Saúde da Mulher

Dieta à base de vegetais pode afetar a fertilidade masculina

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Dietas à base de vegetais podem reduzir a quantidade de espermatozóides ou afetar a qualidade dos mesmos, segundo os estudos apresentados na conferência da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Os vegetarianos tem menos espermatozoides que as pessoas com a dieta omnívora

Ethan Miller

Uma dieta rica em fruta e vegetais pode tornar as pessoas mais saudáveis e prolongar a esperança média de vida, mas ao mesmo tempo afetar a quantidade e qualidade dos espermatozoides produzidos, noticia o Telegraph. A elevada ingestão de estrogénios vegetais – um equivalente da hormona feminina – ou a alta concentração em pesticidas podem ser os responsáveis pela redução da qualidade do esperma e, consequentemente, pela diminuição da fertilidade.

Os seguidores da Igreja Adventista do Sétimo Dia no sul da Califórnia, onde o estudo foi desenvolvido, são estritamente vegetarianos porque consideram a carne impura, segundo refere o Telegraph. A dieta saudável parece ser responsável pela esperança média de vida 10 anos superior à média americana, mas o que os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, queriam perceber era de que forma a longevidade poderia estar relacionada com a qualidade do esperma.

Ao longo de quatro anos (2009 a 2013) a equipa recolheu e contou o número de espermatozoides em 26 vegetarianos, cinco veganos e 443 indivíduos que incluem carne na dieta. “Descobrimos que a dieta afeta significativamente a qualidade do esperma. Dietas vegetarianas e veganas estavam associadas a contagens de espermatozoides muito mais baixas do que nas dietas omnívoras”, refere a responsável pelo estudo Eliza Orzylowska. Cerca de 50 milhões de espermatozoides por mililitro nos vegetarianos e veganos contra 70 milhões nas pessoas com dieta omnívora.

Também a mobilidade dos espermatozoides se mostrou condicionada. Apenas um terço dos espermatozoides são móveis nos vegetarianos contra cerca de 60% nos homens que incluem carne na dieta. Embora nos veganos a mobilidade estivesse acima dos 50%, apenas cinco indivíduos foram incluídos no estudo. Esta redução na quantidade e mobilidade pode condicionar a capacidade de conceber naturalmente, embora o formato dos espermatozoides estivesse dentro dos parâmetros normais.

Os investigadores propõem que a ausência de algumas vitaminas, como a vitamina B12 presente na carne, leite e ovos, possa ser responsável por estas diferenças, mas sobretudo a dieta à base de soja – um substituto vegetal da carne. A soja é rica em fitoestrógenos, uma hormona vegetal semelhante à hormona feminina (estrogénio), que pode influenciar negativamente a produção de esperma. Também a deficiência em cálcio nas dietas veganas pode reduzir a mobilidade nos espermatozoides neste grupo de pessoas.

Num estudo paralelo apresentado na mesma conferência, uma equipa da Escola de Saúde Pública de Harvard e do Massachusetts General Hospital mostra que embora o consumo de frutas e vegetais possam aumentar a fertilidade, mas caso estes tenham uma elevada concentração de pesticidas o efeito será o oposto. Dos 155 homens estudados entre 2007 e 2012, nos casos em que a quantidade de pesticidas na área de produção das frutas e vegetais era mais alta, os indivíduos apresentavam menos 70% de mobilidade nos espermatozoides e menos 64% de espermatozoides com um formato dentro do normal, segundo o comunicado de imprensa da conferência.

“Os homens que pretendem melhorar a saúde reprodutiva precisam de escolher frutas e vegetais produzidos em zonas com baixos índices de pesticidas, onde a contaminação é menor. A nutrição é importante para uma boa saúde reprodutiva, mas a comida que é boa para nós pode conter outras substâncias que não são assim tão boas”, alerta Paul Turek, presidente da Sociedade de Reprodução Masculina e Urologia, nos Estados Unidos.

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