Deixem-me contar uma história — ainda reminiscências da minha viagem a Moscovo. Passou-se no Teatro Bolshoi, que Lenine queria destruir em 1918, mas que não conseguiu. Foi durante muito tempo o maior teatro de ópera do mundo, com os seus 2153 lugares. Está cheio de histórias famosas. Esta passou-se em 1936.

O Bolshoi à noite

O compositor russo mais famoso da época, Dimitri Shostakovich (1905-1972), durante muito tempo considerado, sabe-se hoje que contra sua vontade, o artista do regime, tinha criado uma nova ópera, intitulada Lady Macbeth do Distrito de Minsk. A ópera era um sucesso, com centenas de representações, de casas cheias, em São Petersburgo e Moscovo.

Uma noite, recebeu um telefonema. Estaline viria ver a sua ópera. Como era da praxe, o compositor deveria estar presente, na primeira fila. O ditador sentou-se no camarote do costume, do lado esquerdo do palco. Aí, protegido pelas cortinas, veria a representação sem ser visto. Mas Shostakovich, na primeira fila, podia aperceber-se da sua presença. E, durante a ópera verificou que os ocupantes do camarote não aplaudiam e se começavam a movimentar, com desprezo pela ópera. A meio, Staline saiu, acompanhado pela sua comitiva, nada mais nada menos do que Molotov, o número dois do regime, e Jdanov, o censor intelectual de serviço. Shostakovich ficou apavorado.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.