O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, anunciou, nesta quinta-feira, que o banco vai disponibilizar mais uma série de empréstimos de longo prazo aos bancos comerciais com um valor inicial de 400 mil milhões de euros, deixar de retirar do mercado 175 mil milhões de euros que injetou com a compra de dívida pública e que mandou intensificar o estudo para a compra de ativos.

“Já acabámos? Não. Se for preciso, dentro do nosso mandato, estamos preparados” para agir, disse Mario Draghi aos jornalistas em Frankfurt. Depois de anunciar um corte nas taxas de juro de referência para novos mínimos históricos – incluindo um corte na taxa de juro de depósitos para valores negativos -, Mario Draghi anunciou aos jornalistas uma série de medidas tendo em vista o aumento do financiamento à economia e aumentar a taxa de inflação para perto dos 2% (meta do BCE).

A lista de medidas ainda é vasta. Em primeiro lugar, o banco central decidiu criar uma série de novos empréstimos de longo prazo aos bancos comerciais, que devem vencer apenas em setembro de 2018.

Estes empréstimos serão, no entanto, mais localizados, podendo um banco pedir apenas emprestando até um máximo de 7% do valor total de financiamento ao setor não financeiro da economia – que exclui para além do setor financeiro, também o financiamento ao setor público e empréstimos à habitação que vençam ainda este ano.

O valor inicial para estes empréstimos é de 400 mil milhões. Mas os bancos podem ter de devolver o dinheiro mais cedo, em setembro de 2016, caso não estejam a cumprir os requisitos estipulados pelo BCE.

Mais 165 mil milhões de euros de liquidez no sistema financeiro

O BCE decidiu, também, que vai deixar de esterilizar as compras de dívida pública no mercado secundário, através do programa de compra de dívida pública, já extinto, Securities and Markets Program (SMP).

Durante o período mais agudo da crise, o BCE decidiu comprar dívida pública que estava nos balanços dos bancos para ajudar a baixar os juros da dívida pública. Comprando esta dívida, retirou-a do balanço dos bancos e acabou por dar mais capacidade aos bancos para poderem comprar nova dívida ou emprestar à economia.

No entanto, todas as semanas, para evitar um crescimento abrupto da massa monetária, o BCE oferecia depósitos aos bancos no exato valor das compras, para que essa liquidez ficasse fechada nos cofres do BCE.

Agora, ainda com 164,5 mil milhões de euros de ativos comprados (valor do dinheiro que estava a retirar do mercados todas as semanas), o BCE decidiu que vai deixar de fazer essa esterilização, o que vai obrigar os bancos a encontrarem outro local para guardarem o seu dinheiro, tentando dessa forma estimular a confiança entre bancos e o financiamento do sistema à economia.

Quantitative easying pode estar a caminho

Uma das maiores expetativas era a de saber se seria desta que o BCE iria avançar com a compra de ativos em larga escala. Poucos eram os que esperavam que isso pudesse acontecer, ou mesmo que venha a acontecer. Mas Mario Draghi aumentou a expetativa, dizendo que foi decidido “intensificar o trabalho preparatório” para a compra de ativos.

Segundo o presidente do BCE, os ativos a comprar terão a forma de Asset-Backed Securities (ABS), que são ativos securitizados (transacionáveis) compostos por empréstimos que não à habitação ou hipotecas, como por exemplo empréstimos a empresas ou universitários.

Mario Draghi garantiu, no entanto, que só serão considerados para compra ativos que sejam claros, que tenham por base empréstimos reais (e não derivados), que sejam claros, transparentes e com informação disponível que permita aos investidores compreender o que estão a apostar.

Os ativos compostos por derivados complexos, como é o caso dos CDO, que juntam vários tipos de ativos deste género, não serão aceites pelo BCE.

Questionado pelos jornalistas se, no futuro, pode avançar com um programa de compra de ativos em larga escala, Draghi garantiu que o BCE está pronto a agir e que ainda tem medidas na manga. Uma delas é, precisamente, a compra de ativos em larga escala.

BCE vai continuar a emprestar tudo o que os bancos pedirem

Antes da crise o BCE decidiu, nos empréstimos a uma semana, deixar de estipular um valor fixo que ia a leilão para emprestar aos bancos. Agora, Mario Draghi diz que este sistema terá de continuar durante mais alguns anos.

Taxas de juro vão continuar baixas durante um período longo de tempo

Depois de novo corte nas taxas de juro para novos mínimos históricos, Mario Draghi fez questão de assegurar ao mercado que as taxas assim continuarão durante um “longo período de tempo”.

Apesar de ainda não determinar claramente quando este período pode acabar, Draghi insiste em dar estabilidade ao mercado quanto às taxas de juro.