Se me dissessem há seis meses que hoje a Iniciativa Liberal estaria no ponto em que está, eu não acreditaria. Um dos mais rápidos fenómenos de sucesso nas redes sociais, uma comunicação de rua reconhecida por todos como a mais criativa, uma extraordinária performance nos debates ao ponto de muitos comentadores afirmarem que o candidato Ricardo Arroja superou qualquer um dos candidatos dos ditos “grandes partidos”, uma rede de doadores e voluntários estabelecida e, mais importante, uma extensa produção intelectual de artigos, quadros e propostas como nunca se viu outro partido fazer em tão pouco tempo. Tudo isto sem ceder ao facilitismo de ancorarmos eleitoralmente o partido numa figura com projeção mediática.

Este sucesso não foi obtido sem alguns custos e fomentou muitos anticorpos. Felizmente, os anticorpos certos. Os ataques surgiram de vários lados. De comentadores ligados ao governo, de membros destacados de partidos mais extremistas de esquerda e de direita, de jornalistas e comentadores, até de membros do governo. Para completar esse ramalhete, fomos alvo de ataques nos últimos dias em colunas deste jornal, escritas por militantes de outros novos partidos (mas sem a coragem de se identificarem como tal).

Qualquer observador externo se interrogaria porque é que um partido novo, sem figuras mediáticas, sem o apoio de grandes grupos de comunicação, com pouco dinheiro e que nem sequer aparece nas sondagens consegue criar um desconforto tão grande e tão abrangente? A resposta é clara: o medo de que as ideias proliferem. Não é do resultado eleitoral da Iniciativa Liberal que eles têm receio: é das ideias que transmitimos e do risco de que essas ideias, independentemente do resultado eleitoral, comecem a ter acolhimento. Porque as ideias, sendo boas para o país, são também perigosas para boa parte da classe política.

A ideia de que as pessoas devem ter controlo sobre o seu próprio destino é perigosa para aqueles cujo modo de vida é controlar o destino dos outros. Retirar esse controlo aos políticos é deixá-los impotentes, incapazes de continuar a beneficiar da utilização abusiva desse poder.

A ideia da defesa inequívoca dos contribuintes é perigosa para quem está habituado a conquistar votos e poder usando o dinheiro dos contribuintes para satisfazer clientelas. Sejam essas clientelas bancos, empresários do regime ou corporações profissionais.

A ideia da descentralização é perigosa para aqueles que estão habituados a gerir a vida de 10 milhões de pessoas a partir de 2 quilómetros quadrados na capital, longe daqueles que são afetados pelas suas decisões.

A ideia de que o atraso económico português tem causas próprias é perigosa para quem teve responsabilidades diretas de governação nos últimos 20 anos e prefere colocar a culpa do seu fracasso numa qualquer fatalidade externa. Países expostos ao mesmo fatores externos que Portugal foram capazes de se desenvolver e oferecer melhores condições às suas pessoas, expondo a incompetência e oportunismo daqueles que oferecem alternância sem oferecerem alternativa.

A ideia da liberdade de escolha na saúde e na educação que permitiria a todos, independentemente da sua condição económica, o acesso à melhor oferta de escolas e hospitais é perigosa para quem se habituou ao privilégio de aceder às melhores escolas e hospitais apenas por pertencer a uma elite com capacidade de escolha.

A ideia de um país amigo do investimento, aberto a novas empresas, é perigosa para quem se habituou a viver do pagamento de favores das empresas instaladas e encostadas ao poder.

A ideia de um partido que consegue fazer uma campanha impactante na sociedade portuguesa com menos de um vigésimo do orçamento dos outros e recusando subvenção públicas de campanha, é perigosa para quem está habituado a abusar do dinheiro dos contribuintes para alimentar clientelas partidárias em campanhas faustosas.

No passado domingo, quando exerci o meu voto de forma antecipada e consegui colocar a cruz num partido, a Iniciativa Liberal, que defende sem receios todas estas ideias fiquei com um sentimento de dever cumprido. Pela primeira vez quem compreende e defende estas ideias terá onde votar.

Podia ter aqui um discurso pomposo e dizer que fiz este esforço pelo meu país. Mas a verdade é que também o fiz por mim, pela minha consciência. O país está estagnado há 20 anos, mas nesses 20 anos não houve quem oferecesse uma verdadeira alternativa aos eleitores. Se daqui a 20 anos o país se tiver atrasado um pouco mais, se estiver na cauda da Europa, a perder os seus jovens valores, sem capacidade de oferecer um salário decente a quem trabalha e a sofrer as consequências do inverno demográfico, eu poderei dizer que na altura certa dei o meu contributo para que as coisas pudessem ser diferentes. Estarei de consciência tranquila.

Estas ideias tão inovadoras como simples, que permitiriam ao país libertar-se da influência nefasta do pior das suas elites, geraram uma reação que até para as minhas expectativas mais optimistas foi desproporcionada. Para votar na Iniciativa Liberal não é preciso concordar com todas. É suficiente achar que seria útil trazer estas ideias para a discussão. Que dos 21 eurodeputados eleitos em Maio ou dos 230 deputados em Outubro, ter pelo menos um da Iniciativa Liberal traria algo de bom para a discussão política no país. É por isto que acredito que liberais, e não só, devem votar Iniciativa Liberal.

Presidente do partido Iniciativa Liberal