Se me dissessem há seis meses que hoje a Iniciativa Liberal estaria no ponto em que está, eu não acreditaria. Um dos mais rápidos fenómenos de sucesso nas redes sociais, uma comunicação de rua reconhecida por todos como a mais criativa, uma extraordinária performance nos debates ao ponto de muitos comentadores afirmarem que o candidato Ricardo Arroja superou qualquer um dos candidatos dos ditos “grandes partidos”, uma rede de doadores e voluntários estabelecida e, mais importante, uma extensa produção intelectual de artigos, quadros e propostas como nunca se viu outro partido fazer em tão pouco tempo. Tudo isto sem ceder ao facilitismo de ancorarmos eleitoralmente o partido numa figura com projeção mediática.

Este sucesso não foi obtido sem alguns custos e fomentou muitos anticorpos. Felizmente, os anticorpos certos. Os ataques surgiram de vários lados. De comentadores ligados ao governo, de membros destacados de partidos mais extremistas de esquerda e de direita, de jornalistas e comentadores, até de membros do governo. Para completar esse ramalhete, fomos alvo de ataques nos últimos dias em colunas deste jornal, escritas por militantes de outros novos partidos (mas sem a coragem de se identificarem como tal).

Qualquer observador externo se interrogaria porque é que um partido novo, sem figuras mediáticas, sem o apoio de grandes grupos de comunicação, com pouco dinheiro e que nem sequer aparece nas sondagens consegue criar um desconforto tão grande e tão abrangente? A resposta é clara: o medo de que as ideias proliferem. Não é do resultado eleitoral da Iniciativa Liberal que eles têm receio: é das ideias que transmitimos e do risco de que essas ideias, independentemente do resultado eleitoral, comecem a ter acolhimento. Porque as ideias, sendo boas para o país, são também perigosas para boa parte da classe política.

A ideia de que as pessoas devem ter controlo sobre o seu próprio destino é perigosa para aqueles cujo modo de vida é controlar o destino dos outros. Retirar esse controlo aos políticos é deixá-los impotentes, incapazes de continuar a beneficiar da utilização abusiva desse poder.

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