Crimes Sexuais

Embaixador poderá ter abusado de dezenas de crianças

Clement Freud foi acusado de abuso sexual por várias pessoas depois da exibição de um documentário. As acusações levantaram suspeitas relativamente à ligação aos pais de Maddie McCann.

Depois de violar uma das suas vítimas, Freud terá apenas dito "se estiveres grávida, liga-me"

Getty Images

Um antigo embaixador britânico, Craig Murray, afirmou ter sido contactado por várias mulheres que acusaram Clement Freud de ter abusado sexualmente delas enquanto eram menores. Freud foi acusado, esta terça-feira, de ter abusado sexualmente de duas jovens raparigas entre as décadas de 1940 e 1970. As alegações foram feitas por duas mulheres no documentário Exposed da ITV, que foi exibido na sua totalidade esta quarta-feira. Um dia depois foram feitas várias novas acusações ao ex-membro do Parlamento inglês.

Vicky Hayes, 64 anos, afirmou ter sido uma das vítimas de Freud na década de 1960, depois deste se ter tornado um amigo de família. O ex-político terá oferecido bebidas alcoólicas à rapariga de 17 anos e depois violou-a, durante uma viagem a dois. Segundo a mulher, quando a deixou na estação de comboios na manhã seguinte, Freud terá apenas dito “se estiveres grávida, liga-me”.

Hayes terá denunciado a violação à polícia depois da morte de Freud, em 2009, mas não terá sido levada a sério, segundo o Telegraph. Um porta-voz da polícia de Suffolk disse que havia uma denúncia de violação que ocorreu há mais de quarenta anos, mas que “como o suspeito já tinha morrido, não se prosseguiu com a investigação”.

Esta quinta, Murray afirmou que recebeu queixas de sete pessoas que não tinham sido vítimas de Freud, mas que conheciam pessoas que tinham. O antigo embaixador contou ao The Independent que, quando Freud morreu, escreveu um obituário e que uma leitora publicou um comentário na publicação onde se podia ler: “Escrevendo como uma das suas mais de mil ‘vítimas’ sexuais, ainda viva, aterrorizada enquanto escrevo com medo de que ele não esteja realmente morto – o homem era mau e implacável e utilizava todos os que entravam em contacto com ele para proveito do seu ego sem fundo. As nossas crianças – rapazes e raparigas, estão mais seguras depois da sua morte. E esta é apenas a ponta de um icebergue de negócios sujos na política e nos media que atinge o coração da Grã-Bretanha desfeita que ele deixa para trás. A sua família vai agora, infelizmente, suportar a raiva e vingança daqueles destruídos e a muito merecida justiça pelas suas ações hediondas – ainda não reveladas.”

A leitora que fez esta publicação é uma das duas mulheres que aparece no documentário, mas que preferiu manter-se anónima, ao contrário de Sylvia Woosley que decidiu dar a cara à denúncia.

Esta terça-feira, Craig Murray publicou uma nova entrada no mesmo blog onde escreveu o obituário de Freud. Nesta entrada, o ex-embaixador explica como um dia Freud terá pedido ao presidente da associação de estudantes da Universidade de Dundee que lhe apresentasse uma estudante 35 anos mais nova.

O ex-político, que morreu em 2009, tinha uma casa na Praia da Luz e tornou-se amigo do casal McCan poucas semanas depois do desaparecimento de Madeleine McCann. A polícia inglesa está a investigar a hipótese de Freud estar implicado no desaparecimento da rapariga inglesa, como informa o Telegraph.

Segundo o jornal inglês, a polícia já tinha sido informada da possível ligação de Clement Freud ao caso do desaparecimento de Madeleine, mas terá optado por não investigar.

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