Na semana passada esteve em Portugal um conhecido especialista em estudos estatísticos de educação. Na sua bagagem, William Schmidt, diretor do centro de política educativa da Universidade de Michigan, trouxe consigo resultados muito interessantes para o nosso país. Em particular, apresentou-nos uma súmula das conclusões que recentemente retirou da análise dos elementos do estudo internacional PISA, da OCDE, e da evolução do nosso país.

No debate organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos no Auditório do Liceu Camões, Schmidt mostrou números, dados e resultados de estimações estatísticas, enfim, o que deveria ser natural quando se discute educação. As suas conclusões são simplesmente o contrário do que tem frequentemente surgido em debates que não são baseados em dados, mas apenas em ideologia.

Schmidt estudou a origem das desigualdades nos resultados da educação, medindo estes pelo desempenho dos alunos nas questões do inquérito PISA. Concentrou-se em Matemática e portanto nos jovens de 15 anos de idade, que são os inquiridos nesse estudo. Dividiu as causas dessas desigualdades em dois fatores: a origem social e o ensino fornecido pela escola. E distinguiu o efeito direto das origens sociais do efeito indireto das origens sociais mediado pela escola, isto é, grosso modo, do ensino proporcionado pelas escolas para os estudantes de diferentes estratos sociais.

Uma das suas conclusões é que, em geral, nos países desenvolvidos, a origem social é menos importante (45%) do que as oportunidades de aprendizagem que são proporcionadas pela escola (55%). Nos países em desenvolvimento passa-se o inverso, isto é, a origem social é mais importante (55%) do que o ensino proporcionado pela escola (45%).

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