Assembleia Da República

Declarações do comissário são “inoportunas” e uma “forma de chantagem”

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Günther Oettinger, comissário europeu, admitiu esta segunda-feira que a hipótese de um segundo resgate a Portugal existe e seria catastrófica para o país. PS, CDS e PCP criticam palavras do alemão.

"[As declarações de Oettinger] tiveram como claro objetivo impor a política de empobrecimento", considera Paula Santos

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Democratas-cristãos e comunistas não gostaram de ver o comissário europeu responsável pelas pastas da Economia e Sociedade Digitais a admitir perante os deputados portugueses a possibilidade de Portugal vir a precisar de um segundo resgaste. CDS fala em “tema inoportuno”. PCP considera declarações de Günther Oettinger uma “forma de chantagem”.

O comissário europeu esteve na manhã desta segunda-feira na comissão de Assuntos Europeus para uma audição com os vários grupos parlamentares. Quando pensava que estava a falar à porta fechada, o militante da CDU de Angela Merkel acabou por admitir que o maior receio da Comissão Europeia era que Portugal viesse a precisar de um segundo programa de assistência, se não tomasse as medidas necessárias para o evitar. Mas, na verdade, a audição do comissário europeu estava a ser transmitida em direto pela AR TV, canal que transmite diariamente os trabalhos parlamentares.

Para Pedro Mota Soares, do CDS, as declarações de Oettinger são, em tudo, “inoportunas”. “No nosso entendimento, a questão não se coloca”. O democrata-cristão sublinha, de resto, que o princípio do CDS é “defender o interesse nacional” em Portugal e na Europa e é por esse objetivo que o partido se vai bater sempre.

O centrista, no entanto, não deixa de dar uma alfinetada ao Governo socialista e ao ministro das Finanças, Mário Centeno: afastar o cenário de segundo resgaste torna-se “mais difícil quando é o próprio ministro das Finanças a falar aberta e publicamente sobre essa hipótese”, critica Pedro Mota Soares, referindo-se à entrevista do governante à cadeia de televisão CNBC.

Paula Santos, do PCP, vai mais longe nas críticas que faz ao comissário europeu. Para a deputada comunista, as palavras de Oettinger “são despropositadas” e “enquadram-se neste esquema de pressão e chantagem da União Europeia” sobre Portugal.

“[As declarações de Oettinger] tiveram como claro objetivo impor a política de empobrecimento” aplicada durante os últimos anos no país e “uma tentativa de condicionar” o caminho que está a ser seguido de recuperação de rendimentos e direitos sociais, acusa a comunista. Mas é preciso lembrar que “Portugal é um país soberano”, sublinha Paula Santos, com ironia.

[Veja aqui um excerto das declarações de Günther Oettinger]

Horas mais tarde, em público, o comissário europeu acabaria por tentar retirar alguma carga ao que dissera e afastou o cenário de segundo resgate, dizendo-se “otimista”. Mas a polémica já estava criada. Em declarações à agência Lusa, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, afastou a possibilidade de um segundo resgate a Portugal e recomendou “máximo cuidado e sentido de responsabilidade” aos responsáveis políticos, incluindo membros da Comissão Europeia.

“Portugal vive hoje uma situação orçamental absolutamente tranquila. A execução orçamental tem corrido bem, dentro das margens de segurança do Orçamento do Estado e permitindo reduzir consistentemente o défice. A economia portuguesa está a crescer, o desemprego está a baixar”, afirmou esta segunda-feira à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva.

Segundo o governante, “não há nenhum indicador que permita ter uma atitude pessimista face à evolução da economia portuguesa e das suas finanças públicas”.

O Observador tentou procurar uma reação junto de sociais-democratas e bloquistas que, no entanto, preferiram não comentar as declarações do comissário europeu.

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