O vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, afirmou hoje que só em dezembro se pode começar a avaliar se os empréstimos de longo prazo mais baratos aos bancos, anunciados esta quinta-feira por Mario Draghi, estão a estimular o crédito à economia.

Numa conferência em Londres, citado pela agência Bloomberg, o responsável português disse que até à parte final do ano os bancos estarão mais renitentes em conceder crédito, devido à avaliação dos seus balanços que serão sujeitos pelo BCE, que vai assumir a supervisão direta de 128 bancos dos 18 países da zona euro no final do ano.

“Eu espero, que no fim exista uma significativa recuperação [da concessão de crédito] mas são os bancos que decidem”, disse o ex-governador do Banco de Portugal. Constâncio espera que com o final da avaliação dos balanços dos bancos e o começo de mais uma ronda de crédito barato a longo prazo por parte do BCE, os bancos voltem a emprestar mais à economia.

Vítor Constâncio reconheceu também que depois do corte decidido esta quinta-feira nas taxas de juro de referência, que vão descer na próxima semana para novos mínimos históricos, a margem de manobra em termos de taxas de juro fica praticamente esgotada e que, caso aconteça um novo choque, o BCE terá de contemplar “todos os tipos de políticas não convencionais”, ente elas “o uso de um abrangente programa de compra de ativos”.