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Prostituição

Prostituição é trabalho. Uma nova opção de carreira…

Autor
  • Filipe Samuel Nunes
191

Sugerir que a prostituição é “trabalho” é enganador porque branqueia o mais horrível dos negócios modernos: o tráfico humano. Mais: dizer que a prostituição é “uma opção de carreira” é criminoso.

A velha máxima de que a prostituição é a “profissão mais velha do mundo”, nunca fez tanto sentido. Feministas por todo o mundo têm afirmado que é a “opressão mais velha” e que deveria ser abolida, resistindo à ideia de que é “uma profissão como qualquer outra”. Para inflamar o debate a Teen Vogue publicou um artigo em que a autora (Drª Mofokeng, médica sul-africana) defende a ideia de que o trabalho sexual é uma forma de empoderamento feminino e que para além de ser descriminalizado deveria também ser encorajado. “Porque deve o trabalho de prostitutas ser criminalizado” — pergunta ela, se ela própria que trabalha com aconselhamento sexual é aceite pela sociedade. “Não será ela também uma trabalhadora sexual”? E nesta linha de pensamento a autora chega a defender que a prostituição é uma “válida opção de carreira”.

Um serviço de empoderamento feminino?

Mofokeng afirma que “a ideia de comprar intimidade e pagar por esses serviços pode ser afirmador para muitas pessoas necessitadas de contacto humano, amizade e apoio emocional”. Certo! Todavia, se o único critério para um relacionamento é o “empoderamente” ou a afirmação individual que essa relação traz, então estamos a resvalar para um mundo sem valores nem princípios.

Importa sermos éticos neste aspecto. Uma ética sexual é uma forma de conviver bem em sociedade. Porque a ética vai além da moral e dos costumes. Ética tem a ver com o meu estilo de vida (privado e público) e com a forma como eu vejo o outro. Sem ética, e considerando que sexo é trabalho, então uma violação sexual, é apenas um roubo. Porque em vez de pagar por um serviço sexual eu resolvo, no exercício do meu direito de auto-afirmação, não pagar. Apenas roubei o “serviço”. Se a minha afirmação pessoal é a única referência, então vale tudo. Porque posso justificar qualquer bizarria com a minha afirmação identitária. A Bíblia fala de um tempo sem lei em que “cada um fazia o que parecia bom aos seus próprios olhos” (Juízes 21:25), como uma época de regressão e caos social.

No artigo a Drª Mofokeng afirma que “considerar que trabalho sexual é normal”, é uma questão de afirmação feminina. “As mulheres devem praticar todo o sexo que desejam, sem restrições de etiquetas com preços. Ir contra isso, será ser misógino”.

Na opinião da Organização Mundial de Saúde (OMS) a prostituição é um negócio dominado por homens desde que o primeiro Neandertal trocou um pernil de mamute por um “truca-truca”, no fundo da caverna. Dizer que a prostituição é uma opção de carreira perfeitamente válida é o sonho de qualquer misógino. E um pesadelo feminista. É passar a mensagem de que o corpo da mulher existe apenas para prazer alheio e gerlmente não nos termos ditados por ela. Parece-me uma atitude auto-destrutiva, e não auto-afirmativa.

E o elefante na sala?

É curioso que o artigo nunca menciona o tráfico sexual. Um negócio de 20 milhões de dólares – somente nos Estados Unidos – que escraviza meninas a partir dos 12 anos, não preocupa a articulista. Num tempo em que os progressistas reclamam das heranças históricas dos colonialistas que desenvolveram as suas civilizações em cima da escravatura, não há uma palavra sobre esta horrenda escravatura moderna. Em vez disso, vê-se tanto neste artigo, como nas atitudes “progressistas”, um glamourização da prostituição.

A reboque de histórias efabuladas, à laia das Brunas Surfistinhas da vida, criou-se a imagem de que é possível uma rapariga se prostituir apenas para “ganhar uns trocos” a fim de pagar as despesas da faculdade, ou a renda do quarto. A Drª Mofokeng escreve o seguinte: “nem todas as trabalhadoras sexuais se envolvem em sexo penetrativo… os serviços incluem companheirismo, intimidade, jogos não sexuais, dança e strip-tease. Estas funções são pré-determinadas e todos se sentem confortáveis”.

Ora, esta descrição parece uma história contada para crianças, tipo Branca de Neve. Será que a autora se leva a séria! Então, e o uso e abuso de drogas… onde estão os relatos reais de depressão e intenções suicidas… e os abusos que acontecem nos milhares de bordéis ilegais sem condições humanas… e as mulheres que são mal-tratadas e mortas pelos seus proxonetas (no mundo politicamente correcto são “gestores de negócios pessoais”)…

Veja-se o interessante artigo na The Atlantic, de Caitlin Flanagan que pergunta “quando é que perdemos a habilidade de interpretar os sinais duma rapariga em apuros?” Há uma alienação proposital nesta questão que só rebaixa a condição da mulher. Um princípio Bíblico elementar é de que homem e mulher carregam “a imagem de Deus” (Génesis 1:27) e devem ser respeitados por isso mesmo.

A mulher não é um vaso para mero consumo sexual do homem – pagando ou não. E sugerir que a prostituição é “trabalho” é enganador porque branqueia o mais horrível dos negócios modernos: o tráfico humano. Mais: dizer que a prostituição é “uma opção de carreira” é criminoso. O que se seguirá? Irão os governos abrir concursos para ver quem faz o melhor “sexo oral”? Haverá planos de carreira? Teremos pesquisas de satisfação junto dos clientes? Haverá quotas para entrada neste “mercado de trabalho”?

Será que a Drª Mofokeng na hora de escolher entre medicina e a prostituição, achou mesmo que prostituir-se era uma opção de carreira para ela? Por mim, fico-me com o conceito bíblico “cada um de nós deve tratar o seu próprio corpo com honra” (1 Tessalonicenses 4:4). Ou seja, o corpo de uma mulher nunca deve ser visto como um local de trabalho.

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