O Banco Central Europeu (BCE) escolheu Sintra para acolher a primeira das suas conferências internacionais, que contará a partir de hoje com várias personalidades internacionais, incluindo Christine Lagarde, Durão Barroso e Mario Draghi, e que suscitou críticas da oposição portuguesa.

Até terça-feira vão passar pelo ‘ECB Forum on Central Banking’ dezenas de economistas e responsáveis internacionais: o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, vai abrir os trabalhos esta tarde e vai ter mais duas intervenções ao longo da conferência. Também hoje, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a francesa Christine Lagarde, vai apresentar um discurso no jantar de hoje.

Também Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, Benoît C(ce)uré, membro da administração do BCE, Erdem Basçi, governador do Banco Central da Turquia, e Mathias Dewatripont, do Banco Nacional da Bélgica, vão marcar presença na iniciativa.

Entre os oradores vão estar dois portugueses: Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, e Vítor Constâncio, vice-governador do Banco Central Europeu.

Na frente académica, a conferência conta com Paul Krugmam, que ganhou o prémio Nobel da Economia em 2008 e que vai falar sobre os objetivos da inflação, que defende que sejam superiores a 2%. O objetivo de médio prazo do BCE para a inflação é que esta se situe “abaixo mas próxima dos 2%”.

Pelos vários painéis vão passar também Otmar Issing, antigo economista-chefe do BCE, Hyun Song Shin, do Banco Internacional de Pagamentos, e Niall Ferguson, professor na Universidade de Harvard.

Esta conferência do BCE replica um modelo que a Reserva Federal (Fed) norte-americana realiza desde 1978 numa cidade do Kansas, Jackson Hole, que deu nome ao evento que a Fed promove anualmente.

Em Portugal, a conferência do BCE foi alvo de críticas por parte da oposição por se iniciar no dia das eleições europeias: o Bloco de Esquerda considerou que se trata de uma “violação da legislação eleitoral” e a CDU defendeu que é uma “grosseira violação dos princípios de neutralidade”.

Os dois partidos entregaram queixas à Comissão Nacional de Eleições (CNE), que decidiu, por maioria, “não dever intervir” por considerar que não está em causa matéria eleitoral.