, na prática? Os riscos de contágio continuam, com a agravante destas crianças serem assintomáticas, na sua grande maioria, e não serem vacinadas a curto prazo. Prevê-se que até 28 de maio, todas as pessoas entre 60 e os 70 anos sejam vacinadas com a primeira dose. Mas não nos podemos esquecer que a Covid-19 mata em qualquer idade.

Até lá, cabe à população cumprir as regras sanitárias com rigor e as autoridades de saúde informarem permanentemente sobre os riscos da falsa segurança nesta fase. O caminho ainda é longo e basta uma pequena falha para que tudo volte à estaca zero.

Conviver, passear, ir às compras, ter momentos de lazer são importantes para a nossa saúde mental . Mas sem atropelos! Caso contrário, o filme de terror voltará aos nossos lares com novo confinamento.

É bom termos a noção de que o perigo anda à solta. Os primeiros oito dias da era pós-confinamento fizeram lembrar um pouco os dias negros da nossa história recente. Não podemos facilitar.

Vamos construir de novo aos poucos este caminho, começando pela base. Sem alicerces fortes, nada sobrevive! Com inteligência vamos atingir este objetivo. Com irresponsabilidade, vamos destruí-lo em pouco tempo e voltaremos ao confinamento.

Não nos soube bem voltar a sentir a liberdade? Com prudência temos de conseguir manter este sentimento de alegria e não voltarmos à era de depressão, de prisão física, mental e social.