País

10% dos portugueses não compraram medicamentos prescritos devido ao custo

Um em cada 10 portugueses não compraram medicamentos prescritos pelo médico por motivos financeiros no ano passado, segundo um relatório da OCDE.

NIC BOTHMA/EPA

Um em cada 10 portugueses não compraram medicamentos prescritos pelo médico por motivos financeiros no ano passado, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que é divulgado esta sexta-feira.

Portugal surge acima da média dos países da OCDE nesta matéria, uma média que está nos 7,1%, com poucos países da União Europeia descritos no relatório na mesma situação. No que se refere a consultas médicas, 8,3% dos portugueses falharam uma ida ao médico por motivos financeiros em 2016, sendo que aqui Portugal está abaixo da média europeia, que é de 10,5%.

O relatório Health at a Glance 2017 da OCDE traça uma visão geral da saúde dos 35 países da organização, mas reporta-se a alguns dados de 2016 e a vários de 2015. No que diz respeito aos dados de 2015, o documento mostra que em Portugal cada habitante teve em média 4,1 consultas médicas anuais, abaixo da média da OCDE, que é de 6,9 consultas por habitante num ano.

Quanto à participação das famílias nas despesas de saúde, em Portugal subiu o número de população coberta por um seguro privado de saúde, havendo um quarto dos portugueses com seguro em 2015, quando dez anos antes era cerca de 20% da população.

As despesas diretas com saúde nas famílias portuguesas (despesas ‘out-of-pocket’) situam-se nos 3,8% do total da despesa familiar, acima da média da OCDE, que é de 3%, segundo dados de 2015. Aliás, 28% das despesas de saúde em Portugal estavam já a cargo das famílias em 2015, acima da média da OCDE, tendo havido um aumento desta carga entre 2009 e 2015.

Quanto à evolução da despesa global em saúde ‘per capita’ dos países, Portugal surge como um dos três países que teve uma redução. Entre 2009 e 2016, a taxa anual de crescimento foi negativa em 1,3%. No período anterior, de 2003 a 2009, o crescimento da despesa global em saúde tinha sido positivo, com uma taxa anual de 2,2 por cento. A despesa em saúde em Portugal situa-se nos 8,9% do PIB, quase alinhado com a média da OCDE de 9 por cento.

O relatório da OCDE traça ainda um retrato da quantidade de profissionais de saúde nos países da organização, indicando que Portugal e a Grécia surgem com um número de médicos ‘per capita’ relativamente elevado. Contudo o documento sublinha que os dados fornecidos por Portugal integram a totalidade de médicos com cédula profissional e não os médicos que efetivamente exercem, o que leva a uma sobrestimação dos dados.

Assim, com aquela ressalva, Portugal surgia com 4,6 médicos por mil habitantes em 2015, enquanto o número de enfermeiros era de 6,3 por mil habitantes.

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