A publicação no Observador de um texto da médica Joana Bento Rodrigues, ligada à Tendência Esperança em Movimento do CDS e onde a autora contestava uma posição do seu partido, suscitou um grau de controvérsia que nos leva a fazer a alguns esclarecimentos.

O primeiro é que o espaço de opinião do Observador é plural e os artigos aí publicados apenas vinculam os seus autores. De forma alguma colaborações pontuais que apenas responsabilizam quem as escreveu podem ser confundidas com os valores do Observador, claramente expressos – e assumidos, o que é raro em Portugal – no nosso Estatuto Editorial. Essas colaborações, por plurais, podem mesmo contrariar esses valores.

O segundo é que esses valores, que praticamos no nosso jornalismo do dia-a-dia, estabelecem claramente que “o Observador coloca a liberdade no centro das suas preocupações e defende uma sociedade aberta, com instituições respeitadoras da lei e dos direitos individuais”, da mesma forma que se orienta pelo “princípio da dignidade da pessoa humana”.

O terceiro é que só podemos condenar as tentativas de associar as posições defendidas naquele texto aos princípios do Observador, um sublinhado que deveria ser desnecessário mas que fazemos tendo em consideração a natural sensibilidade criada por uma actualidade tragicamente marcada por múltiplos casos de violência de género e anacrónicas sentenças judiciais.

José Manuel Fernandes
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